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O Costume Suíço de se Votar Bêbado e Armado

A ideia provavelmente é que quem carrega uma arma em público só pode se tratar de um ser humano racional, que merece ter sua opinião levada a sério.

por Michel Schultheiss
19 Maio 2015, 10:30am

Todas as fotos por Evan Ruetsch.

O Landsgemeinde, ou "assembleia cantonal", é a forma mais antiga de democracia direta – um ritual de voto rural com raízes no século 16. Basicamente, todo mundo apto a votar se reúne na praça da cidade e sinaliza sua opção em qualquer questão discutida num determinado dia. Todos os presentes têm o direito igual de dar sua opinião ou protestar uma noção; além disso, todas as decisões finais são feitas levantando as mãos. As únicas pessoas na praça que não podem votar são os funcionários de serviço, que ficam muito ocupados repondo cervejas e salsichas para os eleitores. Afinal de contas, o melhor jeito de se tomar uma decisão é depois de encher a cara.

Para se ter uma ideia do ritual, fomos à cidade suíça Appenzell Innerrhoden, um dos dois distritos suíços onde o Landsgemeinde ainda é praticado. Essa é uma das assembleias mais antigas do país, em que as mulheres só conseguiram o direito de votar 25 anos atrás.

Historicamente, os homens provam seu direito ao voto carregando uma baioneta ou outra arma. A ideia provavelmente é que quem carrega uma arma em público só pode se tratar de um ser humano racional, que merece ter sua opinião levada a sério.

Os músicos locais da Harmony Appenzell marcaram o início da assembleia fazendo o hino nacional suíço parecer a "Marcha Imperial". Uma trilha sonora apta para a marcha dos dignitários locais e seu convidado de honra, o Ministro do Comércio, que tradicionalmente se coloca à frente da assembleia.

Nesse dia em particular, o povo de Appenzell Innerrhoden se reuniu para eleger seu novo "capitão municipal": o "prefeito do vilarejo" suíço. As opções eram um cara de direita, famoso localmente por ser dono de um campo de golfe, e um fazendeiro sem agenda política real.

O processo eleitoral foi cheio de pints, frustração e proposições engraçadinhas de candidatos de última hora. Por todas as intenções e propostas, o evento foi um show bizarro. Depois da última votação, o fazendeiro saiu vitorioso. Claro, a assembleia foi um pouco mais dramática do que as eleições às quais estamos acostumados, mas parece que esse pessoal se divertiu muito mais votando do que os eleitores do Reino Unido na semana retrasada.

Tradução: Marina Schnoor