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Por que Somos Tão Obecados com a Auto-Identificação nas Mídias Sociais?

A artista digital e rainha do tumbr que virou curadora, Molly Soda, examina sua própria rede de relacionamentos em uma nova exposição na galeria STREAM.

por Andrew Nunes
21 Agosto 2015, 7:15pm

Molly Soda em frente aos trabalhos da SAME. Foto do autor.

Pense quantas vezes você viu a palavra “self” escrita por um amigo, conhecido ou total estranho em seus feeds, timelines e atualizações. Um estranho dizendo para outro como eles podem “se identificar” virou parte de como as pessoas interagem no ambiente digital hoje em dia.

Esse jeito conectado de interação serve como base para a última exposição de Molly Soda, SAME, a exposição mais recente na STREAM, uma galeria que tem apenas dois anos e já é reconhecida por sua inovação no bairro do Brooklyn, em Nova York, nos Estados Unidos.

Soda, uma artista digital e agora curadora, havia interagido com os quatro artistas presentes na exposição apenas em um contexto online. Com o passar dos dias, ela acabou se identificando com seus trabalhos.

Me Vs. Others, Laurence Philomène, 2015

Os trabalhos em SAME operam em um espectro emocional que reflete as tendências dos espectadores em relação a sua autoidentificação com elementos aparentemente pessoais. Também vislumbram as complexidades da experiência individual em inumeráveis cenários. Sem Título (2015), um de vários retratos por Nooran Matties, mostra uma jovem garota sentada no chão de uma cozinha olhando para uma geladeira aberta com as costas voltadas para a câmera. O ato na imagem é identificável (quem nunca olhou para a luz de uma geladeira?), mas os tons escuros da imagem e a linguagem corporal da mulher inclinada sugerem uma história mais escura, escondida por trás da natureza relacionável da imagem.

A artista Brie Moreno apresenta uma série de ilustrações na exposição. Uma figura preta e branca com uma proporção estranha segue os movimentos de uma rotina diária que incluem frequentes meditações sobre ansiedade enquanto ela luta para conseguir fazer o que pretendia. O texto em cada quadrinho está espaçado desigualmente e desorientado, o que aumenta a ideia da luta do mundano.

Caught, Molly Soda, 2015

Soda, que contribuiu com duas grandes impressões em tecido com retratos voyeurísticos, escolheu criar e curar SAME como uma mudança de ritmo de como ela costuma praticar sua arte. “Fazer algo físico é bem diferente da minha prática comum, que é quase sempre feito digitalmente e disseminado no Tumblr," ela disse ao Creators Project.

Enquanto ela parece satisfeita com a exposição, sente, ao mesmo tempo, “uma pequena insatisfação com a acessibilidade” já que uma localização física fixa torna mais difícil a experiência do que imagens no Tumblr.

Vista da exposição SAME

Vista da exposição SAME

Tradução: Pedro Graça.

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