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Tech by VICE

Encontros de Realidade Virtual São as Novas Teleconferências Constrangedoras

Uma reunião virtual que envolve apertos de mão tortos, participantes voando e um cenário genérico? O futuro é mesmo curioso.

por Victoria Turk
22 Julho 2014, 8:11pm
Todas as fotos por Victoria Turk

Enquanto a realidade virtual evolui – em especial aplicações para o Oculus Rift –, vemos óculos de realidade virtual transportar seus usuários para dentro de jogos de fliperama, férias em Toscana e para todos os tipos de cenários pornográficos. Mas provavelmente a realidade virtual poderia ser menos picareta e mais útil em cenários cotidianos, mundanos. Imagine-se entrando em uma sala de reuniões virtual com um colega do outro ladro do mundo e discutir o trabalho do dia como se vocês estivessem realmente frente a frente. Isso ultrapassa as teleconferências.

Eu tentei esse tipo de interação social em um demonstrativo de realidade virtual na Inition, uma empresa de produção interativa que colocou o evento como parte da London Technology Week. Quando cheguei aos seus escritórios em Shoreditch, dei de cara com Gian Volpicelli, colaborador do Motherboard, e tivemos a chance de participar de uma reunião ad-hoc em realidade virtual a partir de lados opostos do showroom.

Leonard Burton, líder do projeto da Podrift

O “Podrift” utiliza o Oculus Rift para reunir mais de uma pessoa em um mesmo ambiente virtual ao mesmo tempo. O líder do projeto, Leonard Burton, me contou que o objetivo era criar um tipo de podcast interativo. “A ideia é ter uma conversação íntima e trazer pessoas do mundo inteiro para um mesmo espaço virtual, para fins de entretenimento, educação... todo tipo de coisas”, ele disse.

Sentado em uma cadeira, coloquei o Oculus Rift na cabeça e usei um sensor de movimentos Kinect. Gian fez o mesmo na outra extremidade da sala. Eu pude ver seu avatar, um cara de chapéu, sentado em um sofá na minha frente. Ao olhar para baixo, vi os braços e as pernas de meu próprio avatar. Falamos por meio de fones e microfones enquanto estávamos sentados em um lugar que parecia uma sala de reunião bem genérica ou um estúdio de TV – a não ser pelo fato de que a sala estava em uma ilha cercada por ondas que se moviam suavemente, porque você pode fazer isso na realidade virtual.

Outra coisa que eu logo descobri possível no campo virtual, embora acidentalmente: você pode voar. Gian e eu éramos capazes de movimentar nossos avatares, mas eu me senti um pouco limitada dada a precária posição que costumo ficar na vida real. Contudo, eu ainda podia me movimentar no ambiente de realidade virtual usando um par de controles Hydra. Infelizmente, fiquei um pouco confusa em vez de ansiosa, e acabei pairando no ar acima de meu parceiro de conversação. Depois, Gian foi tragado pelo chão; ele gritou pelos headphones que tudo o que ele podia ver era um espaço em branco.

Burton admitiu que a tecnologia estava em seus estágios iniciais, e que a experiência não era sempre das mais tranquilas. Nossos avatares lutaram para apertar as mãos, mas na tentativa conseguiram mais constrangimento do que seria profissionalmente apropriado. Quando olhei para os meus próprios braços, eles pareciam estar sacudindo descontroladamente, e foi muito desconcertante olhar para a minha cintura e às vezes ver a bunda de meu avatar saindo pela minha frente, entre outras decididamente comprometedoras ou desconfortáveis posições. Mas apesar de algumas esquisitices e de nossas habilidades amadoras para manusear os controles, quando a coisa funcionou, a experiência foi tão imersiva quanto a que estávamos esperando com o Oculus; realmente fez parecer que eu estava conversando com alguém a minha frente.

“Nós usamos tecnologias já existentes, o que não é excelente para a experiência final que estamos procurando, mas é bom para ter um protótipo e trabalhar nos problemas de se ter um avatar em um ambiente virtual e essa comunicação”, disse Burton enquanto impedia que outro viajante da realidade virtual tropeçasse em um fio. A falta de consciência de seu ambiente físico enquanto você está imerso na realidade virtual é um problema que ainda precisa ser resolvido – Burton disse que uma vez ele sentou no “sofá”, esquecendo-se que realmente tinha uma cadeira de escritório com rodinhas e deu uns passos para trás. Tivemos até que assinar um documento antes de usar a tecnologia.

Mas essa desconexão com o mundo real é também, claro, o que tanto atrai na realidade virtual. Para o cenário de podcasting, Burton disse que a ideia é que os participantes tenham uma comunicação bem próxima e pessoal, podendo fazer perguntas e assim por diante. Um produtor pode também adicionar todo tipo de elementos, e você pode criar uma cena fantástica ou realista como preferir. Em longo prazo, ele vê a realidade virtual como uma nova maneira de socialização, em vez de apenas jogar sozinho em um mundo fantasioso. “É a ideia de ter um metaverse, e estar apto a caminhar por diferentes versões de realidades, e encontrar-se com pessoas, socializar de várias maneiras, jogar juntos”, ele disse.

A experiência me remeteu a um tipo de versão estendida de Second Life, e isso é um sinal claro das aplicações sociais da realidade virtual em oposição ao nicho de games. Depois de me comunicar com uma pessoa real em tempo real utilizando a tecnologia, a ideia do Facebook almejando o Oculus Rift de repente fez muito mais sentido para mim. Quando o Facebook comprou o Oculus, Mark Zuckerberg falou sobre o potencial de “teletransporte”.

Gian e eu podemos ter sido avatares bem confusos com chapéus estranhos e que não tinham um bom controle de seus membros, mas mesmo nessa fase inicial do protótipo e embora no mundo real estivéssemos a apenas alguns metros um do outro, foi como realmente se teletransportar.

Tradução: Cecília Floresta

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