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Astrofísicos fizeram o sistema estelar TRAPPIST-1 tocar umas jams musicais

Nasce o jazz espacial.

por Becky Ferreira; Traduzido por Amanda Guizzo Zampieri
11 Maio 2017, 2:47pm

Conceito artístico do TRAPPIST-1. Crédito: ESO/M. Kornmesser.

Quando os cientistas anunciaram a descoberta de sete planetas semelhantes em tamanho à Terra orbitando o sistema solar TRAPPIST-1 em fevereiro, os nerds do espaço foram ao delírio. Localizado a 39 anos-luz – praticamente aqui do lado, em termos cósmicos – a estrela anã vermelha e seus planetas logo se tornaram alguns dos melhores destinos para exploração.

Agora, astrofísicos em Toronto, no Canadá, aumentaram a empolgação com o sistema de exoplanetas com uma simulação musical bastante criativa da dinâmica orbital inusitada do sistema. Matt Russo, fellow de pós-doutorado no Instituto Canadense de Astrofísica Teórica (sigla em inglês CITA), se uniu a Daniel Tamayo, pós-doutor na CITA e no Centro de Ciência Planetária da Universidade de Toronto Scarborough, para traduzir os períodos orbitais dos sete planetas do TRAPPIST-1 em sons harmoniosos.

O resultado é uma melodia alegre, composta pelo próprio cosmos, e que daria uma ótima música de abertura da playlist de uma futura missão interestelar ao TRAPPIST-1.

The Song of a Solar System: TRAPPIST-1 [O Som de um Sistema Solar: TRAPPIST-1]. Vídeo: Thought Cafe/YouTube.

Como visualizado na simulação, uma nota de piano é tocada cada vez que um dos planetas do sistema transita por – ou passa na frente de – sua estrela, visto de nossa perspectiva na Terra. A composição começa com o planeta mais longe, TRAPPIST-1h, e vai incorporando os demais planetas. Batidas de percussão entram nos momentos em que o planeta mais próximo da estrela faz uma volta sobre seus vizinhos mais lentos. A música diminui com uma versão acelerada da curva de luz da anã vermelha, o brilho da estrela com o tempo, com base nos dados coletados pelo telescópio espacial Keple.

A TRAPPIST-1 é responsável por uma belíssima música porque cada planeta está alinhado em uma "cadeia ressonante". Duas órbitas do planeta mais afastado tem um período igual ao de três órbitas do sexto planeta, quatro órbitas do quinto planeta, seis órbitas do quarto planeta, nove do terceiro, 15 do segundo e 24 do mais próximo da estrela, a TRAPPIST-1b.

GIF: Thought Cafe/YouTube.

Tamayo é o autor principal de um estudo recente do periódico Astrophysical Journal Letters sobre esse grupo de jam orbital bastante singular e sobre como ele pode estar relacionado com a formação, estabilidade e longevidade desse sistema solar.

"O TRAPPIST tem a cadeia ressonante mais longa de todos os sistemas planetários já descobertos", Tamayo me contou ao telefone. "É muito empolgante, e é tentador afirmar que, talvez, ao redor de estrelas de massas menores, o processo de formação dos sistemas é mais suave e capaz de criar essas configurações do que em estrelas de grandes massas."

The Song of a Solar System: TRAPPIST-1 [O Som de um Sistema Solar: TRAPPIST-1]. Vídeo: Thought Cafe/YouTube.

Russo, que é músico, aumentou as frequências naturais do sistema 212 milhões de vezes, a fim de que pudessem ser escutadas pelo ouvido humano. Em comparação, ele tentou essa técnica com a Kepler 90, uma estrela semelhante ao nosso Sol que também tem sete planetas ao redor, mas nenhum deles estava em ressonância. Assim, o sistema não passou na audição por jogar uma mistura caótica de notas.

Tamayo, Russo e o músico Andrew Santaguida criaram um website chamado SYSTEM Sounds. Ambos planejam "tentar converter o máximo de objetos do espaço em música", Russo me contou.

"Nada será tão singelo quanto o TRAPPIST", afirmou. "Será muito difícil conseguir algo tão belo em outros sistemas. Por isso o TRAPPIST é tão especial."

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