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A Maior Coleção de Pintos em Conserva do Mundo

Sigurdur Hjartarson, conhecido como O Homem Pênis, montou sua coleção de bracholas, cacetes, jebas e toras em Husavik em 2004 depois de ter se aposentado como professor em Reykjavik.

por ALEX HOBAN
09 Setembro 2010, 2:04pm

Quando eu perguntei para Vice se eles pagariam a locação de um carro para eu dirigir nove horas até o norte de Reykjavik para conhecer um cara que mora em uma aldeia de pescadores na pontinha do Círculo Ártico que mantém a maior coleção de pênis preservados no mundo, eles não gostaram muito da ideia. Aparentemente, eles não são uma locadora de carros que providencia viagens para ver pintos. Mas eu sabia o verdadeiro valor de uma casa cheia de benga em conserva para um curioso e viajado leitor da Vice, então decidi ir de carona. Valeu a pena, nem que seja pelo fato de agora eu saber o que acontece quando uma baleia fica de pau duro.

Tem apenas uma estrada que vai pro norte da capital da Islândia, Reykjavik, até Husavik, na costa do país. Leva um dia e meio de caronas até chegar lá. Na estrada fomos pegos por um baterista de metal que estava fazendo uma última viagem para ver a família antes de entrar em turnê pela Europa Oriental e pela Escandinávia, depois por um pescador do desolado Leste do país que falava um inglês perfeito (que usou para expressar suas fortes opiniões sobre o que o fato de ingressar na União Europeia faria para a política de pescaria na Islândia), também por uma caótica artista em uma caminhonete lotada de pinturas com seus dois filhos a acompanhando, e por último um cara que fez a gente se desculpar repetidas vezes pelo governo britânico ter usado legislação anti-terrorista contra a Islândia. Literalmente, todo mundo no país é interessante.

Mas poucos são mais interessante do que Sigurdur Hjartarson, conhecido como O Homem Pênis. Ele montou sua coleção de bracholas, cacetes, jebas e toras em Husavik em 2004 depois de ter se aposentado como professor em Reykjavik, onde deu aula de história para uma amiga minha. Ela diplomaticamente lembra dele como “um homem muito gentil”. Ele, no entanto, lembra dela como “bonita, talentosa e sensual”—que é exatamente como a maioria dos pais gostaria que os professores se referissem a suas filhas, particularmente aqueles que colecionam genitais decepados. Ele tem um total de 273 exemplares de 92 espécies em sua coleção, que representa todos os mamíferos da Islândia, e possui algumas amostras importadas (algumas vezes, de forma ilegal). Atualmente, Sigurdur está tentando conseguir uma rola humana. A casa também é cheia de parafernália genital e tem até uma seção de membros “preservados” de seres mitológicos como o do tritão.

Sabe como no museu de história natural ele tem aquele esqueleto de diplodocus pra te dar boas-vindas? Essas pedras e aquele tronco de árvore ali estão fazendo o mesmo.

A primeira coisa que vi quando entrei no lar secreto do Homem Pênis foi essa benga-fantasma medonha translúcida. Eu imaginei que talvez isso pertencesse a alguma criatura do mar ou algo do tipo, talvez uma água-viva ou um polvo bem bizarro. Por hora, vou deixar você se perguntando o que diabos é isso e só vou contar no final.

Sabe, eu desejo constantemente que o meu pênis tivesse pequenos braços de pinto em sua volta para que ele mesmo subisse o zíper da calça. (Só pra te dizer que isso na verdade é um chapeleiro).

Caso você esteja se perguntando, você viaja metade do planeta para visitar um homem que coleciona bilaus porque isso parece ser engraçado e quando você finalmente chega no lugar é engraçado por um segundo, e depois, pra falar a verdade, é só uma porrada (sem trocadilho) de jarros com bráulios dentro que nem parecem com pirocas.

Esses aqui são pintos de baleia. Sigurdur tem uns 20 exemplares de tamanhos diferentes em sua coleção, decepados de vários tipos de baleia. Alguns deles, ele mesmo arrancou. O maior pênis de baleia tinha 170 cm e 70 kg — um pouco mais alto do que o italiano bem alto que estava olhando para o falo ao mesmo tempo que eu e ficava falando “Troppo grande, troppo grande!”.

Na verdade, as partes dos pirús de baleia que ele expõe representam apenas uma fração do seu tamanho real — essas são apenas as cabecinhas que dão uma espiada na luz do dia. O resto do que tem nessa jarra enorme aqui em cima pesaria uns 450 kg. A maior parte de um pênis de baleia fica dentro do corpo do mamífero e é envolto em um tubo interno que contrai ou expande para controlar a passagem dos fluidos. O Sigurdur me contou que ao contrário dos seres humanos, as baleias estão sempre de pau duro e que durante o sexo apenas a consistência interna do pênis muda, o que faz com que o animal “vaze”. Eu me pergunto se o Sigurdur deseja, secretamente, ser uma baleia. Aqui vai um monte de fotos de pica, elas vão ficando cada vez menos engraçadas conforme você vai vendo:

Basicamente, um monte de pingolas em jarros.

Esse aqui é uma neca de porco em formato de saco-rolha. Sentiu tesão?

Esse é o catatau da coleção. É tão pequeno que mal consegue se ver. Se você curte essas coisas, dá pra mandar a foto desse catso por e-mail pros seus amigos e falar algo do tipo, “Olha, é o seu pau!”.

Essa é uma bengala para caras mais velhos que estão prontos para soltar a franga depois de anos de repressão para ficar mancando por aí como se fossem o Marquês de Sade.

Já parou para se perguntar como são as estrovengas dos caras do time olímpico islandês de curling?

Essa aqui é uma foto de um supermercado islandês que tem formato de pica.

Como prometido, aqui está a tal piroca de tritão. Está coberta de algas marinhas. Aquela coisa meio macabra do lado é uma bingola de fantasma.

Foi só depois que demos uma olhada na coleção que achamos o Sigurdur na sua mesa fazendo uma ligação muito importante, provavelmente pros caras daquele site Freaks of Cock. A gente bateu um papo.

Vice: Como surgiu a ideia de começar a fazer uma coleção de pênis?
Sigurdur:
Quando eu era criança era mandado pro interior durante as férias de verão e lá me davam uma vara — um pênis de boi— pra ser usado como chicote. Foi isso que me deu a ideia para colecionar pintos. Levei 36 anos para juntar a coleção que eu tenho hoje.

Você tem um exemplar de cada tipo de mamífero da Islândia, salvo o de um ser humano, como você vai consertar isso?
Estou esperando um fascista de 95 anos morrer em Akureyri, ele prometeu que me daria o seu pênis. Tenho alguns amigos que também já assinaram um contrato para me darem suas partes pessoais quando morrerem.

Quando você completar a coleção, o que mais você vai fazer? Vai começar a colecionar vaginas?
Não, eu nunca poderia colecionar vaginas; seria difícil de extrair e preservar, e, mais importante, eu as prefiro vivas. Minha missão nunca vai acabar: assim que eu tiver todas as espécies vou começar a procurar exemplares melhores. Por exemplo, no momento o meu pênis de urso polar não está muito legal, o Museu de História Natural da Islândia tirou o osso e eu fiquei só com a carne. Quero um pau de urso polar melhor. Além disso, as mudanças climáticas estão mudando nosso meio ambiente tão rápido que apesar de eu ter todos os mamíferos por enquanto, logo novos evoluirão como resultado de um novo clima, e então terei novos exemplares para colecionar.

Não sei se isso é verdade. Qual é o seu favorito?
Tenho um de alce sueco em exposição que é muito especial porque foi transportado ilegalmente. Na coleção de mamíferos estrangeiros realmente só tenho ossos porque é ilegal importar carne crua para a Islândia, então nunca pego os exemplares bons. No entanto, um dos meus ex-alunos conseguiu transportar um pênis inteiro de um alce da Suécia na sua bagagem de mão e sou muito grato por isso.

Aliás, aquela benga-fantasma lá do começo é o resultado de um problema em uma fábrica de saco plástico que derreteu os materiais em um formato muito familiar. Como você não adivinhou isso?

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