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Pixadores de SP Atropelaram a Exposição do Fotógrafo Choque

"O Choque não tem credibilidade com o pixo faz alguns anos", disse um pixador.

Débora Lopes

Débora Lopes

Na tarde de ontem (21), três obras do fotógrafo Choque foram atacadas por pixadores na Galeria Crivo, em São Paulo. As imagens fazem parte da exposição coletiva A3, integrada por mais duas artistas – cujas obras permaneceram intactas. Os quadros do fotógrafo, que exibiam pixações em locais de São Paulo, foram pintados com tinta; nas paredes do lugar, foram escritas expressões como "Safado", "A rua não precisa de você" e "Viva o pixo".

O ataque partiu do movimento Pixo Manifesto Escrito (PME), um coletivo anônimo de pixadores que desaprova o trabalho do artista. Em uma nota enviada exclusivamente para a VICE, o movimento justifica que o ato foi uma "retaliação a todo uso indevido de imagens que o fotógrafo Choque vem fazendo dos pixadores de São Paulo".

"O Choque não tem credibilidade com o pixo faz alguns anos", diz um pixador que prefere não ter seu nome revelado. Ele conta que o desentendimento eclodiu quando o artista publicou um vídeo chamado "Uma Última Noite", que mostra o momento da morte de Guigo (NETICOS), pixador que, numa noite de 2010, caiu de um prédio na Avenida Rebouças. "Ele faz uso comercial desse vídeo. A família do Guigo tinha pedido pra não ser publicado", frisa.

Procurado pela reportagem da VICE, o fotógrafo Choque informou que não tem nada a comentar sobre o assunto. A Galeria Crivo explicou que está "falando com o artista e vendo o que irá acontecer".

"Ele [Choque] não cola em lugar nenhum. Ninguém aprova o que ele faz", argumenta o pixador. "Ele se provê da situação do pixo ser uma manifestação ilícita pra poder fazer uso desse material. Ele sabe que nenhum pixador vai correr atrás de direito de imagem numa ação que é ilícita."

De acordo com o pixador, Choque teria inicialmente se aproximado do universo do pixo para fazer fotos que seriam publicadas em um livro que serviria como trabalho final do curso de fotografia. "Só que, aí, ele começou a fazer uso comercial dessas fotos sem o consentimento dos pixadores."

O coletivo responsável pelo ataque – que funciona como uma espécie de "tribunal do pixo" – surgiu durante as Jornadas de Junho com o objetivo de "cobrar todo tipo de irregularidade em questões políticas e uso indevido da pixação por parte de charlatões e aproveitadores".

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