Como a cocaína afeta o esperma e o pau do usuário

Preso num estado insuportável querendo transar desesperadamente, sem conseguir.

por Tom Usher; Traduzido por Marina Schnoor
|
jan 2 2019, 9:00am

Esquerda: Pshere / CC0; Direita: Indiapicture / Alamy Stock Photo.

Pintos e drogas não combinam muito bem. Já falamos disso antes, mas por várias razões – principalmente porque estimulantes como MDMA e cocaína funcionam como vasoconstritores, restringindo o fluxo sanguíneo – eles podem fazer seu pênis encolher consideravelmente.

Se você é um homem que usa essas drogas, você já sabe disso, porque testemunhou em primeira mão. O problema é, cocaína também faz muita gente que cheira – algumas delas homens – querer transar. O que não é ideal, ou realmente possível quando seu pinto está do tamanho de uma noz.

“Um estudo recente descobriu que, em humanos, uso de cocaína aumenta o desejo sexual, mas diminui o uso de camisinha”, explica a Dra. Mary Samplaski, diretora da seção de fertilidade masculina do Instituto de Urologia da Universidade do Sul da Califórnia. “E mesmo que cada homem seja diferente, para muitos deles cocaína vai resultar em disfunção sexual.”

Como assim?

“Cocaína pode levar a dificuldades de ejaculação e volumes ejaculatórios mais baixos”, me disse a Dra. Mandy Tozer, diretora do CARE Fertility London. “Uso crônico de cocaína pode levar a priapismo, que é uma ereção dolorosa persistente que muitas vezes exige ajuda médica – é uma condição séria que pode causar danos permanentes ao pênis.”

Resumindo até aqui: cocaína pode te prender num estado insuportável onde você quer desesperadamente transar, mas não consegue, porque não consegue ficar de pau duro; pode te fazer não usar camisinha quando eventualmente consegue ficar ereto (então sob maior risco de contrair uma DST), você fica metendo eternamente porque não consegue gozar. Bônus: se cheirar muito pó, você pode ficar com o pau tão duro que vai ter que ser internado. E a cereja do bolo: a droga reduz a contagem de esperma.

A Dra. Tozer diz que estudos mostraram que o uso de cocaína é mais comum em homens com contagem de esperma mais baixa, e que o uso crônico de cocaína pode reduzir a contagem de esperma. Isso sem contar que cocaína geralmente é usada junto com álcool e, se você fuma, ou mesmo se é só um “fumante casual da balada” – essas duas substâncias são conhecidas por ter um efeito prejudicial no esperma.

Samplaski acrescenta: “Um estudo sobre os efeitos da cocaína na histologia e função testicular descobriu que a cocaína produz uma rápida interrupção da produção de esperma, cortando isso aproximadamente pela metade. Uso de cocaína também resulta em níveis mais baixos de testosterona, e isso mostrou resultar em morte de espermatozoides, um efeito que pode estar relacionado com a constrição do fluxo sanguíneo”.

Talvez, quando eu tiver 35 anos e não estiver mais me entupindo de fast food, eu possa realmente querer ter filhos. O que acontece então se, contra todas as chances, eu conseguir engravidar alguém?

“Não há informação suficiente sobre as chances do uso de cocaína entre homens causar defeitos de nascença”, diz a Dra. Tozer. “Mas em ratos, esperma se mostrou um vetor para transportar cocaína para o óvulo.”

Então vamos parar um momento e pensar no fato de que o esperma pode carregar cocaína para o óvulo.

O que não é legal, especialmente considerando que – segundo Samplaski – estudos mostram que “bebês nascidos de mães que usaram cocaína na gravidez apresentam anormalidades neurológicas e de desenvolvimentos significativas”. Com um ano, ela acrescenta, essas crianças tinham níveis significativamente mais baixos de desenvolvimento cognitivo e motor. E apesar de estudos científicos não terem estabelecido isso ainda – parcialmente, como Samplaski me disse, porque “os pacientes não revelam que usam cocaína por ser uma droga ilegal” – parece que cocaína pode viajar do esperma para o óvulo, portanto impactando a criança antes mesmo dela nascer. Que efeito tudo isso terá na nossa fertilidade no futuro, só o tempo dirá.

@tom_usher_

Siga a VICE Brasil no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.

Mais VICE
Canais VICE