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Saúde

Em 2022, a obesidade infantil vai ultrapassar a desnutrição

Estudo mostra que taxas de obesidade infantil no mundo aumentaram 10 vezes nas últimas quatro décadas.

por David Gilbert
20 Outubro 2017, 2:07pm

Associated Press Photo

Matéria publicada originalmente na VICE News.

Um relatório recentemente publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta para as altas taxas de obesidade verificadas em jovens por todo o mundo. Nas últimas quatro décadas,os índices de obesidade entre crianças aumentaram 10 vezes. Previsões apontam que em 2022 as crianças obesas serão mais numerosas que aquelas com peso abaixo do considerado normal.

Cerca de 124 milhões de jovens entre os cinco e os 19 anos são obesos, garante o estudo. Há ainda mais 213 milhões que apresentam sobrepeso e estão no limiar da obesidade. A OMS define a obesidade com base no Índice de Massa Corporal (IMC) — calculado por meio da divisão do peso (em quilogramas) pela altura (em metros) ao quadrado. Por exemplo, um indivíduo de 19 anos com um IMC de 25 é referência de alguém com peso excessivo, enquanto alguém com um IMC de 30 é considerado obeso.

Em 1975 haviam 11 milhões de crianças obesas no mundo. Em 2016, esse número chegou a 124 milhões de jovens obesos.

Conduzido pela OMS em parceria com o Imperial College London e publicado no último dia 10 de outubro no Lancet, o estudo ouviu mais de 130 milhões de pessoas com idade acima dos cinco anos — este é o maior número de participantes já registrado num estudo epidemiológico.

Enquanto os níveis de obesidade estabilizaram em alguns países ricos da Europa, nos países chamados em desenvolvimento os números sobem. China e Índia, assim como países do Oriente Médio e da África têm assistido a grandes picos da obesidade infantil. A Polinésia e a Micronésia, por exemplo, registam a maior taxa de obesidade infantil, com um quarto da população considerada obesa.

Dados da OMS divulgados em 2014 apontam que 20% da população no Brasil é obesa, com prevalência entre as mulheres. Estima-se que 7,3% das crianças menores de cinco anos estão acima do peso no país.

No entanto, países de língua inglesa com altos rendimentos, como EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Irlanda e Reino Unido, também têm registos de níveis de obesidade críticos. Em maio, outro relatório da OMS colocava Portugal entre os cinco países da Europa com mais obesidade na adolescência.

Numa tentativa de enfrentar a crise, alguns países introduziram a chamada "taxa sobre o açúcar", de forma a aumentar os preços de bebidas e alimentos com altos teores de açúcar. Em Portugal, por exemplo, o imposto começou a ser aplicado este ano.

Fast food e a indústria alimentícia que produzem comida processada são apresentados como os grandes vilões.

Majid Ezzati, professor do Imperial College e autor principal do relatório diz que a obesidade está atrelada à facilidade de adquirir alimentos altamente calóricos a preços baixos. E conclui: "Estas tendências preocupantes refletem o impacto que o marketing alimentar e as políticas que vemos por todo o mundo, em que uma alimentação saudável e nutritiva custa caro para a maior parte das famílias e comunidades".

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