Adolescentes da Indonésia estão chapando com chá de absorvente usado

Na real, é uma história bem triste.

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dez 5 2018, 9:00am

Imagem do chá por virtualwolf via Flickr. Imagem do absorvente por Wikimedia Commons.

O que não falta são jeitos criativos – e perigosos – de chapar barato na Indonésia. As pessoas já misturaram coisas que podem, na maioria dos casos, matar uma pessoa, como metanol puro e acetona com comprimidos de farmácia para dor de cabeça, aquelas espirais repelentes de mosquito amassadas, e até limpador de privada em bebidas tóxicas e entoxicantes.

Mas agora a molecada passou para algo novo: absorventes menstruais. O chefe do departamento de erradicação de drogas da Agência Nacional de Drogas (BNN), deu essa notícia nojenta mês passado numa entrevista para o jornal Jawa Pos.

“Os materiais que eles usam são legais, mas eles não estão usando do jeito como deveriam, então isso acaba sendo usado como uma droga”, explicou Suprinatro, da BNN. “Precisamos tomar passos para educar as pessoas de que esses materiais não são classificados como drogas ou psicotrópicos aos olhos da lei, mas ainda podem ser usados dessa forma.”

O resto da história é bem triste na real. Esses adolescentes, de idades entre 13 e 16 anos, vivem nas ruas de lugares como Purwodadi, Kudus, Pati, Rembang e Semarang, disse Suprinatro. Eles pegam os absorventes, alguns usados, alguns novos, os fervem e destilam os químicos e o gel deles. Aí bebem a água e sentem um barato.

“Antes eles usavam absorventes usados”, explicou Indra Dwi Purnomo, professora da Fakultas Psikologi Unika Soegijapranata, que trabalha com crianças de rua. “Geralmente eles usam os com abas, que contêm bastante gel.”

E aparentemente isso acontece há anos. No passado, cheirar cola era a droga preferida das crianças de rua da Indonésia. Mas muitos deles procuram jeitos mais criativos de se entorpecer com coisas que as pessoas nem pensariam duas vezes. Sitty Hikmawatty, comissária de drogas e saúde do Comitê Indonésio de Proteção à Criança (KPAI), disse à imprensa que a tendência do chá de absorvente menstrual já tem alguns anos.

“Muitos desses garotos são inteligentes, e com a internet eles conseguem fazer novas variantes e concatenações”, disse. “É aqui que o fator de risco aumenta, porque eles só se preocupam com uma substância da mistura, ignorando outras, o que os deixa vulneráveis a efeitos colaterais possivelmente fatais.”

O Ministério da Saúde disse que vai investigar o que exatamente nos absorventes deixa as crianças entorpecidas. O que ninguém disse é se alguém vai trabalhar para tirar essas crianças da rua, o que, novamente, é triste pra caralho.

Mas o que atraiu esses adolescentes para os absorventes menstruais em primeiro lugar? Bom, talvez tenha algo a ver com o fato de que mais de um bilhão deles são jogados fora todo mês. As consumidoras indonésias não compram absorventes internos, principalmente por crenças de que mulheres que usam absorvente interno não são mais realmente “virgens”.

Mas também tem a ver com o fato de que as autoridades indonésias adoram falar sobre pânicos de drogas, e a imprensa adora publicar as afirmações mais sensacionalistas. Ano passado, a polícia fez circular histórias sobre um relaxante muscular que estaria fazendo crianças terem convulsões. Mais recentemente, vimos histórias sobre uma criança que desmaiou depois de tomar ecstasy achando que era um doce, e outra sobre a derrubada de um esquema de marketing multinível vendendo fluído de cigarro eletrônico batizado com MDMA.

Matéria originalmente publicada pela VICE Ásia.

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