Os cientistas que estudam os monumentais cocôs das baleias

Além de não feder tanto quanto parece, as fezes dos mamíferos fertilizam os ecossistemas oceânicos e revelam informações importantes aos cientistas marinhos.
24 Agosto 2018, 10:00am

As baleias estão entre os animais mais carismáticos do planeta. A graça e a majestade delas cativam humanos há milênios. Até mesmo quando defecam elas encantam. É quando soltam seus intestinos em esguichos impressionantes no oceano. Uma força marrom da natureza.

Para sorte dos apreciadores dessa beleza orgânica, cientistas do Instituto de Mamíferos Marinhos da Universidade Estadual do Oregon (OSUMMI), nos EUA, são pioneiros em elaborar jeitos de documentar esses eventos de defecação com imagens aéreas feitas por drones. Leigh Torres, ecologista marinha da OSUMMI, é especialista na área e ajudou a capturar vídeos reveladores das baleias-cinzentas por vários anos.

Em suas aventuras recentes, Torres e seus colegas se concentraram na saúde das amostras de fezes das baleias, bastante úteis para compreender as complexidades hormonais desses animais.

“Nosso trabalho com os drones é único porque estamos associando dados de condições corporais com dados hormonais. E também porque estamos usando os drones para observar comportamentos e compreender melhor as táticas de alimentação”, me contou Torres.

Curiosamente, a equipe grita “MERDA!” quando um evento de defecação é observado e corre para coletar as amostras antes que o jato se dissipe. Assim que são transportadas para o laboratório para análises, essas porções de exame revelam segredos sobre a vida das baleias.

“Até o momento, começamos a documentar a variação hormonal reprodutiva e de estresse das baleias-cinzentas pela primeira vez”, afirmou Torres. “Estamos apenas começando a observar diferenças entre as categorias de sexo e idade. Assim que conseguirmos os valores basais, podemos começar a questionar que impactos o estresse causa nas baleias, por exemplo, os ruídos oceânicos.”

A equipe também deseja cruzar as informações das imagens de baleias mais magras ou mais gordas com suas fezes para verificar se a sua gordura tem impacto nos níveis de estresse. Para um retrato mais completo da saúde e do comportamento das baleias-cinzentas, esses métodos podem ser combinados com amostras de DNA coletadas dos orifícios das baleias, os quais, aparentemente, cheiram muito pior do que o odor relativamente leve dos esguichos.

Além de ser um grande benefício para os cientistas, os eventos de defecação são um fertilizante para a vida oceânica. As baleias têm sido chamadas de “engenheiras do ecossistema marítimo” devido ao grande enriquecimento de suas ofertas digestivas. Por isso é tão crucial que os cientistas coletem e estudem esses eventos monumentais.

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