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Edição Papel Para Bunda

Quando Éramos Tupinikings

Os primórdios do hip hop no Brasil em fotos

por André Maleronka
16 Janeiro 2012, 12:00am

"Nessa foto estão o Thaíde e o Marcelinho, ambos da Back Spin, e virou a capa do livro. Ela foi tirada pelo Rooneyoyo e eles estavam no ônibus indo sentido Parque do Ibirapuera pra dançar."

Fotos por Kaseone e Rooneyoyo

A partir de 1985 o B-Boy e grafiteiro paulistano Kaseone começou a fotografar e coletar imagens e matérias sobre a cena hip hop. É só agora que ele apresenta para o mundão a primeira parte desse acervo, no recém-lançado livro HIP HOP Cultura de Rua. Não é por acaso que o tomo empresta seu nome do LP coletânea com mais de 60 mil cópias vendidas no ano de lançamento, 1988 – é até esse ano que essa publicação trata.

É a época do ocaso da "moda do break" que havia tomado de assalto o Brasil até 1984, e a solidificação da camarilha das quatro formada pelas principais gangues de dança de rua de São Paulo: Back Spin King's, Crazy Crew, Nação Zulu e Street Warrior's; e vai até o início da ascensão dos MCs e DJs como as figuras mais identificáveis da cultura hip hop pro público em geral.

As gangues foram influenciadas pelo Nelson Triunfo, pioneiro da dança de rua, que levou a dança dos bailes pra Rua 24 de Maio. Fugindo das acusações de "vadiagem" da polícia (que rendiam chás de cadeira nas delegacias), os rachas desse quarteto fantástico migraram para o Parque do Ibirapuera e mais tarde para a Estação São Bento. Está tudo ali no livro como se fosse música para os olhos: a camaradagem, os rolês, a tensão, os improvisos, os lindos dias e corpos elásticos em movimento rítmico. Com a biografia do Homem Árvore Nelsão anunciada para logo menos e os planos de Kaseone para outras publicações (ele ainda tem mais de 200 fotos inéditas em seu acervo pessoal) ainda para 2012, dá para enxergar que isso tudo é um motocontínuo. Selecionamos algumas de nossas imagens preferidas (são quase 80 no livro) e pedimos para o Kaseone nos contar as histórias por trás delas.

Você pode comprar o livro HIP HOP Cultura de Rua com as fotos do Kaseone, feito com curadoria de Raul Dias, e realizado com apoio do programa VAI da Prefeitura de São Paulo em www.hiphopculturaderua.com.br


"O pessoal foi pro Circo Voador, Nação Zulu e Back Spin, a convite do pessoal de lá pra fazer uma apresentação. Mas nesse dia armaram uma arapuca pra nós: juntaram todas as gangues do Rio pra rachar com SP, 40 contra 20. Durou quase duas horas. No final os caras ainda queriam brigar com o pessoal de SP porque não admitiam os movimentos, as posturas, mas os rappers que tavam lá, o D2 e o B-Negão, deram uma ajustada no clima pra não ferver."


"Roda do Ibira(puera), o dançarino que tá aqui é o Geleia, que é da primeira formação da Back Spin. Esse foi um dia que o pessoal se encontrou sem marcar, acabou chegando lá um monte de gangue junta, e o racha comeu, foi só pancadaria [risos]."


"Essa é o Rooneyoyo e osgemos. Não sei se foi 86 ou 87. O Rooneyoyo foi um dos caras que fez os primeiros eventos de b-boy com público abrangendo todos os Estados. Ele começou com uma festa chamada B-boys Battle Party ali na [Av.] Rio Branco. Rolou durante uns 9 anos, depois ele fez a primeira Batalha do Ano que deu umas 3 mil pessoas."


"São Bento. O Thaíde está ali com umas ataduras na mão – todo mundo falava que ele ia lutar boxe, mas ele fazia um moinho de vento onde ele abria os braços e raspava, saia um pouco o couro, machucava muito. Atrás está o Mad Zoo, ao fundo o DJ Hum, com os toca-discos, e nem era Technics, era Garrard, de madeira. A gente tinha uma bateria de carro, e o Hum fez um esquema com um cara. Os rádios de baixo ficaram só de apoio, e com o de cima fizeram um esqueminha, e dentro tinha um mixer Tarkus daqueles pré-históricos."


"O MC Jack era da Crazy Crew. Na São Bento dessa época de 84 até 89, quando surgiu o disco, ele foi um dos caras que liderou e levou o nome da gangue. Ele também foi o primeiro cara que era b-boy, MC e DJ ao mesmo tempo, e o primeiro DJ que estava na cultura a entrar no DMC [World DJ Championships] e representar o Brasil lá fora na final em Londres."


"Essa tem um lance legal: fomos contratados pra fazer um show de aniversário pra Luciana Vendramini. A gente lançou o Cultura de Rua em 89, e em novembro, se não me engano, ela fechou a boate Columbus no Rio e levou todo mundo pra lá: cinco gangues, umas 40, 45 pessoas. O giro é o Allan Beat, no fundo tá o Rooneyoyo."


"Nessa foto estão os componentes originais da Street Warrior's. Do lado esquerdo Silvão, depois Allan Beat, que hoje é DJ do Sampa Crew, o Mancão à sua direita, e em cima o Didi, irmão do Allan. Essa foi uma das gangues mais encrenqueiras e que mais deu dor de cabeça para um monte de gente, porque eles tinham um estilo diferenciado, eles forçavam muito o lado ginasta, de moves, coisa que as outras gangues não tinham."


"Esse pessoal estava indo para o Teatro Mambembe de metrô: Marrom, Fantastic Chic, Cool G, o DJ Mad Zoo, que hoje é renomado na música eletrônica, o Dope 69 do Código 13. Maioria Nação Zulu, com o pessoal da Originais do Break no fundo."

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