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Como funciona o mercado brasileiro de ferramentas espiãs para celular

Com muita publicidade, vendedores comercializam produtos que passam conversas, dados e ligações de qualquer um em tempo real.

por Brunno Marchetti
20 Março 2017, 2:49pm

A esta altura do campeonato, você deve saber que sua privacidade é uma ilusão. O recente vazamento de informações sobre as ferramentas utilizadas pela CIA confirmaram que, mesmo em dispositivos e sistemas considerados seguros, as comunicações e dados estão ao dispor de quem tem os programas potentes o bastante para para burlar a segurança.

Apesar da novidade do vazamento deste mês, desde que em 2013 Edward Snowden tornou públicas as informações do monitoramento feito pela NSA, é difícil não imaginar que governos e forças de segurança tenham formas de saber por onde você anda na internet. O engano é pensar que este tipo de monitoramento está apenas ao alcance das agências de inteligência de alto nível. O espião pode morar ao lado.

Conforme mostramos aqui, o acesso à ferramentas monitoras para celulares é fácil. Para usar este tipo de programa não é necessário ser especialista em redes ou ter conhecimento avançado em hacking. Com exceção ao momento da instalação do spyware, feita com celular em mãos, o monitoramento ocorre por meio de painéis de controle simples de ser operados.

Embora a maior fama do mercado fique com os malwares internacionais como mSpy e HelloSpy, o Brasil também possui cenário próprio de desenvolvimento e venda destes programas. O gosto estético duvidoso dos sites e a falta de originalidade dos nomes — que quase sempre incluem a palavra "espião" ou "detetive" — pode não inspirar confiança a uma primeira olhada, mas entregam exatamente o que vendem: vigilância e controle de celulares alheios.

Os primeiros resultados de uma busca no Google por "espião de celular" trazem nomes de Bruno Espião e Celular Espião Divi. Ambas com sede em Minas Gerais, as empresas compartilham o mesmo programa de monitoramento, o Anjo Guardião. A licença de um ano do spyware, que permite espionar um aparelho, sai por R$ 469. O programa Brasil Detetive, que vende licenças de até 90 dias por R$ 800, também foi testado para o texto.

As funções variam de acordo com o serviço. Em todos, porém, as informações mais básicas já ficam ao dispor logo na primeira olhada no painel de controle. De partida são reveladas uma série de coisas sobre celular espionado: localização de GPS, memória utilizada no aparelho, aplicativos instalados, nome dos arquivos que estão salvos no celular, números discados, site acessados. Pouca coisa fica para a imaginação de quem está invadindo a sua privacidade.

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