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Galeria do Rock faz post higienista no Facebook e deixa lojistas indignados

Publicação comemorava a retirada do acampamento de desabrigados da queda do Edifício Wilton Paes de Almeida, acompanhada de foto mostrando síndico ao lado do prefeito Bruno Covas.

por Eduardo Ribeiro
17 Agosto 2018, 8:27pm

Reprodução Facebook

Um incauto posicionamento da administração da Galeria do Rock vem dando ruim com os roqueiros. Ou, ao menos, com parte deles. Publicado no Facebook no dia 11 de agosto e replicado automaticamente no Twitter, o post comemorava a retirada dos desabrigados da tragédia do Paissandú e a consequente abertura de espaço para “circular com tranquilidade”. Os sem-teto que ocupavam o Largo, no centro de São Paulo, foram removidos do acampamento em frente à Galeria na tarde de sexta (10). O acampamento foi erguido ali após o desabamento do Edifício Wilton Paes de Almeida em 1º de maio.

Reprodução Facebook

Indignados com uma publicação nas redes que assumia a voz generalizada dos lojistas sem consulta prévia da administração, lojas como as tradicionais Baratos Afins e Die Hard fizeram questão de se posicionar.

Reprodução Facebook
Reprodução Facebook

“Acho que houve um aproveitamento político disso, o síndico saiu na fotografia com o subprefeito da Sé e o prefeito Bruno Covas. Não tem como falar que não foi político”, disse por telefone à VICE o Fausto Mucin, da Die Hard. Na opinião dele, rolou uma certa falta de noção de achar que a postagem daria marketing positivo. “Às vezes a pessoa deixa escapar o que tem dentro dela por ingenuidade. Foi um grande equívoco, uma grande cagada, pra falar a verdade. Ficou mesmo parecendo uma coisa bem higienista”, comenta. “A minha preocupação sincera é a situação das pessoas. Comemorar a retirada das pessoas pra colocar num lugar temporário, numa época de eleição, e sair rindo numa fotografia, tudo isso é muito triste”.



Marcone de Souza, gerente da Galeria do Rock, defende que a declaração foi mal interpretada. “Isso é meio confuso porque, cara, ninguém pode morar na rua, né", ironiza. "O que a prefeitura nos passou é que as famílias foram encaminhadas para um abrigo no bairro do Canindé. As famílias que escolheram ir para lá em negociação. Não houve protesto da parte das famílias nem nada", pontua. Sobre a "comemoração", ele defende: "É justamente por isso. Ficamos felizes porque, nesse frio, famílias morando na rua é desumano." E acrescenta: "Hoje em dia a Feira do Rolo, que acontece por aqui, está muito punk. Inclusive, na época em que essas famílias estavam na ocupação, era complicado, porque ficavam à mercê de traficantes e tudo mais. É uma questão de vulnerabilidade tão grande que a miséria desses desabrigados é usada pela prefeitura, pela criminalidade e pelas instituições que, muitas vezes, vivem de prestar serviços pra essa galera”.

Reprodução Facebook

Segundo a Prefeitura, as famílias instaladas nos últimos meses eram moradores de rua, que não tinham relação com o edifício, em busca de benefícios. Chegou a ser posto em prática um trabalho de abordagem intensificado antes da remoção na tentativa de estimular a desocupação voluntária. Na ação, o número foi reduzido de 132 para 37 famílias. A Prefeitura declara que “As famílias remanescentes e que aceitaram acolhimento estão sendo encaminhadas para as 14,5 mil vagas da rede de assistência social, com estrutura para a população em situação de rua e espaços adequados ao perfil familiar”.

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