Ilustração: Layse Almada

"Me deixa gozar": as ilustrações feministas de Layse Almada

Débora Lopes

Débora Lopes

Mulheres peladas, gordas, negras, lésbicas, sem um dos seios ou sem uma das pernas compõem os desenhos da ilustradora.

Ilustração: Layse Almada

"Me deixa gozar", informa o bilhetinho grudado na testa de uma garota em uma das ilustrações de Layse Almada. Mulheres peladas, gordas, negras, lésbicas, sem um dos seios ou sem uma das pernas compõem os desenhos da ilustradora.

Arte feminista? Sim. "Tento, com as ilustrações, [incitar] a reflexão por direitos iguais, pela desconstrução de um padrão 'x' ou 'y' de beleza – entre outras diversas imposições sociais e culturais", resume a belenense que hoje vive na cidade de São Paulo.

Crédito: Layse Almada.

Formada em moda, Layse pegou gosto pelo desenho na época da faculdade, quando começou a desenvolver estampas e coleções. Para criar a própria identidade e aperfeiçoar seu traço, ela passou a desenhar diariamente. Hoje, suas ferramentas se baseiam em caneta nanquim sobre o papel vegetal ou canson. E, para colorir, a ilustradora recorre ao computador.

Tons pastel e cores suaves são suas características principais. "A ideia é que as ilustrações fiquem leves mesmo que o assunto representado seja um pouco ácido", destaca.

Crédito: Layse Almada.

A madrugada é o período preferido para a inspiração trazer à tona suas meninas ilustradas. "Funciono melhor com um bom som; de preferência, música brasileira. Mas o que tem de ter mesmo é algum doce gostoso pra comer enquanto desenho."

Para a artista, inserir biótipos diferentes é importante. "Foi uma forma que encontrei de representar pessoas que geralmente não são bem vistas por estarem fora de um padrão tido como 'normal' ou 'aceitável'."

Crédito: Layse Almada.

Porém, quando a nudez feminina não é só para provocar o imaginário masculino, surge certa apatia. Layse explica seu método toda vez que um dos desenhos é denunciado e deletado do Facebook ou do Instagram: "publico novamente".

As redes sociais funcionam também com uma loja online, onde a artista vende prints, quadros e camisas com seus desenhos.

Crédito: Layse Almada.

A aventura mais recente é desbravar o mundo da tatuagem. "Estou me dedicando e praticando para isso se tornar um novo ofício", conta Layse, cuja primeira experiência se deu quando um amigo tatuador propôs ensiná-la e, ao mesmo tempo, ser rasbicado. "Além de corajoso, ele foi professor e serviu de tela."

Veja abaixo mais ilustrações de Layse Almada e a siga no Instagram.

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Crédito: Layse Almada.

Crédito: Layse Almada.

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Crédito: Layse Almada.

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