Publicidade
Saúde

Por que escalar o Everest faz os caras terem ereções estranhas

Falamos com um montanhista sobre os efeitos da altitude na pressão sanguínea... e no pênis.

por Laura Roscioli; Traduzido por Marina Schnoor
07 Abril 2019, 10:00am

Você já deve ter ouvido falar em “ereção de avião”. Esse termo descreve coloquialmente as ereções que o pessoal tem em aviões, supostamente por causa das mudanças na pressão do ar que afetam a pressão sanguínea. Mas parece que isso não acontece só em aviões. Recentemente caí num buraco de coelho da internet, lendo tudo que encontrei sobre como o mesmo fenômeno afeta montanhistas escalando montanhas muito altas. E particularmente a maior de todas: o Everest.

Agora, tenho que admitir que estava meio cética com essa história, então decidi perguntar a um especialista que por acaso é meu pai e também médico. Então perguntei ao Dr. Domenic Roscioli sobre pressão sanguínea relacionada com altitude, e se isso poderia causar uma ereção permanente quando um homem escala uma montanha.

Foi uma conversa meio esquisita, mas meu pai explicou que “como o ar é mais rarefeito em grandes altitudes, isso faz a pressão sanguínea aumentar”. O que, segundo ele, pode causar “exaustão, falta de ar, desorientação, palpitações e sim... ereções”.

Nesse ponto, minha curiosidade já tinha virado fascinação, então decidi encontrar alguém que tinha escalado o Everest para perguntar se ele tinha experimentado uma barraca armada de longo prazo lá. E foi assim que encontrei um alpinista de 26 anos chamado Srinath Varma, que conheceu o Everest em toda sua glória.

1554438754106-mountain_erection
Imagem cortesia do entrevistado.

VICE: Quantas vezes você escalou/tentou escalar o Everest?

Srinath Varma: Tentei duas vezes e consegui chegar ao chegar ao acampamento três, que já fica a 8.016 metros de altura. Infelizmente, tive que parar por aí porque estava sofrendo de edema pulmonar de grande altitude (EPGA), que é um produto do mal da montanha. Eu tinha treinado um ano inteiro pra isso, mas meu corpo precisava se aclimatar as condições extremas, e não tive tempo suficiente.

Como é experimentar um EPGA?

Toda sua pressão sanguínea se torna mais lenta, então meu coração estava batendo mais forte e rápido e minha mente começou a me pregar peças. É a sensação mais estranha. A falta de sangue fluindo no seu cérebro, assim como a deficiência de oxigênio, fazem sua mente ficar vazia. Você sente como se não tivesse nenhum conhecimento retido e começa a esquecer como seu próprio corpo funciona – é assustador!

OK, então... você teve uma ereção?

Sim, aconteceu comigo depois que cruzei os 4.500 metros de altura. Acho que depende da experiência de escalada, que isso varia de pessoa para pessoa. Eu só tinha ereções pela manhã.

Me conte sobre sua primeira ereção do Everest. O que aconteceu?

Bom, eu não estava preparado pra isso, e nem sabia dessa possibilidade. Acordei e perguntei para um sherpa o que estava acontecendo e o que causava aquilo, e ele explicou que era por causa da altitude e do fluxo sanguíneo, e disse que era bem comum.

Por que isso só acontecia de manhã?

Considerando o ambiente, seu corpo não está funcionando normalmente durante o sono, sua temperatura não é estável e a pressão sanguínea aumenta. Então, aparentemente, é normal acordar com a barraca armada na barraca, por assim dizer.

Isso aconteceu com as outras pessoas com quem você estava?

Sim, aconteceu. Mas não perguntei pra eles, né.

Por que não?

Quer dizer, eles provavelmente também não sabiam por que isso estava acontecendo. E achei que eles ficariam constrangidos de comentar. Não é uma coisa que você tem que apontar, sabe. As ereções estão ali, na vista de todo mundo, naquele frio congelante.

A ereção dificulta a escalada?

Não, acho que não fez muita diferença. Mas era difícil esconder, óbvio, então se você fica muito constrangido, isso pode ter um impacto na escalada. Minha mente já estava me enganando com a falta de oxigênio, então ficar preocupado com a minha aparência também não ajudava.

Então estar de pau duro não afetou seu humor?

Bom, quer dizer, não era confortável. Eu estava usando roupas grossas e estava fazendo 20 graus abaixo de zero. Mas nem de longe é a coisa mais difícil de escalar o Everest, então continuei até a ereção sumir.

Guerreiro! Quanto tempo ela durava?

Umas duas horas por dia, acho. Eu só tinha que beber bastante água para acelerar a circulação, além de manter meu corpo quente e estar em constante movimento. É um jogo de paciência.

Fico imaginando se se mais pessoas soubessem sobre o pau duro da montanha, elas ficariam mais ou menos interessadas em escalar o Everest.

[Risos] Talvez mais? Vai saber. Depende do tipo de cara que você é. É parte da vida, né? Você aprende a não ficar com vergonha. O medo da morte no Everest é muito mais importante que ter medo de uma ereção em potencial.

Siga a Laura Roscioli no Instagram.

Matéria originalmente publicada na VICE Austrália.

Siga a VICE Brasil no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.