Black bloc durante o ato "Fora, Temer" na última quarta (7). Foto: Rodrigo Zaim/ R.U.A Foto Coletivo

Sem vandalismo ou violência: o ato de 7 de setembro em SP

Com a presença ostensiva de black blocs, o protesto rolou pacificamente do início ao fim.

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set 8 2016, 4:00pm

Black bloc durante o ato "Fora, Temer" na última quarta (7). Foto: Rodrigo Zaim/ R.U.A Foto Coletivo

Há algumas décadas, manifestações anticapitalistas todo dia 7 de setembro são contumazes Brasil afora. Em São Paulo, na última quarta (7), não foi diferente. Começou na Praça da Sé, na região central, mais um ato intitulado "Fora, Temer", contra o atual presidente do país, que no mesmo dia foi vaiado durante a abertura das Paralimpíadas.

Ainda nas catracas do metrô Sé, muitas pessoas que chegavam ao ato eram revistadas pela Polícia Militar (PM). Um fotógrafo ficou detido temporariamente, mesmo depois de apresentar seu documento da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas). O policial que o abordou falou que aquilo, para ele, não significava nada.

"Você quebra as coisas e a polícia joga bomba na gente, seu vacilão", disse um black bloc para um sujeito embriagado

Os escudos dos black blocs formavam a palavra "golpe". Foto: Mel Coelho/ Mamana Foto Coletivo.

Com a presença ostensiva de black blocs, cujos escudos formavam a palavra "golpe", o protesto caminhou até a Avenida Paulista e depois rumou para o bairro da República.

Ao longo do trajeto, um sujeito embriagado tentou chutar uma porta e foi impedido pelos black blocs. "Você quebra as coisas e a polícia joga bomba na gente, seu vacilão", disse um deles para o homem.

Assista ao vídeo VICE 360: Por dentro do ato "Fora, Temer" – 04/09/16

Um dos black blocs carregava uma cartolina com a frase "Somos todos Deborah", em alusão à estudante Deborah Fabri, que perdeu o olho esquerdo ao ser atingida por estilhaços de bombas arremessadas pela PM no ato "Fora, Temer" de 31 de agosto.

Ato "Fora, Temer" da última quarta (7). Foto: Rodrigo Zaim/ R.U.A Foto Coletivo

De acordo com o grupo Periferia Revolucionária, que convocou a manifestação pela internet, 20 mil pessoas marcaram presença. "Agradecemos a todos os presentes, ao apoio essencial da 'liberdade e luta' que somou na organização do ato", postaram no Facebook. Eles também agradeceram aos black blocs, "que deram uma verdadeira aula de postura e contenção, deixando claro que a violência não parte deles, e, sim, da polícia".

Procurada pela VICE, a Polícia Militar não respondeu com a estimativa de presentes – tampouco citou eventuais depredações ou detidos.

No metrô Sé, policiais revistavam pessoas que consideram suspeitas. Foto: Rodrigo Zaim/ R.U.A Foto coletivo

Em 2013, ano das Jornadas de Junho, o bicho pegou fortemente no 7 de setembro, com direito a barricadas de lixo, pixações, pedras em direção aos policiais e uma chuva de bombas de gás lacrimogêneo. "Nas contas da PM, divulgadas no site oficial da corporação, 40 pessoas foram conduzidas a distritos, cinco PMs ficaram feridos, cinco viaturas foram danificadas e houve vandalismo em ruas como a Haddock Lobo e Brigadeiro Luís Antônio", escreveu, na época, o colaborador da VICE Lucas Conejero.

O R.U.A. Foto Coletivo acompanhou o trajeto deste ano e produziu suas já conhecidas fotos loucas, assim como a Mel Coelho, do Mamana Foto Coletivo. Dê uma sacada abaixo:

Foto: Rodrigo Zaim/ R.U.A Foto Coletivo

Foto: Rodrigo Zaim/ R.U.A Foto Coletivo

Foto: Jardiel Carvalho/ R.U.A Foto Coletivo

Foto: Rodrigo Zaim/ R.U.A Foto Coletivo

Foto: Mel Coelho/ Mamana Foto Coletivo

Foto: Rodrigo Zaim/ R.U.A Foto Coletivo

Foto: Rodrigo Zaim/ R.U.A Foto Coletivo

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