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A Polícia tá marretando a torcida do Corinthians desde o começo dos protestos nas arquibancadas

Nas duas últimas partidas, policiais esperaram acabar a partida e a transmissão televisiva para partir pra porrada.

por Peu Araújo
21 Março 2016, 5:10pm

Faixas de protesto na partida contra o Santa Fé pela Libertadores. Foto: Taba Benedicto

Pipocam nas redes sociais desde o último sábado (19) alguns vídeos em que bombas de efeito moral explodem num estacionamento enquanto torcedores com a camisa do Corinthians tentam se proteger da investida da Polícia Militar. Filmadas na saída do jogo do alvinegro contra a Linense, na Arena Corinthians, em São Paulo, as cenas marcam mais um episódio do clima azedo entre os policiais e a arquibancada.

Vídeo: Erika Papangelacos, publicado originalmente aqui.

"Em um intervalo de três dias, diversos vídeos e relatos de torcedores escancararam ações violentas por parte da PM nas partidas do Corinthians, sem que houvesse qualquer motivo minimamente plausível para sustentar alguma justificativa por parte do comando", escreveram os representantes dos Gaviões da Fiel, em nota oficial. "Os Gaviões da Fiel vêm a público lamentar que, em tempos de democracia, o motivo mais aparente para se suspeitar das ações policiais é justamente a tentativa de uma censura opressiva."

A primeira confusão foi na partida Corinthians x Capivariano, no dia 11 de fevereiro pela terceira rodada do Campeonato Paulista. No meio da partida, torcedores dos Gaviões da Fiel levantaram faixas de protesto contra a Federação Paulista de Futebol, contra a Rede Globo e também contra o escândalo de desvio de dinheiro nas merendas de escolas públicas, ação que bate de frente com o maior inimigo das organizadas dos últimos 20 anos, o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e Deputado Estadual pelo PSDB Fernando Capez.

O vídeo já mostra o meio da confusão:

A ação policial foi muito questionada, inclusive pela imprensa esportiva, que defendeu o direito dos torcedores de se manifestar. Depois da primeira ação da torcida organizada, alguns protestos fora de campo foram feitos, inclusive um que acompanhamos em frente à sede da Federação Paulista de Futebol.

A conduta policial, porém, nas duas últimas partidas do Corinthians mudou. Segundo os torcedores, eles esperam acabar a partida e a transmissão televisiva para partir pra porrada. "Eles vieram no jogo contra o Capivariano, que foi o primeiro das faixas, e pararam. Agora voltaram nas duas últimas partidas enfiando a marreta de verdade. Acaba o jogo e eles vêm varrendo", explica Fabricio Pouseu, diretor dos Gaviões.


Membros da Federação Paulista de Futebol tentando tirar as faixas de protesto no clássico contra o São Paulo. Foto: Taba Benedicto

No jogo contra o Cerro Porteño, na última quarta-feira (16), pela Libertadores da América, teve confronto logo após do fim da partida ainda nas arquibancadas. E três dias depois, no sábado (19), novamente a Polícia Militar veio à baila. Neste outro vídeo é possível ouvir, ao fundo, as bombas de efeito moral estourando enquanto os torcedores – idosos e crianças inclusive – tentam se proteger.

Mesmo encurralada após os jogos, a torcida organizada afirma que as manifestações e as faixas continuarão. "Os protestos vão continuar sempre, os Gaviões nasceram pra poder reivindicar e não vai ser agora que vamos parar", diz Fabricio.

Vídeo também publicado originalmente na página Meu Timão.

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo não se pronunciou até o fechamento desta matéria.

Atualizado às 15:20 do dia 22/3

A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo nos enviou uma nota oficial sobre o incidente entre policiais e torcedores do Corinthians no último sábado (19):

"A Polícia Militar esclarece que uma patrulha de policiais, composta por três PMs, acompanhava a saída de torcedores quando integrantes de uma torcida organizada do Corinthians começaram a ameaça-los. Policiais da Cavalaria, que acompanhavam a dispersão na parte externa do estádio, se aproximaram e foram recebidos a pedradas pelos torcedores. Três PMs ficaram lesionados – uma policial quebrou o braço e precisou passar por cirurgia, um PM teve luxação no braço e outro teve a farda rasgada. Além disso, uma viatura foi danificada. Para dispersar o tumulto, foi necessário uso de munição não letal."

A Secretaria, porém, não nos informou se alguém foi preso na ação policial nem esclareceu, porque a ação da Polícia Militar parece tão desproporcional, visto que um grupo pequeno a atacou.

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