Publicidade
filme

Conversamos com o Designer de Produção de “Grande Hotel Budapeste” Sobre Docerias, Cartões Postais e Taxidermia

Adam Stockhausen nos conta como foi criar o mundo imaginário antigo de Wes Anderson.

por Becky Chung
19 Fevereiro 2015, 8:09pm

Imagem cortesia da Fox

O Grande Hotel Budapeste rosa de Wes Anderson não é um lugar de verdade, mas uma combinação de entranhas da loja de departamento Görlitzer Warenhaus, uma requintada miniatura 14’ x 7’ e pinturas de paisagens para o cenário. Cada detalhe que existe no meticuloso mundo do filme de Anderson, dos bolos em camadas da padaria fictícia de Mendl aos carpetes que se espalham pela entrada do hotel, passou sobre os olhos aguçados do designer de produção Adam Stockhausen antes de ser colocado em ação. Junto de oito outras nomeações para o filme, Stockhausen concorre por um prêmio da Academia por Melhor Design de Produção pelo filme, sua segunda nomeação desde seu trabalho em 12 Anos de Escravidão em 2013.

Um rascunho do exterior do hotel

“Tudo começou com muita pesquisa. Nós construímos uma grande paleta de informações”, disse Stockhausen do Creators Project. E, para ele e sua equipe, isso começou com viagens à República Tcheca e à Alemanha Oriental para procurar a cidade montanhosa fictícia da República de Zubrowka, ou pelo menos quais detalhes eles poderiam usar das locações reais. Quando Stockhausen entrou na loja de departamento Görlitzer Warenhaus, por exemplo, ele ficou impressionado com a preservação. O estilo arquitetônico arrebatador e romântico de Art Nouveau compõe a tela perfeita para sua história.

Rascunho do elevador

No começo do processo, Stockhausen também visitou a Biblioteca do Congresso para derramar sobre sua coleção de cartões postais fotocromados, focando em grandes colunatas e hostels nas montanhas. Coletado, Stockhausen explicou, o lembrou de um “relato de viagem pela Europa”. Ao contrário de mostrar monumentos como o Big Ben, Torre Eiffel, ele notou que os cartões postais daquele tempo mostravam uma visão mais ampla da Europa em que eles mostravam lugares obscuros que muita gente não tinha ouvido falar. “Foi como tirar o zoom”, ele disse. Munido desses visuais coletados, o esquema de cores pastéis e a estética vintage se tornaram muito importantes para a visão geral do Grande Hotel Budapeste.

Um cartão postal que inspirou o visual de Grande Hotel Budapeste

Uma das cenas favoritas de Stockhausen foi gravada em uma estação de trem. Nela, a locomotiva chega a uma parada e Edward Norton segue em frente até a câmera, se abaixa e cheira o perfume do protagonista do filme, M. Gustave (Ralph Fiennes). A equipe pesquisou o visual dos trens e das estações da época, mas não conseguiu achar nada que se encaixasse. Ao invés de montar todo um set novo, no entanto, decidiram transformar a cena de dentro para fora para que os espectadores vissem o trem da estação de dentro do trem, “então você só precisa de um pequeno frame para acreditar que você está no trem enquanto ele para na estação”, explicou Stockhausen. A equipe então usou um traveling em um tapume repintado e reparado, transformando em um impulso dos trilhos de trem.

Para Stockhausen, o design de produção é essencialmente resolver problemas. Ele e sua equipe estão constantemente pensando em jeitos criativos de trazer a visão de Anderson à vida. Enquanto conferia locações, por exemplo, Stockhausem e a equipe encontraram vilas de caça cheias de taxidermia na Alemanha. “Foi uma imagem impressionante”, ele disse, “nós sabíamos que precisávamos trazer isso para o filme e a leitura do testamento foi um ótimo lugar para isso”. Além disso, eles admiraram as pinturas de Klimt, especialmente aquelas de bétulas. O resultado foi uma mistura de configurações que caracterizou tanto a madeira das bétulas quanto as criaturas cheias.

Para a loja de bolos de Mendl, o lugar tinha que ser criado em duas partes. A frente, que seria “tão bonita quanto docerias”, foi grava em uma loja de queijo em Dresden, enquanto a cozinha enferrujada e triste dos fundos tinham que ser filmadas em outro lugar. “Foi divertido porque você vê esse glacê rosa, verde e amarelo nesse espaço inteiramente coberto em fuligem”, diz Stockhausen.

Stockhausen acredita que seu trabalho de criar espaços e ambientes para histórias crescerem é tanto emocionante quando terrível. Felizmente, ele e Anderson desenvolveram um método para cenas mecanizadas, centenas de partes tocantes começando com uma imagem ampla, e então trabalhando com porcas e parafusos peça por peça. “O modo como você percebe uma história é realmente influenciado pela configuração em que você a vê contada”, diz Stockhausen. “Filme é um meio tão visual que eu acho que tem muito impacto. É certamente excitante ser parte de contar essas histórias”.