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Para sabotar seu raciocínio: presidente interino da Câmara anula votação do impeachment

O presidente em exercício da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA), abriu esta segunda-feira (9) com um decreto que anula as sessões de votação do pedido de admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

por Amauri Gonzo
09 Maio 2016, 7:00pm

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

O presidente em exercício da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA), abriu esta segunda-feira (9) com um plot twist de fazer corar os roteiristas de Game of Thrones: um decreto, a ser publicado no diário oficial da casa nesta terça (10), que anula as sessões de votação do pedido de admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Apesar de ser do PP, partido que havia fechado questão a favor do impeachment, Maranhão votou contra após um acordo com Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão. Na ocasião, Waldir tinha declarado ainda que traria 11 votos do PP para o lado do governo, o que claramente não aconteceu – o partido teve apenas 4 votos contra o impeachment e 3 abstenções, contra 38 a favor.

A decisão de Maranhão é apoiada em um pedido da Advocacia Geral da União que não havia sido apreciado por Eduardo Cunha antes de remeter o processo de impeachment para o Senado. O presidente interino argumenta em sua decisão que "ocorreram vícios que tornam nula de pleno direito a sessão em questão", afirmando que "não poderiam os partidos políticos terem fechado questão ou firmado orientação para que os parlamentares votassem de um modo ou de outro, uma vez que, no caso deveriam votar de acordo com as suas convicções pessoais e livremente".

Além disso, Maranhão ainda afirma que Dilma teria o direito de se manifestar no plenário antes da votação do impeachment, e que os deputados não teriam o direito de anunciar publicamente seus votos antes da sessão.

Desde o afastamento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara e de seu mandato de deputado federal por decisão unânime do STF nesta quinta-feira (5) as narrativas conspiracionistas entraram em parafuso internet afora. Enquanto alguns governistas e a oposição de esquerda comemorava, outros viam o afastamento com desconfiança, como uma tentativa de "legitimar o golpe" contra Dilma. Na oposição, o pré-governo Temer passava do alívio de se ver desatrelado de Cunha ao desespero ao sacar que Cunha ainda podia fazer muitos estragos na vida do vice-presidente caso sofresse retaliações. Rapidamente, Cunha soltou uma nota oficial que poderia ser intitulada "miga cê tá loka", chamando a decisão de "irresponsável" e "absurda" e ainda dizendo, do alto de sua ilibada moral, que condena "as insinuações de qualquer natureza publicadas por jornalistas inescrupulosos de qualquer participação minha no episódio".

A decisão de Maranhão bagunça ainda mais o coreto. Segundo a Folha de S. Paulo, Waldir teria se encontrado com Dino e também com o ministro da AGU na noite deste domingo (8), antes de anunciar a anulação das sessões. Por outro lado, Maranhão, aliado de primeira hora de Cunha na Câmara, teria se encontrado com o presidente suspenso e debatido a questão na sexta-feira (6). A própria presidente Dilma pediu "cautela" nas comemorações sobre a possível nova votação, enquanto a oposição já anunciou que vai ao Supremo questionar a decisão de Maranhão. Na sessão do Senado sobre o impeachment, Renan Calheiros ignorou o debate o mandou seguir o jogo, apesar de um acalorado bate-boca entre senadores. Vamos ver se a toada continua a mesma depois da publicação oficial da decisão - e também qual vai ser a postura do STF nessa treta intra-casas.

É complicado escolher uma teoria da conspiração que dê conta de tantos desdobramentos – que inclui a condução coercitiva do ex-Ministro da Fazenda Guido Mantega por parte da Operação Zelotes nesta segunda (9) – provando que não existe cartinha suficiente no jogo de Illuminati para dar conta da nova expansão Brasília 2016.