Identidade

Conheça Danica Roem, a primeira trans metaleira a se eleger deputada nos EUA

Roem não é só a primeira pessoa transgênero a lançar uma candidatura — ela é também a primeira metaleira a fazer isso.

por Kim Kelly; fotos por Daniel Brothers; Traduzido por Stephanie Fernandes
24 Novembro 2017, 11:00am

Matéria originalmente publicada em junho de 2017 no Noisey US.

Danica Roem não para quieta. Ela é um poço de energia cinética, sempre gesticulando para comprovar um argumento ou se inclinando para manter contato visual direto, com longas madeixas escorrendo sobre seus ombros esbeltos. Durante a conversa, ora ela se contorcia de tanto gargalhar, ora abria um sorrisão de orelha a orelha. "Extrovertida" é pouco, e é impossível imaginar cinco minutos com ela sem fazer amizade, ou pelo menos sem se dar bem com ela. Esse carisma ajudou a impulsionar sua carreira jornalística no Gainesville Times, e virá a calhar também na próxima fase de sua vida profissional. Roem, sumidade na cena heavy metal da Virgínia há anos, não é só a primeira pessoa transgênero a se candidatar para a Assembleia do Estado — ela é também a primeira metaleira a fazer isso.

"Não é porque canto em uma banda de heavy metal, batendo cabeça e ganhando para fazer isso, que vou deixar de tentar. Por que eu precisaria mudar quem sou para me candidatar? Já passei por mudanças transformadoras o bastante", disse ela enquanto almoçávamos em um café no Brooklyn. Roem está ciente de que não é a "típica" figura política — afinal, é uma mulher transgênero, guitarreira cabeluda, que passou mais de uma década cantando em uma banda de thrash metal chamada Cab Ride Home, cujo maior hit é um hino sobre ficar bebaço em festas. Nesse sentido (e em um cenário político dominado por homens brancos, ricos, heterossexuais), com sua paixão por death metal sueco e o um Dodge 92 banheirão do qual ela mesma zomba, Roem é um ponto fora da curva.

Contudo, como jornalista nascida e criada no Condado de Prince William — o distrito onde ela está concorrendo —, ela leva vantagem. Sete vezes vencedora do prêmio da Associação da Imprensa da Virgínia, ela foi a principal repórter dos jornais Gainesville Times e Prince William Times durante nove anos, cobrindo educação e política local. Enquanto madrasta de uma estudante da rede pública de ensino, ela também tem sido uma voz ativa no Conselho Escolar do Condado de Prince William, e luta para barrar leis anti-LGBTQ na Assembleia do Estado. Na dianteira do conselho escolar, ela já refutou discursos do deputado Bob Marshall duas vezes em público, quando ele se opôs a uma proposta não discriminatória de igualdade de gênero e orientação sexual para o sistema escolar. Bob Marshall é político vigente há 25 anos, famoso por suas opiniões anti-LGBTQ conservadoras, por vezes controversas, e rival de Roem na corrida política.

Roem me contou de um telefonema que recebeu do deputado estadual Rip Sullivan, logo após seu primeiro duelo contra Marshall. Sullivan lidera o Partido Democrata nos esforços eleitorais para dominar a bancada legislativa do estado. Na época, ela estava focada em seu trabalho nos jornais, numa tentativa de convencer o Conselho Escolar do Condado de Prince William a incluir igualdade de gênero e orientação sexual em sua política educacional. A batalha resultou na criação de uma força-tarefa para estudar questões de discriminação nas escolas da região e reportar os resultados ao conselho. Roem acredita que, com isso, o conselho será capaz de apresentar esboços de programas concretos para deixar o ambiente escolar mais seguro para crianças e adolescentes LGBTQ, mas ainda há muito chão pela frente. Depois disso tudo, ela ficou pensando no telefonema; foi o empurrãozinho que faltava para dar o passo seguinte. Ao contatá-la e encorajá-la, Sullivan demonstrou forte apoio a Roem e aos valores e causas que ela representa.

"Este ano, testemunhamos uma onda de entusiasmo entre os progressistas do estado, e um dos caminhos mais importantes para nós do Partido Democrata canalizarmos essa energia é recrutar candidatos qualificados como Danica para se elegerem", disse Sullivan em uma declaração para o Noisey. "Independente de quem vencer as primárias democratas agora em junho, a candidatura dela lança uma nova voz para os cidadãos da Virgínia que foram injustamente silenciados e marginalizados ao longo da história."

Roem está se preparando para enfrentar Mansimran Kahlon, Andrew Adams e Steven Jansen nas primárias do dia 13 de junho (Bob Marshall segue sem oposição no Partido Republicano) e tentar ocupar uma das 100 cadeiras que representam os 100 distritos do estado. O mais interessante das eleições deste ano é que, nos 45 distritos em que Hillary Clinton venceu na corrida presidencial, os deputados republicanos vigentes serão confrontados por candidatos democratas. Os republicanos detêm 66 das 100 cadeiras da assembleia do estado da Vírgina, e essa nova onda de democratas na candidatura é resultado direto da eleição de 2016, amparado por grupos progressistas como o comitê democrata Emily's List, a favor do aborto, e a rede de apoio ao partido Run for Something.

O oponente de Roem, o deputado Bob Marshall, talvez discorde. Embora o foco de Roem seja infraestrutura e trânsito, o conservador republicano — deputado já há 25 anos — vive martelando em questões sociais, e volta e meia tece comentários acalorados sobre aborto, direitos LGBTQ, desarmamento e crianças com deficiência. Ano passado, ele apresentou 41 projetos de lei, sendo dois deles anti-LGBTQ. Este ano, apresentou quatro projetos de lei anti-LGBTQ, e nenhum foi aprovado pela assembleia legislativa da Virgínia, cuja maioria dos candidatos pertence ao Partido Republicano. Roem lida com frustrações em dobro, tanto como membro da comunidade LGBTQ, quanto como uma pessoa eficiente, que parte para a ação.

"E você ainda se pergunta por que não consegue aprovar uma lei sequer? Dica: é porque você está focado em questões sociais divisórias, exclusivas e discriminatórias que o governador já disse que vai vetar", Roem discursa, exasperada. "Estamos tentando conceber a ideia de uma Virgínia mais inclusiva. Estamos tentando descartar leis que, segundo o Supremo Tribunal, já não funcionam mais. O casamento gay agora é permitido por lei, gostem ou não — deputado Marshall incluso —, e é hora de eliminarmos os bastiões do legislativo que fazem dos Estados Unidos um país retrógrado. Devemos ser mais inclusivos, independente de aparência, origem, credo ou vida amorosa — e dizer sempre: 'Bem-Vindos à Virgínia'. Nosso estado ainda há de ser o lugar mais acolhedor para começar uma família, se apaixonar, estudar, abrir um negócio, relaxar, se aposentar, curtir a natureza, e simplesmente ser."

No começo do ano, Marshall apresentou um projeto de lei para banheiros, inspirado na lei HB2 da Carolina do Norte. O projeto 1612 logo foi descartado por um comitê republicano, um exemplo cristalino da perda de tempo que irrita Roem. Ela prefere não execrar a oposição com golpes baixos, embora tenha apontado que "o deputado Marshall se importa mais com o meu uso do banheiro do que o caminho dos cidadãos para o trabalho. Essa é a grande questão."

Após anunciar sua candidatura, Roem (concorrendo como democrata no 13º distrito) foi recebida por um séquito de apoiadores em sua comunidade local e ganhou atenção da mídia. Embora ela discuta numa boa questões de gênero, LGBTQ e os problemas que indivíduos trans enfrentam nos Estados Unidos, Roem parece mais centrista do que ativista liberal, e ela certamente não quer ser vista como uma candidata monotemática. O site de sua campanha destaca o seu compromisso em "tornar a Virgínia mais inclusiva para todos, independente de origem, aparência, credo e vida amorosa", mas o seu grande foco é consertar problemas locais. Seu foco em um problema local — o trânsito na Via 28 — não é a plataforma política mais chamativa para uma iniciante, mas é um caminho lógico, prático e altruísta, assim como a própria Roem.

"Muitas pessoas que não fazem parte da comunidade LGBTQ não se dão conta de que os mesmos problemas que afetam pessoas LGBTQ afetam todas as outras também. Por exemplo, para quem pega a Via 28 todo santo dia, o trânsito é terrível. Já era terrível 25 anos atrás, quando o deputado [Bob] Marshall foi eleito, e segue terrível hoje", explica ela. "Adivinha só? Não importa se você é trans ou não, a cor da sua pele, ou seja lá o que for. Congestionamento é congestionamento."

A comunidade metal há tempos combate uma reputação de intolerância diante de membros fora do esquadro "branco cis hétero", mas pelo menos no caso de Roem, essa percepção não poderia estar mais distante da realidade. Em vez disso, ela foi acolhida pelos amigos com apoio e aceitação, e permanece na ativa na cena metal da Virgínia. Quando tocamos no assunto, ela logo cantarola hits da cena, obras de Iris Divine, Sound of Thunder e Division. "Não perdi um amigo sequer durante a minha transição. Nenhum", conta ela com um sorrisão estampado no rosto. "Quando digo que sou parte da comunidade metal, isso compõe minha personalidade, assim como qualquer outra coisa. Costumo dizer que, para algumas pessoas, a música é um som. Para os metaleiros, é um estilo de vida. Uma estética. É a personalidade que você apresenta. É a maneira como você conversa com os amigos. Não é só o que você ouve no carro, a caminho de casa. As letras inspiram boa parte da sua vida. A música conta a sua história."

Dá para perceber o quão importante isso tudo tem sido para ela; Roem defende fervorosamente uma série de questões, seja em transporte, desenvolvimento econômico ou educação. E o rosto dela se ilumina quando pergunto sobre a vida metaleira. Perguntei para ela o que achava que a comunidade metal poderia fazer para acolher melhor membros LGBTQ, e sua resposta veio de imediato.

"Basta nos abraçar e bater cabeça junto. Curtir junto, simplesmente porque estamos ali também, e não por conta da nossa identidade", diz ela. "Vi um show do Life of Agony uns anos atrás em Nova Jersey — foi incrível! Tipo, nossa, queria ter visto alguém como ela quando eu tinha 15 anos. Só fui vê-la com 31. Ao mesmo tempo, imagino que ela também sonhava em poder ser ela mesma aos 15. E agora tem a capacidade de inspirar as pessoas, e espero que eu também tenha."

Roem não está preocupada com o efeito que seu passado metaleiro terá na campanha, embora políticos da cena sejam mais raros nos Estados Unidos do que, digamos, na Indonésia ou Taiwan. Afinal, conforme Navid Rashid, da banda local Iris Divine, me disse, o norte da Virgínia é bem mais democrata que o resto do estado. "Acho que os cidadãos comuns do norte da Virgínia não são como os outros", refletiu. "De qualquer forma, quero acreditar que Danica reflete a diversidade da comunidade metal, tanto quanto uma candidata articulada e educada, quanto como indivíduo transgênero. Torço para que os cidadãos da Virgínia entendam que o metal conversa com todo tipo de gente, e que pode ser uma fonte de energia positiva."

A própria Roem diz que, mesmo se sua paixão por Cannibal Corpse e Dark Tranquility levarem alguns votos por água abaixo, ela espera se sair melhor que certos candidatos. "Ainda sou sarcástica. Provavelmente, sou muito mais vulgar do que a maioria dos políticos, admito. Mas se os Estados Unidos buscam autenticidade, se for uma questão de caráter, então basta me perguntar: Você já foi presa? ‘Não.’ Você já usou drogas? ‘Não.’ Você já foi autuada por dirigir alcoolizada? ‘Não.’ Já levou multa? ‘Então, sim’ [ risos] Olha, já cometi erros; quem nunca? Donald Trump foi eleito presidente do país depois de admitir e ostentar aquelas coisas. Foi quando me dei conta: não há nada, nadica de nada, no meu passado que seja tão ruim assim."

Esse ímpeto de dialogar com as pessoas ao redor não serviu só de alavanca para sua campanha, como também veio a calhar na hora de promover a banda. Roem descreveu para mim os diversos shows (34 no total) que sua banda doidona de thrash metal, a Cab Ride Home, fez no lendário (hoje fechado) clube Jaxx, bem como a dificuldade que ela enfrentou para chegar lá. Formada em 2006, a Cab Ride Home é a garota dos olhos de Roem desde muito antes dela atender por Danica. Rashid se lembra da primeira vez que se viram, anos atrás, e de como ficou impressionado com sua devoção pela cena.

"Minha primeira impressão foi de um metaleiro animado, meio pateta, sempre numa boa, uma ótima companhia para bater um papo", contou. "Quando nos conhecemos melhor, pude dar valor ao seu senso de humor, resultado de uma inteligência notável e experiências de vida pesadíssimas."
No início, a performance da banda nos palcos servia para Roem descarregar sua energia ilimitada, e era também uma oportunidade para beber até cair.

"A premissa da banda é festa e manguaça, sabe? Nosso grande hit chama ‘Drunk on Arrival’ [Cheguei Bebaço Já]", contou ela em um tom tímido. Ainda que o poço inexaurível de entusiasmo ainda seja parte integral de sua personalidade, a mulher de 32 anos de hoje já não se interessa pelo festival de álcool que marcou seus vinte e poucos anos. Conforme ela mesma explica, a bebida lhe dava segurança em um momento em que se sentia incapaz de revelar sua verdadeira identidade para quem quer que fosse.

"Quando eu tinha 17 anos, decidi que o meu vício seria a bebida. Eu seria muito boa nisso, e não usaria mais nada — nada de drogas e coisas do tipo. Passei boa parte dos meus vinte anos na sarjeta, e praticamente usei o álcool como laço, para fazer amizades, aproximar pessoas, e as letras das minhas músicas eram sobre isso, e sobre abraçar esse estilo de vida como uma forma tóxica de apresentar minha persona masculina, porque eu não me sentia confortável na minha própria pele", explicou.

"Pensava que, se eu me assumisse, os meus próprios amigos se virariam contra mim, eu me colocaria em risco, e decepcionaria minha família. Então, pensei comigo: 'Tá, não posso ser essa pessoa, mas ainda assim posso ser engraçado, posso ser o centro das atenções — coisa que até hoje adoro [ risos] —, posso tomar o palco, tocar numa banda e arrebentar.' Mas adivinha só? [Depois de] festejar o dia todo, você vai deitar e ainda sente que é aquela mulher. E quando acorda, na manhã seguinte, a primeira coisa que vem à mente é: 'Como que não sou ela? Por que não posso viver assim?'"

Ela esperou até 2013, mas assim que Roem por fim encontrou o momento para se libertar, foi surpreendida por uma rede de apoio. Diz ela que a explosão de amor e compreensão que a amparou foi uma surpresa e tanto, dada sua primeira tentativa frustrada de sair do armário.
"Na faculdade, em 2005, ganhei o prêmio de 'quebra de gênero'. Era uma espécie de show de drags, então levei jeito", explicou ela com uma risadinha. "O jornal universitário publicou uma foto minha. Foi parar nas redes, e me pegaram para Cristo. Foi péssimo, tenebroso, e me jogou de volta para o armário. Era para ser meu primeiro passinho para fora do armário — não só rumo às noitadas gay, música industrial, mas para o mundo mesmo. Então, em 2005, acho que meus amigos ainda não estavam prontos, acho que a sociedade ainda não estava pronta. E quer saber? Provavelmente, eu estava certa."
Foi só em 2013 que ela passou a vislumbrar a saída do armário de novo. Na época, durante os protestos em prol do casamento gay, ela notou que vários amigos colocaram o símbolo de igualdade na foto de perfil do Face. Orange Is the New Black e Laverne Cox estampavam as telas, questões de igualdade e gênero estavam no radar, e pessoas trans ficaram mais à vista do que nunca. Ela sentiu que era hora. Então, no dia primeiro de abril, Roem alterou seus dados no Facebook e se preparou para o pior.

"Vi aquilo e imaginei: 'Hmmm, talvez as pessoas estejam prontas, enfim. Vamos ver.' Mudei todos os meus dados, pensando: 'Tá, qualquer coisa, se der errado, primeiro de abril! Se tudo correr bem, sigo em frente.' E as pessoas entenderam. A maioria, ao menos. Algumas pessoas mandaram mensagens perguntando coisas do tipo, 'O que aconteceu com o seu irmão? O perfil dele sumiu!' Mas os comentários na foto diziam, 'Nossa, você está linda!'."

A recusa de Roem a se deixar moldar pela sociedade, e o comprometimento com suas causas ganharam o respeito de muitas vozes influentes da comunidade, bem como organizações nacionais como a Gay and Lesbian Victory Fund, a maior do país dedicada a eleger candidatos LGBTQ.

"Temos a oportunidade única de fazer de Danica Roem a primeira deputada estadual trans", Aisha Moodie-Mills, presidente e CEO da organização, declarou. "Atualmente, a representação trans nas assembleias é nula, permitindo que políticos extremistas lancem uma enxurrada de projetos de lei antitrans ao redor do país. Representação é poder. A vitória de Danica seria um primeiro passo importante para eleger mais pessoas trans, que poderiam servir de voz para a comunidade e combater os esforços anti-igualdade."

No decorrer da campanha, Roem também conseguiu o endosso dos membros do conselho escolar local, de antigos candidatos democratas, da fundação Emily's List, do comitê feminino Virginia's List, e do Comitê de Campanhas em Prol de Mudanças Progressistas, bem como doações. Ecoando o histórico de Bernie Sanders, de 27 dólares por doação, a contribuição média para a campanha de Roem é de 47,46 dólares. Ela se recusa a receber doações de mais de 500 dólares, e aceitou apenas uma doação empresarial — do bar de metal GWAR, da cidade de Richmond, Vírginia, que sediou um evento de arrecadação de fundos para a sua campanha ("Tenho muito orgulho dessa!", ela me contou em um e-mail).

Por mais alto-astral que seja o papo com Danica Roem, ela não tem medo de respirar fundo e se abrir quando a situação pede. Debater os momentos mais sombrios de sua vida e as dificuldades que muitos jovens e adultos transgêneros enfrentam mostra um lado diferente de Danica. Quando conversamos sobre a tragédia de Orlando, seus olhos se encheram d'água; discutimos a necessidade de "espaços seguros", e sua voz se alterou para um tom férreo, determinado.

"Sei por experiência própria que frequentavam aquele clube porque acreditavam que era um espaço seguro, onde poderiam se expressar sem amarras, dançar à vontade, vestir o que desse na telha, abrir as asas e curtir a noite. Esse espaço foi violado, não só para essas pessoas, como para todo mundo que mora nos Estados Unidos e entra em clubes LGBTQ pensando: 'Aqui é onde posso ser quem sou'. Pegou no âmago", contou ela.

Seus olhos também se encheram de lágrimas quando ela listou as estatísticas de suicídio entre jovens trans, e os tipos de desentendimentos e abusos que sofrem enquanto lutam para encontrar seu lugar no mundo. Roem teve sorte nesse sentido quando transicionou, foi aceita por sua família e comunidade, mas ainda assim passou por uma série de obstáculos ferrenhos. Às vezes, ela se depara com ódio gratuito, principalmente depois de se candidatar e ganhar visibilidade. No entanto, em vez de se deixar levar pelos comentários negativos, Roem está determinada a usá-los como lição para a jovem enteada, que crescerá em um mundo muito diferente.

"Leio os comentários a meu respeito desde que anunciei a candidatura; a transfobia segue firme e forte. É assim na sociedade inteira. Mas, ao mesmo tempo, é essa a lição que quero passar para a minha filha de oito anos? Não. Mostrei para ela um comentário nojento que fizeram sobre mim, e disse: 'Olha, quero te mostrar isto. Viu que maldoso? Certo, agora olha as coisas bacanas que as outras pessoas disseram.' Há muito mais amabilidade que ódio. Muito mais gente torcendo por mim do que gente tentando me convencer de que ser trans faz de mim uma pessoa ruim."

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Tradução: Stephanie Fernandes