Motherboard

Spotify está derrubando músicas com conteúdo racista e neonazista

Twitter, Google, Paypal e outros pesos-pesados da tecnologia estão cortando quaisquer relações com grupos de extrema direita.
17 Agosto 2017, 5:33pm

Matéria originalmente publicada na VICE News.

Correção 23/08/2017 14h45: uma versão anterior deste artigo afirmou erroneamente que a banda Resistance 77 foi identificada pelo Southern Poverty Law Center como sendo uma das várias bandas que eram supremacistas brancas ou afiliadas de tais grupos. O grupo na realidade não foi incluído nessa lista. Um membro da Resistance 77 diz que um ex-membro foi afiliado a esses grupos, mas já deixou a banda.

Empresas de tecnologia estão fazendo o que podem para afastar sua imagem de racistas e neonazistas. Um dos grandes nomes a entrar nessa recentemente foi o Spotify, que afirmou nesta quarta-feira (16) que retiraria do ar ou analisaria a obra de dezenas de artistas racistas em resposta a uma matéria da Digital Music News. A empresa disse em nota à VICE News que "age imediatamente para remover este tipo de material assim que é informada de sua existência".

No Vale do Silício, empresas como Twitter, Google, Paypal e outros pesos-pesados da tecnologia estão cortando quaisquer relações com grupos de extrema direita. Antes de Charlottesville, o setor de tecnologia tendia a defender grupos de racistas — clientes ou usuários — com base no argumento da "liberdade de expressão". Em meio aos serviços de streaming musical, somente Spotify e o francês Deezer comentaram que removeriam música de cunho racista ou neonazista de seus servidores.

A Apple Music, segunda plataforma de streaming paga mais popular nos EUA, segue hospedando várias bandas racistas, com base em rápida análise feita por nós. Entre estes temos grupos que se identificam como racistas ou afiliados a grupos como listados pelo Southern Poverty Law Center (SPLC) em 2014. Temos Ken McLellan, Close Shave, Offensive Weapon, Queensbury Rules, e Resistance 77 ainda disponíveis na Apple Music, dentre outros.

Em 2014, a Apple começou a tirar do ar música racista do iTunes após sofrer pressão do SPLC, o que levou à retirada de algumas bandas neonazistas mais conhecidas, como Skrewdriver. Após os acontecimentos do último final de semana em Charlottesville, a Apple disse que impediria diversos sites de utilizarem o Apple Pay para suas transações. Os porta-vozes da empresa não responderam às nossas tentativas de contato.

Nenhuma plataforma de streaming musical sob demanda chegou à fase de rentabilidade — um calo e tanto no pé do gigantesco Spotify, mas o setor como um todo tem sido uma benção para a indústria fonográfica: estes serviços geraram 51% da receita musical de 2016, dando à indústria seu primeiro crescimento ano a ano em quase duas décadas.