Sexo

Sexo & Drogas

Pode dar ruim mesmo.

por Mark Hay; ilustrado por Carly Jean Andrews; Traduzido por Marina Schnoor
25 Novembro 2015, 12:07pm

"Muita gente usa vários tipos de drogas diferentes", disse Matthew Johnson, professor de psiquiatria e ciências comportamentais da Universidade Johns Hopkins, EUA, à VICE. "E muita gente faz sexo. Você cita uma droga, e alguém vai dizer que adora fazer sexo usando isso."

Quem já passou algum tempo na balada, na internet ou na faculdade sabe que Johnson está certo. A maioria da humanidade adora ficar bem louca. E, no momento em que os seres humanos descobriram como queimar, fermentar ou sintetizar substâncias que alteram a mente, do álcool à cocaína, passando pelo LSD, também acharam maneiras de incorporar isso em suas vidas sexuais, expandindo e refinando os prazeres básicos do sexo

Considerando há quanto tempo os humanos misturam sexo e drogas e a frequência em que fazem isso, era de se pensar que atualmente esta questão fosse mais bem resolvida. Entretanto, como Johnson – que realiza testes clínicos do efeito dos narcóticos no comportamento humano – pode atestar, as drogas afetam pessoas diferentes de maneiras diferentes. Algumas têm um impacto farmacológico direto na maneira de experimentar o mundo, enquanto outras afetam os cérebros tão dramaticamente que seu impacto no sexo pode ser um total tiro no pé. Elas podem nos abrir para o êxtase completo ou fazer com que a gente se arrisque, tome decisões perigosas que podem ter um impacto negativo na nossa saúde e no bem-estar dos nossos parceiros. Elas também podem ter um papel em abusos sexuais que acontecem com muita frequência no mundo. E esses efeitos ficam mais complexos e imprevisíveis quanto mais drogas entrarem na mistura.

Por conta disso fizemos um arrastão pelos fóruns de entusiastas de drogas, filtramos os estudos limitados que existem sobre o assunto e consultamos uma galera – de usuários casuais a psiconautas, de entusiastas amadores a médicos e psiquiatras – para montar um resumo de toda a informação sobre transas sob o efeito de drogas.

Ilustração: Carly Jean Andrews.

Álcool

Álcool é provavelmente a droga mais usada para iniciar ou melhorar o sexo. Segundo alguns estudos, ele pode estar envolvido em mais da metade das interações sexuais nos EUA, pelo menos entre os jovens – apesar de não sabermos se isso é mais usado para se inebriar ou apenas como lubrificante social. Previsivelmente, histórias de sexo e álcool abundam. Algumas anedotas sugerem que quem bebe casualmente ganha um impulso no desejo sexual, na excitação ou no orgasmo, enquanto outras detalham problemas com tudo isso.

"Não parece que as pessoas realmente aproveitem mais o sexo [quando bêbadas]", me falou Johnson. "Isso é provavelmente o efeito da desinibição. A ansiedade social que vem com a abordagem de um parceiro em potencial é tirada. Ou sugerir uma prática sexual que você normalmente não sugeriria, particularmente para um novo parceiro, também fica mais fácil."

Muito do que as pessoas experimentam quando bêbadas é uma manifestação de expectativas. Se a pessoa espera ficar excitada e transar, provavelmente irá cumprir essa profecia.

Ficar um pouco alto pode ajudar a falar sobre os desejos mais livremente, assim como pode ajudar alguém sentindo dores devido ao estresse a se soltar e encontrar o prazer. Para a maioria das pessoas, esse é o efeito de alguns drinques no curso de uma noite. Quem usa um pouco mais que isso começa a ter problemas.

Álcool, especialmente quando consumido em grandes quantidades, amortece não só as inibições, mas também os processos de decisão de longo prazo, aumentando drasticamente as chances de fazer sexo sem proteção. Isso tem um impacto no seu cérebro, no sistema nervoso e pode causar disfunção erétil nos homens e dificultar o orgasmo para homens e mulheres. (Alguns casais curtem isso, já que isso ajuda a lidar com ejaculação precoce ou questões similares.) A desidratação que o álcool causa também pode dificultar a lubrificação da mulher, o que pode deixar o sexo menos agradável.

No nível mais benigno, um fenômeno muito comum é ver as pessoas como mais interessantes do que realmente são. No mais maligno, o álcool tem um papel grande em abusos sexuais, coerção e estupros, inibindo a consciência e o consentimento.

Ilustração: Carly Jean Andrews.

Cocaína e Anfetaminas

Você provavelmente já ouviu um monte de histórias sobre festas de sexo regadas a cocaína e metanfetamina, talvez até envolvendo políticos conhecidos. Segundo Steven Shoptaw, professor de psicologia de abuso de drogas da UCLA, algumas anfetaminas são usadas através de linhas demográficas também, o que é incomum para a maioria das drogas. Ele está falando de motoqueiros, claro, mas também de donas de casa, ansiosas para manter seus apetites sexuais apesar de todas as tarefas domésticas, que se voltam para a metanfetamina e o pó.

Muitos relatos de sexo sob efeito da cocaína envolvem palavras como animal e invencível. Isso pode ser visto no The Casual Sex Project (CSP), uma série de testemunhos que a pesquisadora da NYU Zhana Vrangolova está coletando para estudar as experiências de sexo fora das relações monogâmicas comuns. Uma das entrevistadas, "Aslan", uma mulher casada do Panamá, escreveu sobre um encontro de uma noite recente com sexo usando cocaína: "Foi sexo cru e audacioso com um belo estranho. Foi quase surreal. Depois, a realidade dos efeitos disso na minha reputação, a possibilidade de ficar grávida ou pegar DSTs começaram a me afetar um pouco."

Ainda assim, algumas pessoas falam sobre essas drogas como meras ferramentas para ajudá-las a ficar acordadas e focadas. Enquanto outras as veem como algo broxante ou atribuem suas disfunções eréteis a elas. É uma diferença vertiginosa de opiniões, embora a ciência dos estimulantes sugira que a grande maioria das pessoas cheirando ou injetando isso vá experimentar baratos com uma alta sexual.

Segundo Soptaw e Larissa Mooney, também professora de abuso de substância da UCLA, anfetaminas inundam o cérebro com dopamina, a substância química do prazer, e noradrenalina, que aumenta a resistência, fazendo com que a pessoa se sinta incrivelmente positiva, energizada e focada. Só que isso também altera a tomada de decisões, podendo levar a uma ênfase exagerada em desejos pessoais e resultados de curto prazo. Esses entorpecentes também aumentam os batimentos cardíacos e a pressão sanguínea, o que amplia as sensações físicas ao mesmo tempo em que também retarda o orgasmo.

Há ligeiras diferenças nos efeitos dessas drogas. O efeito da cocaína geralmente passa dentro de uma hora, enquanto o da metanfetamina pode durar de 11 a 12 horas. No entanto, elas geralmente fazem a pessoa se sentir um deus do sexo – tudo parece maravilhoso, e você pode fazer sexo por mais tempo do que o normal.

"As pessoas têm essas experiências nas quais elas transam, transam e transam e não gozam", afirmou Shoptaw em relação às maratonas de sexo regadas a metanfetamina.

Essas drogas também apresentam riscos sexuais e não sexuais. Encorajando sexo violento ou muito prolongado, elas podem levar algumas pessoas a se machucarem. Junto com a falta de sono e diminuição da avaliação de risco, o desejo de conseguir qualquer sexo o mais rápido possível torna essa atividade regada a cocaína ou metanfetamina um jeito ótimo de contrair doenças.

Em longo prazo, o uso dessas drogas pode levar a um pau mole. Mas o mais problemático é o potencial de as metanfetaminas poderosas danificarem seus receptores de prazer, matando a vida sexual sóbria – sem falar na sua capacidade geral de experimentar prazer sem uma dose, um problema bem comum entre usuários habituais de metanfetamina.


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Maconha

Depois do álcool, maconha é provavelmente a segunda droga mais comum usada no quarto. Assim como a bebida, histórias sobre transar chapado são comuns e diversas. Algumas pessoas descrevem a maconha como um afrodisíaco, as deixando mais duras, lubrificadas e sensíveis, ou um relaxante. Outros dizem que isso diminui o interesse por sexo. Apesar da variedade de histórias, estudos sobre cannabis e sexo sugerem que a maioria dos usuários experimente efeitos positivos transando chapados.

"Geralmente, dois terços dos usuários relatam algum tipo de melhora sexual", escreveu Mitch Earleywine, psicólogo que estuda cannabis na SUNY Albany, para a VICE. "[Pesquisas antigas sugerem] que os homens acham que são mais atenciosos com suas parceiras depois de usar a planta, e a maioria das pessoas diz que isso melhora o orgasmo, além de aumentar a excitação e a responsividade gerais."

Há várias teorias sobre os ajustes neuroquímicos que a maconha faz nos cérebros para alcançar isso. Porém, no geral, sabe-se que a maconha amplia as sensações, o que pode aumentar ou derrubar o desejo sexual, dependendo do estado mental e do ambiente onde a pessoa esteja acendendo seu beck.

Como Earleywine explicou: "Os canabinoides modulam a reatividade da amídala para estímulo no geral, e a amídala tem muito a ver com qualquer sentimento forte, especialmente os sexuais. Nesse sentido, a cannabis pode fazer a amídala interpretar estímulos normais como mais divertidos ou sexuais do que eles pareceriam de outra maneira".

Mas como qualquer um que teve uma bad trip pode relatar, a maconha também aumenta o medo e a depressão, além de causar paranoia. Isso pode acabar com o sexo ou te distrair de um impulso sexual. Também é importante apontar que estudos relacionam uso crônico com diminuição da fertilidade e disfunção erétil.

Ativistas antimaconha tentaram recentemente rotular a erva como uma nova droga de estupro. Apesar de a maconha alterar o estado da mente, isso não aumenta comportamentos sexuais perigosos como o álcool e a metanfetamina fazem. E, considerando que a droga está sendo regulamentada em vários estados dos EUA, isso, para muitos amantes por aí, provavelmente irá oferecer o melhor equilíbrio entre segurança e confiabilidade da lista.

No entanto, devido à falta de pesquisas e de suas idiossincrasias, não podemos dizer o mesmo sobre os efeitos dos canabinoides sintéticos, que não são recomendáveis sob nenhuma circunstância.

Ilustração: Carly Jean Andrews.

Ecstasy

Passando pelas várias histórias de sexo casual envolvendo MDMA na base de dados do CSP, você poderia pensar que o ecstasy, uma droga única que compartilha qualidades com anfetaminas e alucinógenos, seria apenas mais um estimulante de sexo selvagem. Vejamos o conto de um "DJ", um homem de 30 anos de Connecticut que usou isso para melhorar o sexo com uma amiga adulta que conheceu num site de namoro: "Em certo ponto da noite, senti como se estivéssemos em outro lugar e outro tempo, que nada importava além do prazer do momento. Foi muito incrível. A noite começou às 7 horas e não paramos de fazer amor até as 7 da manhã".

Isso parece uma maratona como a da anfetamina – talvez mais carinhoso que sexo com metanfetamina, mas, ainda assim, uma maratona. E, em alguns estudos, metade dos usuários disse experimentar um aumento do desejo sexual, reforçando a conexão da droga com efeitos estimulantes. Entretanto, isso não faz muito sentido se considerarmos as propriedades farmacológicas do MDMA.

"MDMA puro produz euforia e sentimentos de empatia na maioria das pessoas", explicou Karen McElrath, professora da Fayetteville State University e pesquisadora do MDMA. "Vários indivíduos que usaram MDMA puro vão experimentar sentimentos de proximidade emocional (mesmo com estranhos), o que pode incluir sensualidade, mas sem o desejo de sexo penetrativo."

Tanto McElrath quanto Zvi Zemishlany, um professor da Universidade de Tel Aviv e autor de um dos estudos que ligam o MDMA a experiências estimulantes, sugerem que as escapadas sexuais das pessoas sob efeito do ecstasy geralmente são o resultado de pílulas e pós impuros – ou misturados com outras drogas.

Algumas pessoas ainda tentam usar as qualidades de empatia do MDMA para melhorar o sexo. No entanto, com mais frequência, elas relatam impedimentos sexuais provocados pelo entorpecente, de diminuição do desejo sexual a disfunção erétil. Desde que isso não cause ansiedade (o que pode acontecer), o MDMA parece mais propício para momentos de carinho sem sexo.

Mas não está claro se essas propriedades emotivas se estendem às variantes do MDMA – ou seja, catinonas sintéticas como MDPV (ou sais de banho), geralmente vendidos como MDMA nas ruas dos EUA.

McElrath explicou: "Catinonas sintéticas foram ligadas à excitação sexual, porém essa relação foi pouco pesquisada. Claramente, as catinonas sintéticas contêm propriedades como a da metanfetamina, e, como outros estimulantes, isso pode aumentar o desejo sexual e estender a atividade sexual". Além de, claro, provocarem riscos.

Alucinógenos

Psicodélicos e desassociativos (uma classe ampla que cobre de DMT a LSD e de quetamina a PCP) estão entre as drogas mais subjetivas e não confiáveis do mundo. Num relato do sexo sob o efeito de LSD, "Matthew", um cara de 33 anos de Austin, Texas, descreve uma viagem particularmente cheia de tesão aos 16 anos na base de dados do CSP, o que faz isso parecer um afrodisíaco:

"Dei em cima de todas as garotas porque eu conseguia sentir o cheiro da luxúria se eu chamasse a atenção delas... agarrei o quadril de uma garota e a puxei para perto dos meus lábios, aí eu parava porque o flerte estava acontecendo na frente dos nossos amigos. Sei que eles estavam dizendo alguma coisa, mas estávamos no nosso próprio mundo."

Só que, para outros usuários, LSD é uma distração muito grande; além disso, as viagens são muito estranhas para se entrar numa vibe sexual.

O mesmo é verdade para a psilocibina (ou cogumelos). Alguns descrevem isso como algo capaz de criar uma luxúria primordial, quase como a da metanfetamina. Outros preferem falar disso como o efeito de empatia do ecstasy. Esse foi o caso de "Anna", uma mulher de 33 anos do sul dos EUA, contando uma viagem aos 18 anos no CSP. Cogumelos a fizeram se sentir próxima até de um garoto por quem ela nunca teve sentimentos antes, embora isso não tivesse impacto em seu desejo físico.

Mas é possível ver essa variedade de efeitos para cada droga desassociativa e psicodélica, seja DMT ou quetamina, peiote ou PCP. Esses entorpecentes se unem por uma coisa: imprevisibilidade.

De acordo com Johnson e Michael Kometer, um neuropsicólogo que estuda estados alterados da mente e consciência na Universidade de Zurique, muito disso tem a ver com o grande efeito que essas drogas têm no cérebro humano. Cada uma afeta os receptores de maneira ligeiramente diferente. LSD tem um efeito amplo, o que torna isso particularmente imprevisível. DMT tem um efeito forte; então, você pode se sentir imobilizado e longe de poder fazer sexo. E PCP e quetamina afetam o cérebro profundamente, o que as torna destrutivas e arriscadas – elas até podem provocar parada respiratória, por exemplo. Porém, apesar das pequenas variações, elas tocam alguns mesmos pontos para relaxar nossos padrões de pensamento.

"Temos de aprender mais sobre isso, mas parece que elas meio que tiram sua própria identidade", comentou Johnson. "Você pode pensar nisso como uma forma mais irrestrita de consciência... isso pode resultar em pânico e ansiedade, com a perda das fronteiras do ego e confusão, [ou] isso pode levar a estados estáticos de sentimentos intensos de união com o universo e tudo mais."

Dependendo de quem seja a pessoa, de onde ela está e do seu estado mental, as experiências de sexo alucinógeno podem ser inteiramente diferentes. Isso é algo totalmente idiossincrático e impossível de se estudar. Só que, baseado no que vimos em estudos de psilocibina, Johnson suspeita que essa perda de ego leve a um tipo de empatia que seja especialmente útil para reacender o romance de casais juntos há muito tempo. Isso sugere que é mais provável ter boas experiências de sexo psicodélico entre pessoas que se sintam confortáveis juntas, não alguém entre pessoas que acabaram de se conhecer.

Ilustração: Carly Jean Andrews.

Nitritos

Mais conhecidos como poppers, os nitritos provavelmente são as drogas dessa lista mais diretamente associadas ao sexo. Apesar de idas e vindas com a lei, em alguns países é legal comprar poppers, desde que os vendedores usem um nome eufemístico; logo, não é surpresa encontrar tantas histórias sobre sexo sob efeito de nitritos flutuando na internet.

Poppers podem relaxar o corpo e frequentemente proporcionam um breve (porém intenso) arrebatamento. No CSP, um indivíduo não binário de 19 anos de Nova York fala sobre as propriedades relaxantes da droga ao relatar uma história de sexo com um homem de 41 anos que conheceu pelo Grindr:

"Ele me ofereceu poppers... e pude sentir isso relaxando meu corpo, tornando o sexo mais tolerável."

Enquanto isso, "Peter", um homem de 33 anos do Reino Unido, apesar de se considerar principalmente hétero, se envolveu numa experiência sexual com outro homem e experimentou poppers pela primeira vez. Ele se concentrou no barato intenso que ele experimentou:

"A sensação foi intensa, achei que minha cabeça ia explodir, e foi como se nós dois tivéssemos sido possuídos por alguma coisa. Senti que o queria tanto que morreria se não o tivesse. Foi realmente intenso e empoderador... não lembro muita coisa depois disso, pois, nos minutos seguintes, me senti com muito tesão e gozei muito forte."

Mesmo que isso soe um tanto extremo, poppers são psicologicamente muito simples. Frequentemente nitrito de amilo, embora às vezes seja composto por soluções de isobutila, ciclohexila, isopentil ou nitritos de isolamina, os poppers são vasodilatadores – substâncias que relaxam os vasos sanguíneos. E o mais importante para o sexo: eles não apenas relaxam os vasos sanguíneos mas também todos os tecidos moles, incluindo o ânus e o esfíncter – um combo que os torna ótimos para quem está interessado em sexo anal.

Poppers podem ser especialmente perigosos se não forem armazenados corretamente. Eles também causam queimaduras em contato com a pele e são muito inflamáveis. Eles oferecem riscos para pessoas com certos problemas de saúde, e, apesar de seus efeitos de prazer estratégicos se misturarem bem com muitas drogas, é muito arriscado juntar isso com tratamentos para disfunção erétil, porque a queda na pressão pode causar desde um desmaio temporário até a morte dependendo da saúde da pessoa. Sem mencionar que sexo anal mais relaxado pode significar sexo mais violento, levando a ferimentos e sangramento, o que torna mais fácil contrair uma doença.

Shoptaw também alertou os usuários que nem todos os poppers no mercado hoje são nitritos. O que quer dizer: tome cuidado com o que você coloca no seu corpo.

Opiáceos

Opiáceos, uma classe contendo heroína, vários analgésicos e sedativos, provavelmente é a categoria menos sexy da lista. Isso faz sentido, considerando que opiáceos vêm alimentando o aumento nacional de mortes por overdose nos EUA. O único relato na base de dados do CSP que aparentemente inclui qualquer tipo de opiáceo vem de uma mulher de 32 anos de Seattle que se envolveu com um surfista nas férias em Oahu depois de sofrer um pequeno acidente praticando o esporte: após usar a droga, ela caiu dormindo em cima dele ao misturar acidentalmente analgésicos e álcool. Relatos anônimos de outros sites de drogas também falam dos opiáceos como algo que derruba o desejo sexual, tornando impossível atingir o orgasmo durante o sexo, isso quando não te colocam simplesmente num total estupor.

Os opiáceos estão entre os narcóticos menos estudados quando se trata de sexo porque, de acordo com Johnson, o uso disso no sexo é extremamente raro para ser considerado.

"Eles estão numa classe diferente dos sedativos clássicos como barbitúricos", ele frisou. "Porém, no nível básico, eles sedam. Alguns têm mais probabilidade de ficar com sono e dormir usando isso, e você tem de estar acordado para fazer sexo consensual."

McElrath acrescenta: "Uma grande quantidade de dependentes de heroína tende a experimentar baixo desejo sexual mesmo com parceiros de longo prazo".

Isso parece estar ligado à farmacologia dos opiáceos, que aparentemente se ligam a pedaços do cérebro de tal maneira que inibem a produção de substâncias associadas ao desejo. Isso vai desde a codeína até a heroína. Certos opiáceos são mais viciantes que outros, embora alguns sejam mais bem controlados em doses médicas. No entanto, nenhum deles difere muito nos efeitos sexuais.

Dito isso, você pode encontrar uma minoria dizendo que curte sexo sob efeito de opiáceos: ou porque uma pequena dose pode fornecer um senso alterado de tempo, prolongando a experiência sexual (especialmente para pessoas lidando com ejaculação precoce), ou porque eles podem aumentar o relaxamento e o conforto, ou só porque eles te fazem sentir meio alto, mesmo que ainda acordado.

Só que, para a maioria das pessoas, os opiáceos não são drogas boas para o sexo.

E AGORA?

Usar entorpecentes pode ser bem perigoso, e geralmente isso é uma aposta quando se trata de aumentar o prazer do sexo, especialmente com drogas compradas no mercado negro. Mesmo que você já tenha experimentado uma delas antes, acrescentar sexo à equação é um novo fator experimental que você precisa levar em consideração; assim, é bom ter cuidado. Ou você pode fazer sexo sóbrio, que já é arriscado o suficiente nos dias de hoje, considerando todas as doenças e os parceiros estranhos que você encontra por aí.

Há poucas pesquisas científicas sobre a maneira como as drogas afetam o sexo, o que torna ficar doidão e transar ainda mais arriscado. Uma coisa que podemos dizer com certeza é que cada experiência de sexo chapado é única. Ou seja, não aceite a palavra de ninguém quando se trata do que você coloca no seu corpo e nunca esqueça que seus parceiros podem não se sentir da mesma maneira sob o efeito de uma droga em particular. Se você tem perguntas sérias sobre drogas, sexo e seu corpo, é melhor procurar um médico. Ah, e sempre use camisinhas.

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