Sexo

Fotos NSFW das orgias secretas em hotéis baratos na Inglaterra

Joseph Finegan é um cara normal que há dois anos acompanha surubas em hotéis em Manchester e agora suas imagens estão no livro ‘Do Not Disturb’.

por Morgan Harries
17 Outubro 2016, 5:00pm

Joseph Finegan quer que todo mundo saiba que ele é só um cara normal que trabalha num clube noturno e tira fotos nas horas vagas. A única coisa diferente é que essas fotos são de orgias secretas arranjadas através do Craigslist, que acontecem em hotéis vagabundos de Manchester.

Em 2015, pedimos ao Joe para escrever sobre suas experiências fotografando esse tipo de evento, e recentemente ele voltou a entrar em contato conosco para avisar que está lançando um livro com seu trabalho. O livro, Do Not Disturb, foi lançado junto com uma exposição pop up na Doomed Gallery em Dalston, Londres.

Para saber o que mudou em um ano, liguei para o Joe para saber como andam as coisas.

VICE: Oi, Joseph. Você escreveu sobre seu projeto pra gente ano passado. Por que você está transformando ele num livro agora?
Joseph Finegan: Acho que se não fizesse um livro, eu ia continuar fotografando essas festas — não haveria um resultado final. Então pensei "se fizer um livro, talvez eu consiga parar. Posso colocar um ponto final nisso". É algo que posso segurar e saber que está terminado; esse momento foi documentado.

Então você quer parar de fazer esse tipo de foto?
O que quero é pegar uma rota diferente. É engraçado, tive uma conversa com um amigo que estava dizendo que o livro pode ser o fim para mim, mas para muita gente que ainda não viu minhas imagens ele é apenas o começo. Então talvez eu deva continuar um pouco mais porque basicamente passei dois anos tentando me incorporar nessa comunidade, encontrar meu lugar entre pessoas de verdade. Então acho que seria um desperdício jogar tudo fora.

O que você pretende fotografar agora?
Quando comecei, eu queria ir por um caminho que ninguém tivesse trilhado antes. Fotografei camgirls por um tempo, depois quis fotografar swingers ou dogging. Mas eu não queria me basear só em sexo. Talvez eu faça algo bem legal — como fotos de flores, por exemplo. Mas sendo honesto, meus próximos trabalhos provavelmente vão acabar sendo sobre sexo. É só que é interessante mostrar algo que as pessoas não veem todo dia.

Uma coisa que pensei vendo suas fotos: era difícil ou, sei lá, constrangedor, levar seu filme para revelar?
Sim, uma vez fui buscar as fotos e o cara me disse "não podemos revelar esse filme", e me devolveu o rolo. Fui embora, meio que entrei numa farmácia que revelava fotos e pensei "nem vale a pena tentar". Felizmente conheci uma senhorinha para quem levo meus filmes há dois anos. Ela obviamente viu as fotos, mas é sempre tão inocente, tipo "tenho umas fotos muito engraçadas para você hoje!" e eu só respondo "ah, é assim que eu gosto!" Noventa por cento das pessoas se recusariam a revelar meus filmes — mas ela é incrível.

Leia: "Como é participar de uma orgia de urina em Londres?"


Seu método mudou muito desde o começo?
Eu costumava postar simplesmente "alguém quer que eu tire sua foto" no Craigslist, e aí aparecia na casa das pessoas — que perigo, né? Faço isso há dois anos, mas era muito ingênuo quando comecei. Eu só queria tirar uma foto muito louca. Mas aí passei para um hotel. É engraçado porque um amigo trabalhou nesse hotel por um tempo, e é tudo tão datado, é como voltar no tempo. Também há muita prostituição e alguns suicídios, então não é um bom lugar para realmente se hospedar. Eu não dormiria lá depois da sessão de fotos, por assim dizer.

Como era a vibe nos quartos? Os caras prestavam atenção em você?
O que está no livro agora foi [resultado de] dois anos de tentativa e erro. Você aprende a se comportar de certa maneira nessa situação e conseguir a foto certa. O principal para mim é contato visual — se alguém está olhando pra você, a foto realmente se destaca. Mas tentar conseguir essa foto; vamos dizer que a orgia dure uma hora — você senta lá e espera eles se perderem em seu mundo, e aí entra em cena. Geralmente fico andando pelos cantos do quarto. Demorei muito tempo para aprimorar o processo.

Você já teve problemas?
Algumas vezes eu aparecia na festa e ficava sem filme ou bateria, então tinha que ficar lá esperando todo mundo acabar. E teve vezes em que aluguei um quarto e ninguém apareceu, ou pior, só uma pessoa aparecia. Aí ele dizia "alguém mais vem?" Ou uma pessoa chegava e eu dizia "tudo bem?" e ela dava o fora. Mas às vezes você consegue uns modelos regulares. Tem um cara muito legal que me manda e-mail sempre, e toda vez que aparece ele me traz um fardo de cerveja. Mas não tive muitas outras experiências legais. Não posso dizer que fiz amigos.

Você acha que suas experiências mudaram sua atitude quanto ao sexo?
Bom, estou afastado disso porque não me envolvo. Muitas amigos próximos já perguntaram "você já... sabe?" e eu digo "não!" Não é uma coisa que eu trouxe para a minha vida pessoal. Mas talvez isso tenha me mudado com os anos. Acho que fiquei dessensibilizado porque já vi de tudo. Não acho que eu tenha uma razão pessoal para fazer isso, [não tenho] nenhum tipo de expressão pessoal. É mais como documento, algo que trabalhei muito para fazer, para mostrar algo completamente inédito.

O que as pessoas na sua vida acham do que você faz?
Lembro de mostrar minhas fotos para os meus pais, que não entenderam — eles acham que é isso que os jovens fazem hoje em dia, acho. Entendo que seja um pouco estranho. Tipo a última matéria para a VICE — "Fotografando as Surubas Anônimas da Inglaterra" — parecia que tudo que eu fazia da vida era viajar pelo país fazendo essas fotos. Eu só queria que tivessem dito no final: "Aliás, ele só trabalha num clube noturno e sai com os amigos de vez em quando".

Desta vez a gente escreve, Joseph. Obrigado!

@josephfinegan_

Tradução: Marina Schnoor

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