Sexo

Charmosas Fotos Pornográficas de Prostitutas Francesas dos Anos 30

A maioria das fotos foi tirada em um bordel na Rue Pigalle.

por MONSIEUR X e GEOFFREY LE GUILCER
02 Março 2015, 12:30pm

Nota: Esta matéria contém imagens de nu frontal.

Alexandre Dupouy é um arqueólogo sexual. O colecionador francês passou a vida reunindo o que ele define como "lixo erótico e pornográfico". Sua loja, a Lágrimas de Eros – que só abre com hora marcada –, vende pinturas, imagens e objetos sexuais há quase meio século. É tipo um pequeno museu que conta a história do sexo na França. Em 1975, um amigo livreiro ligou dizendo estar com um velho cavalheiro que tinha "algo especial para mostrar". O que ele tinha era um carro de luxo com o porta-malas cheio de fotografias em preto e branco de prostitutas nuas e sorridentes dos anos 30. Ele explicou que tinha tirado a maioria das fotos num bordel na Rue Pigalle. Sabendo que seus dias estavam contados, o homem concordou em compartilhar as imagens desde que permanecesse anônimo. Esse senhor ficaria conhecido como "Monsieur X".

Quase quatro décadas depois, Dupouy decidiu republicar pela La Manufacture Books parte dessa coleção incrível num livro chamado Mauvaises Filles. A obra é uma coautoria de Dupouy e Monsieur X. Como o fotógrafo não está mais vivo, decidi trocar algumas palavras com Dupouy sobre o livro.

VICE: Como você descreveria uma típica prostituta parisiense do começo do século 20?
Alexandre Dupouy: O perfil típico era de uma garota que veio até Paris para ganhar dinheiro a fim de alimentar a família, que provavelmente morava numa fazenda do interior. Faminta e desempregada, a garota podia cruzar com uma madame que prometia abrigo e comida. Ela acabava com dez ou 15 garotas na mesma situação. Na época, uma prostituta ganhava quase dez vezes mais que um trabalhador comum. Em 1900, um trabalhador recebia normalmente dois francos por dia, enquanto uma prostituta de rua cobrava cinco francos por trabalho – 10 francos se estivesse num bordel.

Quais eram as condições de trabalho de uma prostituta na época?
De certa maneira, era algo similar ao esporte. Uma prostituta podia trabalhar por dois ou três anos antes de ficar prejudicada. Doenças eram comuns, e acesso à proteção era quase nulo. Camisinhas já existiam, mas não eram obrigatórias. As garotas se limpavam com algo chamado "esponja higiênica". As esponjas, claro, não tinham nenhuma eficiência.

Alguns dizem que Paris costumava ser a capital mundial da prostituição, certo?
Por volta dos anos 20, isso já tinha se acalmado um pouco. Mas, por um século antes disso, com certeza. De Madeleine a Bastilha, Paris estava cheia de distritos da luz vermelha.

No começo do século 20, a cidade era um centro de prostituição. Naquela época, os homens não tinham uma vida sexual muito excitante com as esposas. Além disso, um homem de classe média casava por volta dos 35 anos. Havia sempre um tio mal comportado para mostrar os prazeres de um bordel quando um garoto atingia a adolescência.

Como você reagiu à coleção do Monsieur X?
Ficou imediatamente óbvio que aquilo era algo único em termos de qualidade e quantidade. Havia centenas de fotos. Passando uma por uma, elas dão uma ótima ideia de como era a vida na Rue Pigalle.

Como você trabalhou nessas fotos sem poder verificar datas, época ou qualquer informação precisa?
Dada a quantidade de fotografias, assumi que esse trabalho foi feito durante uma década. Levando em conta o modelo de alguns carros que aparecem nas fotos, estimo que elas foram tiradas entre 1925 e 1935. Finalmente, como algumas imagens foram feitas num balcão muito distintivo, imagino que o bordel se localizava no número 75 da Rue Jean Baptiste Pigalle.

Foi difícil descobrir mais coisas?
Não. Achamos mais fotos dele que não eram eróticas. Fotos de mulheres de classe alta tiradas em belas casas. Hoje, quando suas imagens são vendidas nos leilões da Rue Drouot, elas são rotuladas como do "Monsieur X". O cara realmente ganhou respeito como fotógrafo postumamente.

Atrás das fotos, Monsieur X escrevia os nomes de cada garota: Mado, Suzette, Gypsi, Mimi, Nono, Pepe, etc.
O Monsieur X devia ser bem próximo e generoso com essas damas. É incrível como as garotas parecem relaxadas nas fotos – elas estão realmente se divertindo. Há até algumas fotos à beira do Marne. Ele também dirigiu dois filmes de dez minutos, filmados tanto indoor como ao ar livre. Essas peças revelam sua maior fantasia: colocar duas garotas juntas. Uma interpreta uma garota modesta, enquanto a outra tenta ser uma striper.

Também há muitas similaridades com A Origem do Mundo, de Gustave Courbet. Ele também gostava de exibicionistas. Ou com E.J. Bellocq, um fotógrafo de Nova Orleans que também era cliente regular de um bordel local e que, eventualmente, fez amizade com as garotas para poder tirar fotos.

Esse bordéis eram legalizados?
Em Paris, os bordéis continuaram legais até 1946. A maioria dos grandes bordéis já tinha fechado as portas em 1925. O Sphinx era um bordel típico dos anos 30: havia um bar e um restaurante, e mulheres também podiam entrar. Esses novos pequenos bordéis eram chamados de "casas de tolerância". Políticos, tanto gaullistas como comunistas, acusaram alguns donos de bordéis de trabalhar para os alemães durante a ocupação.

E era mesmo o caso?
Depende. O One-Two-Two (122, Rue de Provence) foi realmente usado por alemães. O Sphinx era, de acordo com as memórias da madame, mais próximo das redes de resistência. As acusações mais sérias eram as de que os alemães davam a muitos bordéis champanhe e boa comida. Se uma mulher estava engordando, enquanto outras passavam fome, você sabia que ela não estava muito interessada na libertação.

Como você vê o estado atual da prostituição na França?
Vejo que a prostituição diminuiu aos trancos e barrancos – não há mais muitas prostitutas. Acho que isso se deve às relações conjugais. No século 19, se um homem burguês pedisse [à esposa] uma felação, ela negaria. E, quando aceitava, ela nem sempre sabia fazer – as mulheres frequentemente machucavam seus maridos.

É por isso que o papel da prostituta está morrendo. Hoje, os clientes regulares são também os mais deprimentes: pessoas que não transam há anos, maridos que gostam de trair as esposas ou milionários erotomaníacos – o tipo Dominique Strauss-Kahn.

Tradução: Marina Schnoor