Crowspacer Studio, em Nova York. Foto: Divulgação

Essa startup quer ser o Airbnb dos estúdios de música

O Studiotime, baseado em Los Angeles, foi criado em 2015 e conta com 1.200 estúdios. Mas em plenos 2017, placa de som baratinha e o escambau, ainda vale a pena ir pro estúdio?

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dez 1 2017, 11:30am

Crowspacer Studio, em Nova York. Foto: Divulgação

Você já deve ter lido por aí a seguinte análise acertada®: a maior empresa de transportes do mundo não possui um único carro em sua frota (Uber); a maior empresa de hospedagem do mundo não é proprietária de hotéis (Airbnb). A lista segue com outros nomes, mas a gente pede licença para colocar mais um item nela. A empresa que pretende ser o maior estúdio de música do mundo não possui um único microfone. Estamos falando do Studiotime, um serviço que se apresenta como o Airbnb dos estúdios musicais.

De fato, existem semelhanças. O Studiotime serve como um grande agregador de estúdios musicais em todo o mundo. É possível procurar e comparar salas de gravação em diversas cidades do globo. Em um único lugar, o artista já fica sabendo quanto é cobrado, os equipamentos oferecidos, os horários disponíveis e a localidade. Segundo a empresa, 1.200 estúdios já fazem parte da rede.

Pode ser muito útil especialmente se você está planejando gravar em uma cidade que não conhece ainda. Partiu gravar em Berlim? Você vai encontrar estúdios que cobram entre US$ 50 e US$ 600 a diária. O rolê pode ser marcado diretamente no site e até ser pago via PayPal.

O Studiotime parece piração de quem toca e produz, mas não tem nada isso. Mike Williams, 29, afirma ser um "empreendedor em série com conhecimento técnico" e que cria companhias que orbitam seus gostos pessoais, como música, arte e moda. Baseado em Los Angeles, ele já havia fundado outra startup, a Codeity. Bom, a história do Studiotime soa bastante com a de outras startups.

Williams criou o conceito da empresa em uma noite de 2015 e a lançou no Product Hunt, um site onde muitas ideias e iniciativas de startups são testadas. A ideia do Airbnb de estúdios fez sucesso e, em poucas horas, ele sacou que poderia existir demanda para o serviço. Ele conta tudo isso em detalhes abaixo:

Para o Noisey, ele contou que os primeiros estúdios que decidiram participar da empreitada tiveram que ser convencidos a abraçar a ideia. Outros estúdios foram atraídos por meio de uns anúncios no Craigslist, aquele site de classificados que funciona relativamente bem nos EUA mas que também serve de repositório de toda sorte de malucos. O foco inicial do site eram salas de gravação em Nova York e Los Angeles.

A participação dos estúdios é fundamental, pois é ela quem gera grana para o Studiotime. Embora seja de graça para os artistas à procura de um pico, os estúdios precisam pagar para aparecer no serviço. É cobrada uma taxa de US$ 20 mensais (ou US$ 159 anuais) e mais 3% do orçamento fechado com o artista.

Por enquanto, o site lista apenas nove estúdios brasileiros, quase todos na cidade de São Paulo. É possível saber, por exemplo, que o estúdio do Dudu Marote (produtor de Jota Quest, Skank, Pato Fu) cobra US$ 1.000 por dia. Trocamos ideias com alguns desses estúdios nacionebas listados, e todos afirmaram que ainda não tiveram um único cliente que chegou até eles por meio do Studiotime. Segundo eles, no Brasa, é melhor investir em anúncios no Facebook e no Google.

Williams respondeu a essa informação: "O Brasil pode não ser o nosso mercado mais ativo, e não podemos garantir que os estúdios terão reservas. Mas temos demanda constante por estúdios, e oferecemos um lugar para que esses locais facilmente se registrem e se tornem parte do nosso mercado. Não tenho certeza se todos os lugares do Airbnb são alugados, mas é uma excelente plataforma para alugá-los. Somos a mesma coisa para estúdios de música. É triste para mim escutar pessoalmente que estúdios de parte do nosso site não estão tendo o mesmo nível de sucesso que outros (especialmente em LA e NYC), mas isso me deixa mais ansioso para ajudá-los e para gerar demanda nessas áreas. Ainda somos jovens e estamos crescendo diariamente!"

O foco nas regiões de Los Angeles e Nova York não é apenas porque nelas estão abrigadas um grande número de artistas. Alguns dos principais estúdios do mundo também ficam por lá. É possível, por exemplo, marcar hora no EastSide Sounds, em Nova York, que tem uma longa lista de clientes. Mas será que um serviço como o Studiotime faz sentido numa era na qual o esquema plaquinha de som + plugins vem se tornando uma prática cada vez mais comum?

Segundo Williams, o site pode justamente beneficiar os estúdios caseiros, pois ajuda na divulgação. Ou seja, gente que está apenas fazendo o trampo de amigos e conhecidos pode tentar aumentar a clientela. "Temos estúdios caseiros no site, e acredito que ele é ótimo para desenvolver mercado para economias emergentes e para ajudá-las a crescer. A melhor parte é que à medida que os artistas crescem e encontram necessidade de estúdios topo de linha, nós também temos eles lá", diz

Além dos estúdios, o Studiotime também lista os serviços de artistas e produtores disponíveis para um frilinha básico. O número de profissionais inclusos, porém, ainda é baixo e está longe de oferecer o escopo geográfico das salas de gravação. Mas esses e outros recursos podem ganhar modificações em breve, pois seu fundador promete novidades para o próximo ano. É aguardar para ver.

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