A BANCA DE BOLSONARO

Gustavo Bebianno: o cada vez mais discreto braço direito de Bolsonaro

Na série que apresenta os ministros do presidente do Brasil, a VICE conta a história do ex-dono da pasta da Secretaria-Geral da Presidência.

por Fernando Cesarotti; ilustrado por Cassio Tisseo
30 Janeiro 2019, 2:22pm

Ele estava na semana passada em Davos, na Suíça, para acompanhar a comitiva de Jair Bolsonaro no Fórum Econômico Mundial, assim como esteve ao lado do presidente praticamente em todos os dias nos últimos dois anos. Desconhecido até pouco tempo atrás, o advogado Gustavo Bebianno ocupa um dos cargos mais importantes da República, a Secretaria Geral da Presidência, mas continua sendo praticamente um anônimo para a grande maioria dos brasileiros.

Uma rápida pincelada sobre o passado de Bebianno apareceu na semana retrasada, com a lembrança de que ele foi colega de trabalho de Marianna Fux, hoje desembargadora no Rio, num escritório de advocacia. Marianna é filha do ministro Luiz Fux, que suspendeu a investigação do Ministério Público do Rio contra Fabricio Queiroz, acusado de movimentações financeiras irregulares e ex-assessor de Flavio Bolsonaro, filho do presidente, na Assembleia Legislativa do Rio.

Reportagem de outubro da revista Época revelou a proximidade entre Bebianno, Marianna Fux e o empresário Paulo Marinho, que a partir de fevereiro será o primeiro suplente de Flavio no Senado. Como coincidências na política não existem, foi justamente Marinho o responsável por aproximar Bolsonaro e Bebianno, que até então trabalhava como advogado no Rio e era admirador confesso do ex-militar – a ponto de enviar desde 2014 mensagens ao gabinete de Bolsonaro na Cãmara oferecendo apoio jurídico grátis.

Enfim apresentados, os dois se deram tão bem que o advogado não apenas se filiou ao PSL junto com o então presidenciável, como assumiu provisoriamente a presidência do partido, ocupando o lugar de Luciano Bivar enquanto este se preocupava com sua candidatura à Câmara por Pernambuco.

Não foram dias exatamente tranquilos. Enquanto bancava a sombra de Bolsonaro, até mesmo na UTI do hospital Albert Einstein nos dias de recuperação após a facada sofrida em Juiz de Fora, em 6 de setembro, Bebianno tinha de lidar com divisões entre os apoiadores e até acabou envolvido numa confusão que virou caso de polícia entre a então candidata ao Senado pelo PSL, Soraya Thronicke, e seu primeiro suplente, Rodolfo Oliveira Nogueira. A história foi contada pela revista Piauí em outubro, sem que Bebianno se manifestasse publicamente. Soraya acabou eleita, no embalo do crescimento de última hora dos candidatos do PSL, não falou mais sobre o assunto e na semana passada ficou conhecida por fazer parte da trupe de parlamentar que foram passear na China e bateram boca com Olavo de Carvalho.

Na transição, Bebianno chegou a ser cogitado como ministro da Justiça, mas o cargo acabou entregue ao super-herói Sergio Moro. A Secretaria Geral acabou sendo o abrigo ideal para o bom amigo, que é apresentado no site oficial como tendo “a responsabilidade de auxiliar o Presidente da República no relacionamento com a sociedade civil, na modernização do Estado, por meio da disponibilização de serviços cada vez mais simples, ágeis e acessíveis aos cidadãos”. As palavras são vazias, mas o posto é estratégico e já foi ocupado por gente graúda nos últimos governos, como Aloysio Nunes (FHC), Luiz Dulci (Lula), Gilberto Carvalho (Dilma) e Moreira Franco (Temer).

Também é um jeito de manter Bebianno calado, visto que, falando, ele não ajuda muito. Em dezembro, declarou ao Estadão que uma das prioridades iniciais do governo Bolsonaro seria investir na saúde, especialmente no Rio, onde haveria uma “intervenção imediata em hospitais dominados por milicianos”. Especialistas em segurança pública rapidamente se posicionaram dizendo desconhecer o problema. Como em muitas outras coisas neste menos de um mês de governo, ficou o dito pelo não dito e nenhum tipo de ação concreta foi anunciada.

Depois disso, Bebianno tem se mantido em silêncio. Na viagem a Davos, foi figura discreta, quase invisível, perto de Moro e Paulo Guedes. Suas redes sociais praticamente não foram alimentadas desde a eleição. Nos últimos dias, em que o ditado “quem fala demais dá bom dia a cavalo” parece ter tomado conta de Brasília, a boca fechada do secretário-geral está valendo ouro.

Nome: Gustavo Benianno
Idade: 54
Ministério: Secretaria-Geral da Presidência
Formação: bacharel em Direito pela PUC-RJ, com mestrado em Finanças Corporativas pela Universidade de Illinois (EUA)
Partidos: PSL

ATUALIZAÇÃO: Em 18 de fevereiro, Gustavo Bebianno foi exonerado do cargo. O posto de Bebianno começou a ser ameaçado na semana passada, quando a Folha de S.Paulo revelou o uso de candidaturas laranjas pelo PSL, partido do qual Bebianno era presidente durante as eleições de 2018. A sigla, de acordo com a Folha, criou uma candidata laranja em Pernambuco que recebeu R$ 400 mil de dinheiro público. Ela obteve 274 votos e gastou R$ 380 mil com uma gráfica com endereço de fachada e sem máquinas para impressão. Bebianno que autorizou o uso da verba. No texto oficial do governo, a exoneração do cargo foi dada por "uma questão de foro íntimo" de Jair Bolsonaro. O substituto será o general Floriano Peixoto Vieira Neto.

Acompanhe os perfis de todos os ministros do Brasil na série A Banca de Bolsonaro . Novos textos às quartas e sextas-feiras.
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