A Marcha do Dia 15 é Pelo Impeachment. Mas Nem Tanto

Oposição a Dilma reúne de golpistas a reformistas, mas a tese de deposição perdeu apoio com recuo tucano.

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13 Março 2015, 6:30pm

Foto por Felipe Larozza.

Foto por Felipe Larozza desta matéria.

Os tucanos deram um passo atrás. Enfraqueceram o coro dos que pedem o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) faltando poucos dias para a marcha do dia 15. Os primeiros sinais vieram do líder histórico do PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na sequência, o partido aderiu oficialmente ao ato enquanto baixava os decibéis do "Fora, Dilma".

O movimento do dia 15 se apresenta como apartidário em sua tônica. A força está na mobilização de coletivos de diversas tendências, alguns fortemente ligados a partidos de oposição, outros completamente avessos a esse contato, chegando a haver até mesmo grupelhos que pedem intervenção militar. Mas, mesmo com a tentativa de descolamento dos partidos formais, a ideia-mestra de depor a presidente foi fortemente drenada com o recuo tucano.

"Impeachment é como uma bomba atômica: é para dissuadir, não para usar", disse FHC, reconhecendo que "o mais provável é que não vá para esse lado". Mais figurativo e dramático, o candidato à vice-presidência nas últimas eleições, o tucano Aloysio Nunes, afirmou que o impeachment "não está no programa do PSDB" e quer ver Dilma "sangrar" sem sair do governo.

O Vem pra Rua, que participa da organização do ato, deixa claro que não liga a mínima para os partidos. Em peça que circula na página do grupo na internet, o dia 15 é apresentado como um "dia de protesto do povo, sem partidos, sem políticos, sem candidatos. Apenas o Povo!".

O Movimento Brasil Livre frisa que "não há (entre suas fileiras) defensores de intervenção militar" e pede escancaradamente o "impeachment já". Em nota recente, o grupo deixou claro o seguinte: "O motivo que nos leva a abrirmos mão do nosso descanso ou trabalho é a defesa da democracia e das instituições do nosso país. Não estamos em busca de atalhos autoritários e nem de soluções aventureiras.Quem clama por 'intervenção militar' demonstra viver em uma realidade paralela. Além de ser ilegal e inconstitucional, é absolutamente indesejável. Não estamos em 1964. Estamos em 2015 e dispomos de diversos canais para vocalizar nossos anseios e influenciarmos o processo político".

As divisões internas chegam a tal ponto que a Polícia Militar cogita separar os grupos em alas diferentes no domingo, como ocorre com diferentes componentes das escolas de samba no carnaval. Com tantas tendências, é difícil para o manifestante isolarem suas preferências em relação a todos os itens políticos que compõem a lista, como se tivesse de marcar campos como ( ) golpe ( ) impeachment ( ) reforma política ( ) fora PT, etc.

O advogado Eduardo Pannunzio encarna bem alguns dilemas de quem gostaria de participar do ato do dia 15, mas não quer engrossar uma fileira ruidosa de golpistas ou de defensores do impeachment de Dilma. No dia 12, ele postou a seguinte dúvida em sua conta pessoal numa rede social: "Ir para a rua no dia 15/3 é sinônimo de defender o impeachment?". O post foi seguido por um longo debate.Unanimidade mesmo só em torno de chavões como o fim da corrupção, que pode ser aplicado a qualquer governo brasileiro nos últimos 500 anos.