As incontáveis vezes em que Diego Maradona driblou a morte

A lenda do futebol se viu diante da morte várias vezes – mas sempre deu um jeitinho de passar incólume. Alguém aí falou na mão de Deus?
09 Novembro 2017, 2:43pm
Crédito: Presse Sports-USA TODAY Sports

Há 57 anos, uma humilde família trouxe ao mundo aquele que seria um dos maiores jogadores de futebol da história. Ninguém que que sai do nada e se vê no centro de tudo chega lá sem duros obstáculos. No caso de Diego Maradona, muitos dos percalços eram criados pelo próprio: por diversas vezes sua saúde dava o recado de que era chegada a hora. Ao longo deste texto, veremos alguns dos momentos críticos que fizeram de Maradona uma lenda – uma lenda viva, diga-se – do esporte.

De um resort na praia no Uruguai à terra de Fidel Castro

Para Maradona, o ano 2000 quase começou e encerrou no mesmo mês. Em férias na praia uruguaia de Punta del Este, o gênio do futebol foi parar no Sanatório de Cantegril com um diagnóstico de “crise hipertensiva e arritmia ventricular” – resultado de uma overdose de cocaína.

Jorge Romero, o médico recém-formado convocado à casa onde Maradona passava a tarde, descreveu o ocorrido durante entrevista com o jornal El País: “Quando cheguei, logo me botaram pra dentro. Não vi Maradona, mas um homem que estava às portas da morte, em coma, estirado em uma poltrona, cercado de pessoas que não sabiam lá muito bem o que fazer.”

Após dois dias na UTI, o jogador começou a respirar por conta própria. De acordo com seu representante na época, Guillermo Cóppola, a volta de Maradona ao mundo dos vivos foi digna do camisa 10. “Certa noite, cheguei no quarto e vi um cara lá ligado num monte de máquinas. Era Diego e ele me dizia ‘Guille, me traz um bifão com ovos e batatas fritas e me tira daqui. Onde estou?”

Depois do susto e de cair fora do Cantegril, Maradona, sua família e amigos precisavam lidar com uma doença que estava descontrolada. Após idas e vindas entre Estados Unidos e Canadá, foi decidido que Diego começaria sua reabilitação no Centro Nacional de Saúde Mental (CENSAM) de Cuba.

A viagem de Maradona à ilha seria mais uma saga com contornos únicos, cheios da magia de Maradona, que, dentre outras coisas, o faria ter ligação eterna a Fidel Castro, Che Guevara e ideais socialistas. Maradona e Castro seguiram amigos até a morte do comandante, com o próprio Maradona entrevistando Castro cinco anos após seu primeiro encontro, durante próprio programa de TV do argentino.

Mas isso já é outra história.

Dois ataques cardíacos em um mês

“Jesus foi ressuscitado uma vez. Já você, várias.” Diversos cartazes como esses foram afixados na entrada da Clínica Suíço-Argentina. Era o povo que ia conferir as novas. O coração de Maradona, mais uma vez, parecia dar sinais de não aguentar o ritmo de Diego. Era abril de 2004 e Maradona, muito acima do peso, estava em estado grave na UTI do hospital.

O diagnóstico era de grave hipertensão, acompanhada de pneumonia, e após uma semana respirando com ajuda de aparelhos, a recuperação do craque parecia estranha combinação de milagre com teimosia. Quatro dias se passaram sem o respirador e Diego deixava o hospital por contra própria, desobedecendo ordens médicas.

Em cerca de um mês ele voltaria ao hospital, mais uma vez com hipertensão aguda. O segundo susto foi além da conta para a família do ex-jogador e a decisão foi unânime: internação em uma clínica especializada em Buenos Aires – a Clínica del Parque – desta vez, por quatro meses. A coisa toda acabou levando a mais uma viagem ao CENSAM de Cuba, para uma estadia de 70 dias. Em menos de um ano Maradona era um homem novo, bem mais magro e com seu próprio programa televisivo, o épico La Noche del 10.

Boatos de sua morte

Argentina, abril de 2007. De um lado, diversos sites de notícias fora do ar, dezenas de ligações de veículos internacionais e a principal emissora do país exibia uma tela preta no lugar de sua programação normal. Do outro – e imagine você se estivéssemos em 2017 – correntes de SMS, boatos em salas de bate-papo e blogs. Até mesmo o Ministro da Saúde ecoava alguns dos rumores: estaria Diego Maradona morto? À época, ele passava por mais uma internação relacionada ao seu uso de drogas, sua última, na Avril Clinic em Buenos Aires. De alguma forma, e a fonte nunca ficou clara, começaram a circular boatos de que o pior havia acontecido e não demorou para que a conversa chegasse ao mais alto escalão do governo: o Ministro da Saúde argentino daqueles tempos, Ginés González García, entrou em contato com os médicos responsáveis pela internação de Maradona.

A resposta veio na voz de sua ex-esposa, Claudia Villafañe: “Diego está bem. Todos estão falando dele, mas não comentam de onde vem os boatos porque teriam que arcar com uma mentira.”

Pouco depois de um ano após sair da Avril, Maradona, mais uma vez melhora sua forma. Assume a seleção argentina durante as qualificatórias da Copa do Mundo, sendo seu treinador até a Copa do Mundo na África do Sul, em 2010, certamente algo que gostaria de fazer novamente no 30 de outubro deste ano, quando completou 57. Desejamos a Diego tudo de bom e esperamos que suas histórias continuem preenchendo estas páginas aqui e outras pelo mundo todo.

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