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Noisey

O rock está vivão no vídeo de uma banda tocando no fundo de um quintal

Eis aqui uma obra audiovisual que deveria adentrar os anais do rock brasileiro.

por Débora Lopes
10 Maio 2018, 10:00am

Foto: Reprodução/ Facebook/Netos do Velho.

Se não é o próprio espírito do capeta dando ar da graça no vídeo de uma banda de Belém do Pará que viralizou no Facebook, eu não sei mais o que significa a — hoje tão cafona — palavra rock.

No quintal de uma casa no bairro de Sacramenta, o power trio Netos do Velho rasga a maravilhosa combinação de três acordes enquanto manos de camiseta preta se degladiam em um bom e velho bate-cabeça, também conhecido como mosh ou pogo, dependendo da região do Brasil.

Tudo que aparece em cada segundo desse vídeo é um elemento clássico do gênero musical que fez da minha adolescência um lugar mais soturno e rebelde. Esse belo produto audiovisual é tão rock que até mesmo trouxe um arzinho de esperança à jovem que ainda que existe dentro de mim.

Troquei umas palavras com a banda, que existe há oito anos, e eles me disseram que a ocasião era o aniversário de um amigo. O vídeo, postado na última sexta (4), já tem quase 150 mil visualizações. Isso foi ótimo, pois angariou mais de duas mil curtidas pra fanpage dos caras e certa atenção pra música que eles fazem, classificada pelos próprios como thrash metal.

Esse tapa de realidade roquista na minha cara foi tão grande que eu precisei listar aqui todos os elementos que fazem desse vídeo praticamente um testamento de tudo o que a gente pode encontrar num bom show de rock.

(Na maioria das vezes, os protagonistas são homens. O que é meio merda porque nós, mulheres, também queremos curtir essa espécie de meditação dinâmica do Osho, mas na maior parte das vezes não dá pra competir fisicamente com machos suados numa roda punk. Fica aí a minha reflexão.)

Abaixo, meu humilde e roqueiro parecer sobre esse vídeo que provavelmente irá adentar os anais do rock brasileiro.

Selvageria

O vídeo mal começa e um sujeito de regata está se balangando nuns ferros que sustentam uma lona e garantem um espaço coberto pra banda em caso de chuva. Esse cara podia ter colocado toda a nossa diversão a perder, mas ele foi somente um transgressor típico do show de rock. Ele precisava expressar a emoção de estar ali. Parabéns, cara.

Violência gratuita

Em menos de cinco segundos você já pode desfrutar da imagem de um cara de camiseta vermelha segurando uma prancha de surf e dando pranchadas em seus colegas de roda. Eles parecem adorar! Esse mesmo cara de camiseta vermelha acaba se envolvendo em outro clássico de show de rock: em dado momento ele vai até o microfone, fala alguma coisa doida, e volta para sua vida normal de espectador.

Pessoas que sabem curtir um show de rock sentadas

Você está vendo uma pessoa sentada com uma lata de breja na mão e calça rasgada no joelho? Tive de ver o vídeo muitas vezes pra sacar que, na verdade, são duas pessoas. E elas estão calmamente ao lado do "palco", virando uma gelada, enquanto a banda segue arrepiando para entreter os presentes. Apesar de ser particularmente favorável ao caos, admirei essa finesse.

Objetos voadores

Além da prancha ser utilizada como um artefato para violência gratuita de grau moderado na rodinha, repare que este cara na foto tem a grande sacada de pegar uma bola que estava ali de bobeira. É óbvio que no próximo segundo do vídeo a bola já tava quicando na cabeça de alguém.

P.S.: A mini cama elástica no meio do palco não é lançada na cabeça de outras pessoas, mas indiscutivelmente deveria ser um clássico dos shows de rock de fundo de quintal.

A garrafinha de Corote

Rock sem álcool? Só se for no rolê straight-edge (ainda existe?), né, sejamos honestos. Num take vulnerável do cinegrafista, já quase no final do vídeo, somos agraciados com uma garrafinha de Corote ou alguma birita do gênero caída pelo chão. Como provavelmente a garrafa está vazia, podemos concluir que o álcool certamente cumpriu seu papel nesse recorte audiovisual ao qual tivemos acesso.

Depois desse vídeo eu pergunto: cadê o seu "o rock morreu" agora?

Para conhecer a Netos do Velho, dá uma sacada na página deles no Facebook.

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