Discussão sobre racismo termina com dois esfaqueados em escola de SP

Aluno adepto do nazi-fascismo partiu para cima de um colega de classe na escola estadual da Pompeia.

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mar 27 2018, 8:20pm

Fachada da escola Zuleika de Barros. Imagem via Google Maps. 

Alunos da Escola Estadual Profa. Zuleika de Barros M. Ferreira, na Vila Pompeia, em São Paulo, protestaram nesta terça (27) pela manhã contra o que chamam de descaso da direção da escola e da polícia diante da presença ameaçadora de um aluno adepto do nazismo. Segundo o pai de uma aluna, que pediu para não ser identificado, um rapaz chamado Otávio Cavalcanti, de 19 anos, matriculado no terceiro ano do ensino médio, atacou com um canivete dois colegas, que sofreram ferimentos no pulso e no ombro.

O caso, que ocorreu na manhã desta segunda (26), foi motivado por uma discussão sobre racismo. “A confusão começou porque um colega de classe desse Otávio foi contestar as ideias neonazistas dele”, conta o pai. “Aí o cara se enfezou, esfaqueou ele no braço, e feriu outro que veio apartar.” O aluno atacado no braço, de 17 anos, foi socorrido no pronto-socorro da Barra Funda.

O pai conta que a coordenação chamou a polícia, mas que, ao invés de ajudar, os policiais acabaram agredindo os três garotos.

“A escola não atende ligação da gente, já está sabendo desse assunto há algum tempo e não tomou nenhuma providência. Foram os pais do garoto que o transferiram, pois a escola não o expulsou”, protestou a fonte. “A polícia se negou a aparecer por lá no começo da manhã, e prometeu mandar passar a ronda.”

Em nota à imprensa, via Secretaria de Educação, o corpo docente e gestor da instituição de ensino declarou que, diante do ocorrido, começará a realizar ações de convívio para os alunos com o apoio do Grêmio Estudantil. “Uma comissão de oito alunos vai apresentar as reivindicações dos mesmos para a equipe pedagógica. Será realizada uma reunião com os pais e responsáveis que também farão parte das atividades que pretendem envolver toda a comunidade."

Uma nota de esclarecimento pública afirma: "A direção procurou tomar as medidas disciplinares e pedagógicas possíveis, não apenas no caso do aluno envolvido nesta ocorrência, como também em outras ocasiões, na confiança de que o diálogo e a conscientização sejam as principais ferramentas para combater o racismo, bem como outras manifestações de intolerância que delas se derivam. Infelizmente, tais medidas não surtiram os efeitos esperados, e a situação saiu de controle, refletindo na agressão física vivenciada nesta manhã. Trata-se de uma situação inesperada, que toda pessoa sensata reconhece que não deveria ocorrer em qualquer situação, muito menos dentro do espaço escolar."

Os alunos da escola relataram que Otávio já foi visto desenhando símbolos nazistas em lousas, fazendo pixações nos muros e apologia à Ku Klux Klan. Um porta-voz do coletivo ABC Antifascista - ABC 16, que monitora e organiza mobilizações contra o racismo nas redes, informou que, até a publicação desta pauta, Otávio continuava amigo no Facebook de membros da Kombat Rac.

Disse, também, que ele seguia as páginas Palmeiras Anti-antifa, Rock Against Comunism, Orgulho de ser Branco e Grêmio FBPA – Anti Antifa. Após o ocorrido, porém, Otávio teria editado o seu perfil e deixado de segui-las.

O jovem agressor e o rapaz ferido no braço foram levados ao 23º Distrito Policial, em Perdizes, prestaram depoimento e já foram liberados. A polícia apreendeu a arma em posse do agressor e informou que os envolvidos passaram por exame de corpo de delito. O caso foi registrado como lesão corporal. Em declaração à VICE por telefone, o chefe de investigação disse que enxerga o caso como "uma briga de jovens, nada de espantoso".

Colaborou Marie Declercq.

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