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A antena feita com garrafa PET funciona de verdade?

Eis um bom aprendizado na hora de buscar o sinal de celular.

por Brunno Marchetti
04 Maio 2018, 3:51pm

Crédito: reprodução Facebook

Como você deve saber, a capacidade nacional para o improviso técnico já conquistou o mundo. Somos capazes de usar drones para acender churrasqueiras e, ao que parece, podemos nos considerar uma potência em criar controles de papelão para jogar videogame.

Uma das mais novas gambiarras da nação foi postada no último dia 22 de abril no Facebook: uma garrafa PET furada com areia e pedras que seria capaz de captar um sinal de celular em áreas isoladas.

Eis a imagem que encantou o país:

Nossa primeira reação foi achar que era mentira, claro. Mas depois, ao falar com gente da área, percebemos que não se tratava de algo fake: o sinal realmente poderia surgir nessas condições. Só que não por causa de nada que tem ali na garrafa.

“Na verdade, nem a garrafa PET, nem a areia, nem a brita têm interferência no sinal” me disse físico Claudio Hiroyuki Furukawa, responsável pelo laboratório de demonstrações Ernest Hamburguer do Instituto de Física da USP.

Ele explica que nenhum dos materiais utilizados na gambiarra têm interferência nas ondas eletromagnéticas do sinal do celular. “Se você envolver o celular em uma folha de plástico, por exemplo, ela não vai afetar em nada o sinal”, afirma.

Na real, o que afeta a onda eletromagnética é outro material: a água. “Você tem uma faixa de onda muito próxima a da ressonância da água, ou seja, ela começa a vibrar com esse sinal”, explica o físico.

Talvez você não se lembre, mas cerca de 60% do seu corpo é composto por água. É aí que mora o segredo. “Se você tiver com o aparelho perto da cabeça, por exemplo, você absorve parte dessas ondas”, comentou Furukawa. Ele explica que, como a recepção nessas localizações é muito fraca, qualquer interferência pode fazer a diferença entre o aparelho ter ou não sinal. Isso inclui a posição do aparelho e a sua mão, por exemplo.

Isso significa que, na hora que você estiver sem sinal, pode sair de perto do celular e ajudar as ondas a se propagarem melhor.

Infelizmente não foi dessa vez que o brasileiro revolucionou as telecomunicações, mas pelo menos agora sabemos um pouco mais de física.

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