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MBL é campeão a ataques contra jornalistas no Brasil

Dados da Abraji apontam que o grupo já é responsável por mais de 50% das perseguições a profissionais da imprensa no país em 2017.

Carla Castellotti

Carla Castellotti

Imagem do relatório da Fenaj de violência contra jornalistas e liberdade de imprensa 2016.

O jornalista Diego Bargas da Folha de São Paulo foi demitido após a publicação de uma matéria sobre Como se Tornar o Pior Aluno da Escola, filme do humorista Danilo Gentili. O texto, que questionava Gentili sobre fazer humor com temas como pedofilia e bullying, foi recebido pelo humorista como a atividade de um "militante do PT". O jornal, por sua vez, informa que a demissão foi motivada depois que o repórter "desrespeitou orientação reiterada sobre comportamento nas redes sociais".

O post de Gentili com a informação de que o jornalista seria militante do PT viralizou nas redes e ganhou partidários. O MBL, também em suas redes sociais, fez coro às críticas do humorista. Foram cinco posts do grupo informando que o repórter da Folha não teria agido com a isenção esperada. Vale lembrar que a Folha publica, tradicionalmente, textos críticos a obras divulgadas no jornal. No documentário Não Estávamos Ali Para Fazer Amigos, artistas de diferentes orientações políticas, como Caetano e Fagner, tiveram suas obras criticadas por repórteres da Ilustrada ainda na época da abertura política no Brasil.

O caso de Bargas, no entanto, é mais um em um ano que já bate recorde de números de ataques a profissionais da imprensa no país. Em 2017, foram registrados oficialmente 12 ataques do MBL a jornalistas. Os dados são da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e representam 53% de todas as queixas. Os números são parciais, isso porque o compilado dos casos sairá somente em dezembro.

O Sindicato dos Jornalistas em São Paulo repudiou a demissão do jornalista. "É mais um grave caso de perseguição e intimidação a jornalistas, o sexto ocorrido em São Paulo nos últimos meses, e que mostra uma escalada contra a liberdade de expressão e de imprensa em nosso país", diz o sindicato em nota. "O texto de Bargas é uma reportagem correta, que analisa o filme e reproduz pontos de vista de Gentili e do diretor Fabrício Bittar expressos em entrevista ao jornalista. Gentili, porém, decide massacrar o jornalista em rede social, mostrando sua intolerância à atividade jornalística, e manipular o episódio para tentar melhorar o resultado comercial de seu produto."

José Carlos Torveso, diretor executivo da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), disse à VICE que "os ataques [a jornalistas] estão aumentando". De acordo com Torveso "o MBL é um grupo muito violento e tem atacado jornalistas em todo país".

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