VICEhttps://www.vice.com/pt_brRSS feed for https://www.vice.comptThu, 13 Dec 2018 18:27:12 +0000<![CDATA[Você não está sozinho: conheça redes de apoio a jovens com HIV]]>https://www.vice.com/pt_br/article/9k48vp/voce-nao-esta-sozinho-conheca-redes-de-apoio-a-jovens-com-hivThu, 13 Dec 2018 18:27:12 +0000 Uma garota descobriu sua soropositividade aos 10 anos e cresceu com dificuldade de tomar a medicação para o controle do HIV. Ela chegou a receber acompanhamento de uma psicóloga, mas, ainda assim, não conseguia seguir com os remédios.

Na faculdade, não tinha ânimo. Sentia-se sem perspectiva. Dizia que os medicamentos a faziam lembrar de todo o preconceito que tinha sofrido. Até o dia em que resolveu participar de uma das reuniões do Viver Jovem, programa do Grupo de Incentivo à Vida (GIV).

Foi quando a relação da nossa personagem com o tratamento mudou. “As outras pessoas soropositivas da rede não a julgaram, foram compreensivas, fizeram um grupo de WhatsApp para ajudá-la a se medicar corretamente.

Neste mês, ela me contou que o vírus se tornou indetectável e que ela está terminando a faculdade”, lembra Andrea Ferrara, coordenadora do Viver Jovem. Essa é apenas uma das tantas histórias que se passam pelo Brasil, em grupos de apoio a jovens com HIV/AIDS. Além da preocupação com a saúde física, Andrea me diz que “a pior coisa do HIV é o preconceito”.

Eduardo Barbosa, coordenador geral do grupo Pela Vidda São Paulo e gerente do Centro de Referência da Diversidade (CRD), concorda e reforça que o estigma ainda é muito grande. “Isso faz com que muita gente fique totalmente fragilizada, em depressão, em negação da doença e do tratamento.” Por isso, ele ressalta a importância dos grupos de apoio, considerando que, nesses espaços, “as pessoas ganham referencial e encontram outros indivíduos na mesma situação. E, ao compartilhar experiências, conseguem se reorganizar”, justifica.

Claro que o primeiro passo após o diagnóstico é buscar ajuda médica. “A descoberta é impactante, mas eu sempre digo: ‘nós vamos tratar’”, pontua a Dra. Renata Wanderley, infectologista do Hospital Samaritano (RJ). “Além do direcionamento médico, sempre indico o acompanhamento psicológico para lidar com questões e emoções que surgem nesse momento. Uma das mais recorrentes no consultório é: ‘Para quem eu preciso contar?’ A resposta é que um paciente só precisa falar sobre o assunto com quem é capaz de ajudá-lo”, conclui a especialista.

Os grupos de fortalecimento costumam ser fechados para pessoa soropositivas. “São espaços seguros de troca”, destaca Andrea. “Recentemente, recebemos um rapaz que descobriu a soropositividade aos 19 e, até agora, aos 23, não conhecia outras pessoas na mesma condição. Ao ser inserido no grupo, ele ficou encantado, encontrou uma nova perspectiva”, lembra.

O fortalecimento psicossocial é fundamental, inclusive, para aumentar as chances de adesão ao tratamento. O motivo é simples: quanto antes o paciente adotar um comportamento favorável ao próprio bem-estar, mais rápido ele iniciará o uso dos remédios, a fim de reduzir sua carga viral a um nível indetectável.

Isso não só permite controlar a doença, como minimiza o risco de transmissão. “Indetectável é praticamente igual a intransmissível”, explica Eduardo. “Eu costumo dizer que é mais seguro ter relação (sexual) com alguém nessa condição do que com uma pessoa que nunca fez o teste”, opina.

Para combater o preconceito e ter forças para seguir o tratamento, é importante se cercar de pessoas aptas a dar suporte psicossocial. No Brasil, há redes de apoio a jovens portadores do HIV em todos os estados. Como requisito para ingressar, é preciso ter entre 15 e 29 anos e viver com HIV/AIDS. Para encontrar o mais próximo da sua casa, entre em contato com a Rede de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/AIDS.

Para saber mais, acesse: Rede Nacional de Pessoas com HIV/AIDS

Rede Nacional de Jovens e Adolescentes Vivendo com HIV/AIDS

Movimento Nacional de Cidadãs Posithivas

Siga a VICE Brasil no Facebook , Twitter , Instagram e YouTube.

]]>
9k48vpCarla CastellottiJoão Paulo VicenteCarla CastellottiHIVAIDSbranded contentPatrocinadorede de apoiodezembro vermelho[Americas Serviços Médicos
<![CDATA[Tudo que você queria saber sobre focas com enguias enfiadas no nariz]]>https://www.vice.com/pt_br/article/4397wp/tudo-que-voce-queria-saber-sobre-focas-com-enguias-enfiadas-no-narizThu, 13 Dec 2018 18:15:24 +0000Não tenho palavras para essa foto de uma foca-monge havaiana com uma enguia enfiada no nariz – só perguntas.

A foto foi compartilhada no Facebook na semana passada pelo Hawaiian Monk Seal Research Program, uma divisão da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA em inglês) na ilha de Oahu, no Havaí.

A foto foi tirada no verão numa ilhota do atol French Frigate Shoals, onde outra ilha desapareceu em outubro depois de ser atingida por um poderoso furacão. Focas-monge usam essas ilhas para criar seus filhotes. Cerca de 80% da população da espécie é encontrada no French Frigate Shoals e outras partes mais ao norte do arquipélago havaiano.

“Esse é o terceiro ou quarto caso de enguia no nariz que observamos”, me disse Charles Littnan, cientista-chefe e supervisor de pesquisa ecológica do Hawaiian Monk Seal Research Program.

Ninguém sabe como a enguia foi parar lá, mas Littnan tem algumas teorias.

“Focas-monge procuram alimento enfiando o focinho em fendas de recifes de coral, embaixo de pedras e na areia”, ele disse, e a enguia pode ter se agarrado à narina da foca para tentar se defender.

“Alternativamente, pode ter acontecido da foca ter engolido a enguia e a regurgitado depois pelo caminho errado”, acrescentou Littnan. “Nunca conseguiremos descobrir.”

Pesquisadores removeram a enguia por meio de “uma leve contenção da foca e um puxão firme”, o programa disse no Facebook. O processo levou 30 segundos. Infelizmente, a enguia não sobreviveu.

Mas a história fica ainda mais estranha.

Nas décadas em que os cientistas da NOAA monitoram as focas, eles só notaram esse fenômeno nos últimos anos.

“Não sabemos se é só uma anomalia estatística estranha ou algo que veremos mais no futuro”, disse Littnan.

Casos anteriores ocorreram na Ilha Lisianski no noroeste do Havaí, onde a NOAA também estudou o animal.

As focas-monge havaianas são uma espécie ameaçada e encaram várias ameaças incluindo doenças, tubarões predadores, encolhimento de seu habitat, detritos marinhos e ataques deliberados de humanos. O Hawaiian Monk Seal Research Program aponta que limitação de alimentos é um fator central para o declínio de algumas subpopulações.

A espécie é “altamente sensível” às consequências das mudanças climáticas, e a NOAA estima que restam apenas 1.400 indivíduos na natureza. Estudando os animais, o Hawaiian Monk Seal Research Program espera ajudar a espécie a se recuperar.

“Todas as focas que encontramos nessa situação foram rapidamente pegas e a enguia gentilmente removida”, diz Littnan.

Nenhum dos animais, ele acrescentou, parecia muito incomodado com o incidente.

Leia mais matérias de ciência e tecnologia no canal Motherboard .
Siga o Motherboard Brasil no Facebook e no Twitter .
Siga a VICE Brasil no Facebook , Twitter e Instagram .

]]>
4397wpSarah EmersonMarina SchnoorGuilherme PavarinMotherboardanimaisanimais exóticosespécieCiênciaenguias
<![CDATA[Festa de fim de ano da firma de A a Z]]>https://www.vice.com/pt_br/article/8xpex5/festa-de-fim-de-ano-da-firma-de-a-a-zThu, 13 Dec 2018 17:23:56 +0000Tá aqui o A a Z que o brasileiro gosta: tudo que você pode ver, viver, experimentar e lamentar sobre uma festa de final de ano da firma. Sem mais:

A

Aguentar o povo otimista da firma falando que ano que vem tudo será melhor

Amiga, vâmo fumá?

Anal (expectativa)

Ajudar seu amigo a encher o saco do DJ pra tocar a playlist This is Anitta do começo ao fim

Abraçar o chefe que você falou mal o ano todo

Ajudar o estagiário a limpar o vômito da roupa dizendo que isso acontece

Acabou a bebida

Agitar uma suruba e acabar no McDonald's

Acordar no jardim

B

Batalha de looks

Bonecar antes das 22h

Beijo triplo com desculpa para querer beijar potenciais crushes da firma

Beijo grego (escondido)

Branco discutindo o que é racismo no Brasil

1544650632517-festas-de-firma5
Foto: Marcos Muniz

Q

Quadradinho de oito como se não houvesse amanhã porém você nunca soube fazer quadradinho de oito

Quebrar o cóccix

Querer estar morta

R

Rir do que não pode

Reclamar

Roquista que não dança

Ranço de todo mundo da firma

Rodinha dos amigos do trampo para falar mal dos colegas de trabalho

Ressaca moral já antes do final da festa

S

Stand up (colega chato que se acha gozado etc)

Slide show desnecessário parabenizando os funcionários por ganharem mal e se fuderem o ano todo porém belos projetos time

Sarraradas em geral

Sair à francesa

Sexo ruim com pessoa de outro departamento que chegou semana passada na empresa

Ser acordado por alguém que você nunca falou na firma

T

Tiro

Teste de fidelidade

Treta

Tomar ácido e achar que está tudo bem

U

Um brinde prometendo salário maior ano que vem (vai rolar)

Uma música pros gays

V

Verdade alcoólica

Vegetariano reclamando que todos os rangos têm carne

Ver as pessoas com quem você convive diariamente forçosamente um terço da vida

Vomitar de leve no banheiro, não contar pra ninguém e cair na pista pra beijar na boca pois fodacy

Vai tocar Anitta sim

X

Xaveco espiritualizado pra pegar alguém

Xavecar erradaço (chefe)

X-9 (descobrir quem é cagueta paga-pau de patrão durante o rolê)

Xingar colega de outro departamento, mas tinha alguém do departamento da pessoa na sua roda

Xingar em geral

Z

Zuar seu chefe pra alguém que depois vai lá contar pra ele e você perde o emprego e a amizade

Zap no dia seguinte

Siga a VICE Brasil no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.

]]>
8xpex5Equipe VICE BrasilDébora LopesbrasilfirmaEmpresaempregofestacomportamentoa à zVolta às Férias
<![CDATA[Para este médico brasileiro, canabidiol pode substituir o Rivotril]]>https://www.vice.com/pt_br/article/qvqne5/para-este-medico-brasileiro-canabidiol-pode-substituir-o-rivotrilThu, 13 Dec 2018 15:26:10 +0000A promessa de uma vida sem estresse fez com que, nos últimos anos, os brasileiros se apegassem a medicamentos à base de clonazepam, sendo o Rivotril o mais popular deles.

Para se ter uma ideia, de outubro de 2017 a setembro de 2018 foram comercializadas 26,7 milhões de caixas de medicamentos com essa composição, um crescimento de 4,07% em relação ao volume dos doze meses anteriores. Há 10 anos, eram vendidas só 29 mil caixas por ano. Os dados são da auditoria de mercado Pharmaceutical Market Brazil (PMB), feita pela IQVIA, responsável pelo levantamento oficial de vendas no Brasil para a Anvisa.

Até pouco tempo, o medicamento tarja preta figurava entre os 20 mais vendidos nas farmácias brasileiras, segundo a Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), mesmo sendo controlado – ou seja, que só pode ser vendido com prescrição médica. A Roche, fabricante do Rivotril, não quis se pronunciar sobre esse crescimento astronômico.

O Rivotril que vem da maconha

O canabidiol (CBD - que é uma das substâncias da cannabis sativa, nome científico da maconha) poderia, no futuro, substituir o Rivotril, segundo Eduardo Faveret, médico neuropediatra e coordenador do centro de epilepsia do Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer (IEC), do Rio de Janeiro.

Tramita no Senado atualmente um projeto que visa mudar dois artigos da Lei nº 11.343/06, conhecida como Lei de Drogas: autorização para importação de plantas e sementes, o plantio, cultura e colheita de cannabis sativa, apenas para fins medicinais ou científicos e a permissão para semeio, cultivo e colheita por associações de pacientes ou familiares de pacientes que fazem uso da planta, mediante prescrição médica.

A VICE conversou com o neurologista, que conduz estudos com o uso do CBD em pacientes, para entender como essa substituição seria possível. Confira:

VICE: O senhor pode explicar um pouco como funciona a pesquisa que vem conduzindo?
Eduardo Faveret: Até agora fizemos testes individuais em 300 crianças e adultos que representam diversos casos, com a sistemática de colher exames. Vamos começar três pesquisas no IEC, controladas com placebo, até para eventual registro de medicamentos na Anvisa. Os projetos devem iniciar em março.

Quais são os resultados das pesquisas já realizadas?
Nos testes que fizemos em pacientes com autismo, notamos algo em torno de 80% de melhora bem significativa. A experiência que temos até agora bate com a literatura. Em 85% das pessoas com epilepsia de difícil controle, mais de 50% respondem com redução das crises, sendo que 40% têm melhora de 80%, e quase 20% podem ter as crises totalmente controladas. No entanto, esses resultados são em pessoas refratárias, que já tomaram diversos remédios, fizeram cirurgias, dietas ou outros tratamentos.

É possível substituir medicamentos como o Rivotril pelo CBD?
O CBD tem propriedades naturais que substituem o Rivotril. Não há relatos de dependência e tem efeito positivo sobre atenção e memória. Também não há efeitos colaterais graves e, nesse sentido, torna-se uma substância com capacidade de substituir diversos outros medicamentos neurológicos, não só o Rivotril. O CBD tem um espectro de atuação amplo na psiquiatria: diminui os déficits de atenção e de memória, bem como os sintomas depressivos ou psicóticos que possam existir. O CBD tem esse potencial, mas isso não foi testado.


Assista: 'Baseado em Fatos: a legalização da cannabis no Brasil'


Quais os benefícios dessa substituição?
Ele diminui a vontade de fumar, de usar maconha. É um antídoto perfeito para o Tetrahidrocanabinol (THC – a parte alucinógena da cannabis sativa). Tem um potencial para que isso aconteça, mas não é algo que formalmente foi atestado em estudo controlado. É uma experiência ainda pequena, mas tem potencial e, na prática, a gente conseguiu trazer alguns pacientes.

Então não causa dependência e nem dá barato?
Não, muito pelo contrário, ele trata essas ações psíquicas e diminui a onda do THC, eventualmente corta por completo, dependendo da proporção. Alguns estudos mostram que, dependendo da dosagem, já não tem efeito nenhum.

Quais outros remédios poderiam ser substituídos?
O CBD tem vários componentes bons, reduz resistência periférica, aumenta colesterol bom, diminui aquele apetite ansioso, controla questões metabólicas de quem está próximo à diabete e ajuda a tratar doenças autoimunes, além de um efeito potente anti-inflamatório. Os efeitos globais dele na pessoa são bastante interessantes, pois tem efeitos protetores antioxidantes como vitamina C e E, mas sem aqueles efeitos colaterais. Outra coisa interessante é o combate à osteoporose, pois firma e consolida a estrutura óssea.

Qual seria o impacto dessa substituição na saúde pública?
Rivotril é uma droga barata, mas no sentido qualitativo, (o CBD) trata-se de uma melhora interessante. Na saúde pública, quando pudermos produzir em larga escala no Brasil, reduzirá significativamente o custo da saúde, pois substitui anti-inflamatórios, remédios para dor, como morfina, tratamentos para osteoporose, artrites etc. Às vezes, a pessoa toma um remédio para cada problema desses, aí vem uma substância que equilibra o corpo e pode reduzir ou retirar diversos desses medicamentos. Pode ocasionar, também, uma redução de internações e do uso de outros medicamentos que têm diversos efeitos colaterais que seriam evitados. Seria um impacto significativo.

As pessoas podem fazer essa substituição por contra própria?
Depende da razão pela qual está usando o Rivotril, e a suspensão precisa ser gradual, ajustando uma série de questões. Pode trocar, aos poucos, por meditação ou ioga, para ajudar a equilibrar. Idealmente, ela deve ser assistida por alguém. Até porque se ela está tomando Rivotril, algum médico deve estar prescrevendo para ela. O profissional vai avaliar o que substituiria melhor a medicação para aquele paciente: medidas ambientais e fitoterápicos ou o próprio CBD.

Siga a VICE Brasil no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.

]]>
qvqne5Paulo GratãoDébora LopesCBDEntrevistarivotriltarja pretacanabidiol
<![CDATA[274 dias sem ela: Polícia Civil faz buscas por suspeitos no caso Marielle]]>https://www.vice.com/pt_br/article/bje35d/274-dias-sem-ela-policia-civil-faz-buscas-por-suspeitos-no-caso-marielleThu, 13 Dec 2018 15:15:51 +0000A Polícia Civil do Rio de Janeiro, por meio da Divisão de Homicídios (DH-Rio), está cumprindo mandados de busca e apreensão no estado do Rio e em Minas Gerais, contra os suspeitos envolvidos no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, mortos em 14 de março de 2018.

Segundo o G1, os agentes da Polícia estão em 15 endereços espalhados pela Zona Oeste do Rio, em Nova Iguaçu, Angra dos Reis e Petrópolis. Além de Juiz de Fora, em Minas Gerais.

De acordo com o delegado Giniton Lages, responsável pelas investigações, os mandados correspondem a um inquérito à parte, entretanto, todos os suspeitos têm ligação com os assassinatos.


Assista ao nosso vídeo sobre o assassinato de Marielle Franco:


Siga a VICE Brasil no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.

]]>
bje35dEquipe VICE BrasilEduardo Robertocrimebrasilminas geraisrio de janeiroMariëlleNotíciasMarielle Franco
<![CDATA[Traficantes mexicanos da vida real se identificaram com 'Narcos: México']]>https://www.vice.com/pt_br/article/ev3bbz/traficantes-mexicanos-da-vida-real-se-identificaram-com-narcos-mexicoThu, 13 Dec 2018 14:51:41 +0000A quarta temporada de Narcos acompanha a ascensão do Cartel Guadalajara nos anos 1980 e os eventos que lançaram a interminável guerra às drogas mexicana. Enquanto as histórias de Miguel Ángel Félix Gallardo (Diego Luna), a.k.a. El Padrino, e do agente do DEA Kiki Camarena (Michael Peña) colidem na tela, fiquei imaginando como traficantes de drogas mexicanos de verdade estavam reagindo à adaptação (se é que estavam). Curioso, abordei alguns deles com uma proposta simples: pedi os produtos deles para serem entregues na minha casa, ofereci uma cerveja e usei a droga com eles. Enquanto conversávamos sobre as atividades ilícitas deles, decidimos encontrar episódios da série que – seja por nostalgia ou relevância pessoal – provocaram as maiores respostas do público. Aqui vai o que eles tinham a dizer.

Os nomes foram mudados para proteger as identidades dos entrevistados.

Lalo, 35 anos

Cresci numa era quando Amado Carrillo Fuentes, El Señor de Los Cielos (“O Senhor dos Céus”), era o maior narcotraficante do México. Eu tinha 10 anos na época. A família da minha mãe é de Mazatlán, Sinaloa, e cresci ouvindo histórias sobre um certo narco. A palavra narcotraficante, “aquele que move drogas”, na verdade vem do grego, narcotikos, “tornar rígido ou entorpecido” – uma conotação que não era tão sangrenta quanto hoje. Um dos amigos do meu tio foi castrado depois que uma venda de drogas deu problema, mas essa é a única história violenta que lembro daquela época. Depois disso, a ideia de tráfico de drogas ficou na minha cabeça. Em se tratando do Narcos: México, gosto da fotografia, da história e do sotaque do [Rafael] Caro Quintero. É um sotaque de oceano e ondas, realmente chinola [autêntico de Sinaloa]. Me lembra minha avó.

Alguns anos atrás, larguei a faculdade de comunicação e comecei a vender livros e CDs usados. Na época, uma amiga – que namorava um cara que trabalhava como segurança de entregas para casas seguras – me ofereceu um quilo de maconha muito barato e vendi por 100 pesos [cerca de R$20] cada saco, e lucrei o triplo. Agora vendo dois quilos de maconha normal a cada 20 dias e cerca de 280 gramas de Morada de Tecate [purple kush] da Baixa Califórnia. Não me considero um narco; sou mais tipo um vendedor de Avon. É só ligar que eu te entrego uns “cremes”.

A versão colombiana de Narcos era foda, mas não tanto quanto a versão mexicana que acabamos de assistir. Quando trafica, você tem muito mais tempo para assistir televisão. Bem que eu gostaria de ter amigos ricos como Del Cochiloco. Ele parece um filho da puta de verdade na série. Meu tio diz que eles pegavam pesado na farra em Mazatlán nos carnavais. Esse puto do Cochiloco sabia dar uma festa! Lembro que estava na casa do meu avô quando meu tio contou que ele tinha acabado de ser morto.

El Gordo, 29 anos

Vendo cocaína, mas tento ser inteligente nesse negócio. Nasci em Caliacán, Sinaloa. Morei em Los Angeles até a adolescência, mas saí de lá porque tive problemas com um carregamento de metanfetamina que a polícia apreendeu por um engano meu. Antes de ter mais problemas com os chefes, me mudei para a fronteira mexicana. Trafico drogas há dez anos agora. Assisto Netflix porque minha esposa gosta, e essa série sobre traficantes chamou minha atenção. Estamos na moda faz alguns anos.

Em Narcos: México, tem um episódio onde a polícia queima vários acres de maconha de Caro Quintero. Me identifiquei com isso porque os policiais já me foderam antes, mas mais diretamente com dinheiro. Uma vez eu estava no carro com a minha esposa quando fomos parados pela polícia estadual por suposto excesso de velocidade – mas todo mundo sabe que essa agência está envolvida no jogo do tráfico. Eles me obrigaram a sair do carro, me empurraram para o lado do porta-malas e fizeram minha esposa entrar na viatura. Quando perguntaram qual era minha ocupação, eu disse que era “do campo” – um trabalhador agrícola na Califórnia – e eles pediram pra ver minhas mãos. O policial disse “você não tem nenhum calo ou corte, [suas mãos] são supermacias, você é traficante”. Eles já sabiam que eu era quando me pararam. Tem sempre inveja nesse campo de trabalho.

O policial pegou meu celular, começou a inspecioná-lo e de repente ele tocou. O policial atendeu e se passou por mim. O cliente disse algo como “quero 300 páginas em branco”. Isso confirmou as suspeitas deles e eles começaram a vasculhar meu carro, aí acharam uma caixa magnética cheia de papelotes que eu grudava no motor. Eles até sabiam onde era meu esconderijo. Quando vi que eles queriam realmente me foder, eu disse que tinha 15 mil pesos [quase R$3 mil] de propina na minha casa se eles me deixassem ir.

Eles vasculharam a casa inteira e encontraram 60 mil pesos [R$11.500] que eu não estava planejando entregar pra eles. Eles acabaram levando 75 mil pesos [mais de R$14 mil]. “Fique com o produto aí pra te ajudar com as vendas”, me disse um deles, que parecia ser o chefe. “Mas se você vai continuar vendendo aqui, tem que pagar 15 mil pesos [cerca de R$2.800] todo mês ou vamos te parar sempre.” Naquela semana, mudei de apartamento e pintei meu carro de outra cor. Pra mim, eles me foderam igualzinho foderam com Caro Quintero – ou pelo mesmo, acho que ele se sentiu do mesmo jeito que eu. Desde então, quando as ruas estão cheias de policiais nos finais de semana, mando minha esposa fazer as entregas ou vamos juntos com nosso filho de um ano. Ter um bebê ajuda a passar pela polícia.

Gisela, 35 anos

Fiquei interessada quando vi a propaganda de Narcos: México. Vendo cogumelos que meu namorado planta e maconha medicinal que trazemos nos finais de semana de San Diego. Só vendo para amigos e raramente saio de casa. Assisti a primeira temporada de Narcos com Pablo Escobar, mas era muito mórbido: não gostei tanto assim, mas assisti tudo porque fiquei curiosa com o tipo de organização que operava na Colômbia e como eles tinham conseguido cometer aqueles atos de terrorismo. Li Narcoland de Anabel Hernández um tempo atrás, e achei que seria legal assistir a série e me identificar com um personagem como El Mexicano.

A série me deixou meio nostálgica do tempo quando os irmãos Arellano Félix mandavam na Baixa Califórnia. O personagem de Güero Palma era bem legal, e Cochiloco era um escroto; eram esses caras que apareciam nos jornais. Até consegui ouvir um narcocorrido dos Tucanes de Tijuana no fundo. Gosto muito da atuação do Diego Luna.

No começo achei que a série parecia só outra novela de drogas como as da Telemundo, mas é muito melhor. Claro, não é um Sopranos, mas gostei bastante. Até me senti como uma das personagens da série, não tão bem quanto a Isabella, que se vê como a Rainha do Pacífico. Ela nasceu em Mexicali, como eu.

Aarón, 28 anos

Me mudei para a fronteira de Cosalá, Sinaloa, quando estava no colegial. Meus tios plantavam maconha lá. Eu vendo cocaína. Por um tempo trabalhei como balconista num mercadinho 7-Eleven para não chamar a atenção dos vizinhos, para eles verem que eu trabalhava e manter as aparências. É suspeito ter uma família, não ter trabalho, mas ainda ter dinheiro. Trabalhei lá por um ano, fiquei de saco cheio e saí. Agora só vendo cocaína mesmo. Quando trabalhava de dia e traficava à noite, eu estava sempre cansado.

Tem uma cena na série Narcos: México onde eles estão na casa de um cubano [Sicilia Falcón] e tem uma puta festa rolando – com todo mundo cheirando pra caralho e outras pessoas em uma jacuzzi ou participando de orgias. Aquela cena ficou na minha cabeça porque uma coisa parecida aconteceu comigo semana passada.

Filete, 33 anos

Quem mora na fronteira está familiarizado com histórias do tráfico. Você conhece alguém que transporta drogas para os EUA ou tem um parente que é traficante, mas mesmo quando parece só uma piada, o tráfico está no ar.

Não sou muito fã da série Narcos, mas gostei de alguns episódios da versão mexicana. Não tenho críticas; é simples entretenimento. Eu conhecia essas histórias das notícias, ou reconhecia os personagens de algum narcocorrido que tinha ouvido antes – ou porque todos os meus parentes de Sinaloa e Jalisco falam sobre esses assuntos em toda refeição.

Frequentei o primário e o colegial em Calexico [uma cidade californiana que faz fronteira com Mexicali na Baixa Califórnia, México]. Eu cruzava a fronteira todo dia e fazia a lição de casa na Biblioteca Memorial Camarena [em Calexico] durante as tardes. Agora que assisti Narcos: México, entendo Kiki Camarena. Ele nasceu em Mexicali e morou em Calexico também. Vendo cocaína e maconha. Sou um palhaço comparado com os traficantes da série, mas tem alguma semelhança aqui – ou pelo menos consigo me ver neles. Uma vez passei quatro meses na cadeia porque acharam 50 caixas de Rivotril – um remédio controlado – que eu estava vendendo do porta-malas do meu carro. Vendo drogas para não ter que arrumar qualquer trabalho escroto pra viver. É isso que me inspira na série.

Ulises, 29 anos

Vendo cocaína, maconha e LSD. Vi pessoas fumando maconha num filme uma vez e, quando comecei a sair mais tarde, eu queria experimentar e depois acabei vendendo. Aquela sensação era inofensiva, mas comecei a usar coisas mais pesadas quando me envolvi com música eletrônica, o que me levou para psicodélicos como o LSD – que, de novo, comecei a vender mais tarde.

Achei a série Narcos: México interessante porque ela coloca um rosto nos personagens das histórias que ouvimos a vida inteira. Meu irmão tinha alguns CDs do El TRI [uma banda de classic rock mexicana]. Eu gostava muito daquela música deles chamada “Sara”. Ouvi essa música várias vezes, mas só agora entendi que eles estavam falando do Caro Quintero. Foi nessa música também que fiquei sabendo quem era Don Neto e Miguel Ángel Félix Gallardo; também conheço o narcocorrido dos Los Tigres del Norte “El Jefe de Jefes”, que é sobre Félix Gallardo também.

Teve uma época em que eu estava tomando cerca de mil pesos [mais ou menos R$ 200] em LSD toda semana. Mas comecei a perder a cabeça, como Caro Quintero naquele episódio em que ele larga a cocaína. Meu cérebro estava zoado: comecei a ter flashbacks e alucinações; mesmo quando não tomava LSD, eu via demônios e monstros. Além disso, com o ácido, se você pensa em alguma coisa ruim, um mar de coisas péssimas ganha vida e se choca contra você. Fui para uma clínica de desintoxicação e quando saí comecei a vender. Eu ex-colega de escola que mudou para Calexico me vende o LSD. Nos falamos pela internet e nos encontramos na cerca da fronteira, onde ele me passa os papéis em caixas de DVD. O LSD no México, pelo menos pra mim, dá dor nas costas e nos ossos, mas esse que vendo agora atua mais rápido no organismo. Agora o tráfico de drogas entre México e EUA está invertido; até a maconha que vendo é gringa, mas o pó sempre vem de Sinaloa.

Siga a VICE Brasil no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.

Tradução do inglês por Marina Schnoor.

]]>
ev3bbzJorge Damián Méndez LozanoGuilherme PavarinYeiry GuevaraMarina SchnoorNETFLIXSinaloatráficoDrogasstreamingEntretenimentonarcos mexico
<![CDATA[Boletim Matutino da VICE 13/12/2018]]>https://www.vice.com/pt_br/article/j5zkvx/boletim-matutino-da-vice-13122018Thu, 13 Dec 2018 12:24:21 +0000 Brasil

MP-GO pede a prisão de João de Deus após denúncias de abuso sexual

O Ministério Público Estadual de Goiás (MP-GO) protocolou, no fim da tarde desta quarta-feira (12), a o pedido de prisão preventiva do médium João de Deus, suspeito de praticar abusos sexuais em mulheres durante tratamentos espirituais, em Abadiânia, na região central de Goiás. Durante a manhã, João de Deus negou as denúncias e disse que era inocente. O pedido foi protocolado por volta das 17h45 pelos promotores Luciano Miranda e Patrícia Otoni, na promotoria de Abadiânia. A medida foi requerida após o MP receber mais de 200 denúncias de supostas vítimas do líder religioso. O pedido deve ser analisado pelo juiz Fernando Chacha, que é responsável pela comarca de Abadiania. – G1

PF faz buscas no Ministério do Trabalho em nova fase da Operação Registro Espúrio

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (13) a quinta fase da Operação Registro Espúrio, que investiga fraudes e desvios relacionados a registros sindicais junto ao Ministério do Trabalho. O ministro substituto, Ricardo Santos Silva Leite, foi suspenso do cargo e impedido de entrar no ministério. O objetivo da nova etapa, de acordo com a PF, é aprofundar investigações em autorizações irregulares de restituição de imposto sindical. O dinheiro, segundo investigadores, foi desviado da Conta Especial Emprego e Salário (CEES), onde são depositadas restituições de imposto. Entre os denunciados na primeira fase da operação estão o ex-deputado Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, o ex-ministro do Trabalho Helton Yomura e os deputados Cristiane Brasil (PTB-RJ), Paulinho da Força (SD-SP), Jovair Arantes (PTB-GO), Wilson Filho (PTB-PB) e Nelson Marquezelli (PTB-SP). – G1

PF faz buscas no Rio em endereço de autor de publicações com ameaças a Bolsonaro

A Polícia Federal cumpre nesta quinta-feira (13) mandado de busca e apreensão no Rio de Janeiro contra autor de publicações em redes sociais com ameaças de morte ao presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL). O investigado, um homem de 23 anos, teria feito publicações que "incitaram a subversão da ordem política fomentando a morte do então candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro", segundo a PF. A ação ocorre no bairro do Maracanã, na zona norte. Segundo a PF, o alvo do mandado desta quinta-feira também insultou o então candidato a vice-presidente, general Hamilton Mourão (PRTB). A pena para o crime investigado pela PF é de reclusão de 1 a 4 anos. – UOL

João Pessoa poderá ter Dia Municipal da Maconha Medicinal

João Pessoa, capital da Paraíba, pode ser o primeiro município brasileiro a ter um Dia da Maconha Medicinal. A proposta é do vereador Tibério Limeira (PSB), que quer instituir para o dia 7 de maio o Dia de Visibilidade do Uso da Cannabis. . “Apesar de muita gente ainda ter preconceito, muita gente tem entendido essa importância, é só ver os resultados que se tem no tratamento de doenças. É dar visibilidade ao quanto pode ser alentador e quanto pode promover saúde a população, chamar a atenção da sociedade e das autoridades”, afirmou o vereador. A sugestão da data foi dada em uma audiência pública pela Liga Canábica da Paraíba. – Portal Correio

Mundo

Acidente com trem de alta velocidade deixa nove mortos e dezenas de feridos na Turquia

Nove pessoas morreram e outras 47 ficaram feridas, nesta quinta-feira (13), depois que um trem de alta velocidade colidiu com uma locomotiva de manutenção em Ancara, capital da Turquia. O trem de passageiros saiu da estação central da cidade às 6h30 (horário local, 1h30 de Brasília) com destino a Konya, no centro do país. Seis minutos depois, a composição que circulava a cerca de 80 km/h colidiu com contra uma locomotiva de manutenção que estava retornando de um trilho de controle. – G1

Número de brasileiros barrados na Europa cresce 50% em um ano

A quantidade de brasileiros impedidos de entrar na Europa nos primeiros seis meses de 2018 aumentou 50% em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com o mais recente relatório da Frontex, a agência de fronteiras europeia. Entre janeiro e junho, 2.225 cidadãos do Brasil foram barrados no continente. Isso equivale a mais de 12 pessoas impedidas de entrar na Europa diariamente. O país está na nona posição entre as nacionalidades mais afetadas. Segundo a Frontex, a maioria dos casos aconteceu porque os brasileiros não possuíam “documentação apropriada para justificar o motivo da viagem e as condições da estadia”. – Folha de S. Paulo

]]>
j5zkvxEquipe VICE BrasilAndré MaleronkaJoão PessoaNotíciasBoletim MatutinoJoão de Deus
<![CDATA[Um ranking dos 10 melhores 'Luau MTV']]>https://www.vice.com/pt_br/article/mbykqn/um-ranking-dos-10-melhores-luau-mtvThu, 13 Dec 2018 09:00:00 +0000Ah, que saudade de quando verão significava não fazer absolutamente nada. Quando férias eram mais de algumas semanas corridas e configuravam quase dois meses em que você ficava imóvel deitada no sofá à frente da TV, comendo os alimentos com mais gordura trans possível e assistindo o canal de sua preferência. No meu caso, esse canal era a MTV Brasil, e houve um programa específico que marcou as tardes de calor de dezembro e janeiro. Enquanto você se virava com a janela aberta e o ventilador no talo, via bandas tomando uma brisa marítima e afundando o pé na areia no Luau MTV.

Não apenas o local e os figurinos eram de veraneio como as faixas também ganhavam versões mais tropicais: a instrumentação, geralmente acústica, também recebia o apoio de instrumentos de sopro e percussão que não formavam o arranjo original. Pra completar, o artista também era pedido para escolher um cover de alguma música que apreciasse — me lembro que o Ed Motta, por exemplo, fez uma versão bossa de "Smells Like Teen Spirit". Pelas minhas buscas, não existe vídeo disso em nenhum lugar na internet, mas você vai ter que acreditar em mim.

Se como eu você também fica nostálgico nessa época do ano em que o esperado é olhar pro passado, vai curtir essa lista que a gente aqui do Noisey preparou para te lembrar de verões mais simples: os 10 melhores Luau MTV, dos anos em que o programa esteve no ar, 1996-2004, 2007 e 2011-2013. Acompanhe abaixo e curta suas boas memórias de verão.

10. Os Paralamas do Sucesso (2011)

O Paralamas fez duas participações no Luau, uma em 2000 e uma mais de uma década depois, em 2011. Mas, se me permitem dizer, eu realmente acho a participação mais recente a melhor das duas. Além do repertório muito mais incrementado, que conta com "Lourinha Bombril", "Alagados" e um cover improvisado de "Satisfaction", dos Stones, rola também uma subida de nível nos instrumentos: ao invés de contar só com violões, dessa vez o luau vem acompanhado de metais, uma bateria completa e uma percussão fina, pra fechar. É podre de chique, se você quer mesmo saber.

9. Rita Lee (2002)

A Rita Lee vem pra nos fornecer a verdadeira representatividade gótica no verão. De óculos do Ozzy, blusa de manga comprida (com estampa do Che Guevara, vale dizer) e jeans rasgado, ela parece não querer ter muito contato com o sol ou a areia. Essa combinação, junto à banda enxuta da cantora, dá um gostinho ainda mais introspectivo e outsider pras músicas que ela toca no programa: "Ovelha Negra", "Jardins da Babilônia" e "Ando Meio Desligado", entre algumas outras.

8. Titãs (2002)

É difícil curtir um rock no verão, a gente sabe. Mas é impossível negar a energia dos, à época, seis Titãs que estreavam futuros hits como "Epitáfio" e "A Melhor Banda De Todos Os Tempos Da Ultima Semana", e entoavam já antigos sucessos como "Não Vou Me Adaptar" e "Homem Primata". O grand finale fica por conta de Branco Mello, que fica em pé pra cantar "Flores" e acaba motivando um coral da plateia presente, completo pela flauta de Paulo Miklos no pós-refrão. Depois de um rock, sempre vem outro rock.

7. Kid Abelha (2003)

O Kid Abelha já tem naturalmente esse tom de fino & elegante, uma pitada meio lounge, digamos. Essa classe também contempla o Luau MTV do grupo, lançado em 2003 e protagonizado pelos três violões do grupo e a voz muito característica de Paula Toller (um aplauso merece ser feito, também, para o look da vocalista, que previu a tendência do jovem technero em 2018 com esse óculos vermelho). Destaque vai pra o arranjo reformulado de "Como Eu Quero", que ganhou o clima perfeito pra acender o isqueiro e acompanhar na palminha.

6. Raimundos (2000)

Eu disse ali em cima que rock não é de se curtir no verão, mas é importante destacar que o punk não entra nessa classificação e esse Luau do Raimundos é a exemplificação perfeita disso. Alguma coisa naquela energia crua, rápida e suja combina com o suor e pele grudenta dos dias mais desgraçados de quentes dos meses de férias. Mas talvez seja só o cabelo do Rodolfo no programa, que me lembra um pouco o sol.

5. Banda Eva (1998)

O título do vídeo diz erroneamente que a apresentação acima é da Ivete Sangalo mas, na verdade, a cantora só veio a cantar sozinha no Luau em 2002. O vídeo se trata, na verdade, de uma apresentação da Banda Eva no programa, o que é muito melhor porque 1. o repertório é muito melhor, 2. a voz da Ivete está impecável e 3. os instrumentais são bem mais elaborados, com flautas, pandeiro, chocalho e tudo o que tem direito. Destaque para a versão de "Vem Meu Amor", do Olodum, e do hit da banda na época, "Beleza Rara". Bonito demais.

4. Charlie Brown Jr. (1999)

Skatão na veia dos irmão, como diria Chorão durante o cover do Charlie Brown Jr. de M+M's, do Blink 182. Essa apresentação no Luau é a síntese de tudo o que tornava o Charlie Brown perfeito: skate, boné pra trás, covers mal feitos de pop punk, hits, mais skate, mais hits. Dá até uma emoção de ouvir o discurso do Choris motivando bandas novas antes de mandar um "Proibida pra Mim". Tempos mais simples.

3. Marcelo D2 (2012)

O Luau do D2 é o mais recente da lista mas, assistindo, parece que já faz muito mais tempo. Principalmente pela participação do na época apenas Stephan, hoje Sain, que parece só um adolescente marrento carioca quando participa de "Loadeando" e "Eu Já Sabi". D2 também incrementa o programa com um cover de "Malandragem", do mestre Bezerra da Silva, e hits como "Desabafo" e "Qual É".

2. Cássia Eller (2002)

Pode ser que minha memória afetiva pegue mais forte nessa aqui porque meus pais são os maiores fãs vivos da Cássia Eller, e eu me lembro de ouvir o Acústico dela exaustivamente no som de casa. Talvez por isso, quando esse Luau pintou na TV da sala, no ano seguinte, eu sabia (do alto dos meus seis anos) cantar todas as músicas de cor e salteado — e sei até hoje. Uma das maiores intérpretes de sua geração, Cássia vai fundo no Nando Reis ("Luz dos Olhos"), Caetano Veloso ("Gatas Extraordinárias") e até Nirvana pois, sim, rola um cover de "Polly".

1. Los Hermanos (2002)

Eu, como esquerdista, fumante de palheiro e estudante de universidade particular, me sinto no meu lugar de fala em colocar o Los Hermanos como o primeiro lugar dessa lista. Mas é por mais do que apenas eu ser uma pessoa patética: esse Luau foi o que tirou o Los Hermanos do posto de hardcore carnavalesco que eles tinham ganhado com o primeiro disco e os colocou como a banda oficial dos cornos jovens indies e tristes dos anos 2000. E vocês não podem negar que a versão de "Esquadros" deles nesse programa é tudo.

Leia mais no Noisey, o canal de música da VICE.
Siga o Noisey no Facebook e Twitter.
Siga a VICE Brasil no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.

]]>
mbykqnAmanda CavalcantiEduardo RobertoNoiseyKid AbelhaCássia Ellertitãsmarcelo D2Rita LeeRaimundosCharlie Brown Jr.los hermanosVolta às Fériasluau mtvmtv brasilbanda evaos paralamas do sucesso
<![CDATA[O arquivamento do Escola Sem Partido foi um empate comemorado pelos dois lados]]>https://www.vice.com/pt_br/article/7xydjg/o-arquivamento-do-escola-sem-partido-foi-um-empate-comemorado-pelos-dois-ladosThu, 13 Dec 2018 09:00:00 +0000Uma votação é adiada e os dois lados comemoram. Estranho? Foi o que ocorreu após o anúncio de que o Projeto Escola Sem Partido, aquele que proíbe que professores manifestem posicionamentos ideológicos e que discutam questões de gênero em sala de aula, seria arquivado. Tanto os defensores da proposta quanto seus opositores consideraram o fato uma vitória e devem, no ano que vem, travar mais batalhas no combalido campo da educação nacional.

Causador de diversos debates e tretas nos últimos anos, o Projeto de Lei nº 7.180, de 2014, de autoria do deputado Erivelton Santana (PSC-BA), tinha como premissa considerar os valores de ordem familiar sobre a educação escolar, sobretudo nos temas relacionados à educação moral, sexual e religiosa.

Apresentado pelo relator deputado Flavinho, o projeto contém uma lista com seis deveres para os professores das instituições de ensino brasileiras, como a proibição de promover suas opiniões, concepções, preferências ideológicas, religiosas, morais, políticas e partidárias, além de vetar o que chamam de “ideologia de gênero”.

O projeto seguia em discussão na Câmara dos Deputados, mas após 12 tentativas, a Comissão Especial destinada para a votação encerrou suas atividades de 2018 sem efetivar a decisão.

Uma vez arquivado, o projeto pode ser desarquivado a partir de 31 de janeiro pelo autor ou outro parlamentar envolvido, mas terá que formar uma nova comissão. Protagonistas de um clima tenso de bate-boca durante a reunião, o deputado Flavinho (PSC-SP) e a deputada Erika Kokay (PT-DF) comentaram sobre o empate como vitória de ambos os lados.

Em declaração à TV Câmara, o relator Flavinho considerou o arquivamento um êxito pelo simples fato de tornar o assunto falado nas rodinhas brasileiras. “O fato de a gente ter conseguido trazer luz para esse problema dentro das escolas brasileiras já fez com que pais, alunos e professores, que eram perseguidos, tivessem consciência dos seus direitos”, declarou. Para ele, o projeto visa combater “o avanço maldito da ideologia de gênero que vem destruindo a inocência das crianças”.

Já a deputada Erika Kokay, que está entre os opositores do Escola sem Partido, também avaliou como vitoriosa a decisão. “Foi uma vitória da liberdade, foi uma vitória da honestidade, foi uma vitória da educação neste país”, declarou à TV Câmara.

De acordo com a deputada, o fato de não ter sido aprovado já é uma derrota para os relatores e que, próximo ano, terão que começar do zero, formando uma nova comissão. “Apesar deles serem em maioria, não conseguiram aprovar e isso significa que não fizeram valer a narrativa que eles construíram no projeto”, falou. Para ela, os deputados de alguma forma não priorizaram ou não se sentiram confortáveis para discutir o assunto.

Frente Nacional Escola Sem Mordaça
Foto: Reprodução/ Escola sem Mordaça


A deputada comenta, porém, que em 2019 pode vir um projeto pior. “A próxima legislatura provavelmente será pior, mais fascista e obscurantista, mas o importante é que nós consigamos mostrar que esse não é um projeto consenso ou majoritariamente aceito pela sociedade”, finaliza.

Diversos movimentos e organizações levantaram posições contrárias à proposta, a exemplo da Frente Nacional Escola Sem Mordaça, formada por educadores e intelectuais, cujo interesse é seguir atuante nos debates e na defesa de uma educação democrática.

Ao que tudo indica, esse é só começo da batalha.

Siga a VICE Brasil no Facebook , Twitter , Instagram e YouTube .

]]>
7xydjgGislene RamosGuilherme PavarinPolíticaeducaçãoprojeto de leiEscola sem Partido
<![CDATA[Conheça a indígena que quer levantar a bandeira do feminismo no Acre ]]>https://www.vice.com/pt_br/article/pa5xwz/conheca-a-indigena-que-quer-levantar-a-bandeira-do-feminismo-no-acreThu, 13 Dec 2018 09:00:00 +0000Sentada em meio a outras indígenas, uma mulher conduzia uma roda de rapé (medicina feita com tabaco e casca de árvore), no Espaço Luzeiro, no bairro do Paraíso, em São Paulo. Pequena, com o tom de voz baixo e sereno, pedia desculpas pelo cansaço físico e emocional. Ela havia acabado de voltar de um evento na Europa com autoridades do mundo todo, no qual ela atuou como uma das representantes de um dos povos indígenas brasileiros, os Yawanawas, do Rio Gregório, no Acre.

O clima da terra e o climão entre aqueles que ela dizia “se acharem os donos do mundo” baqueou a guerreira, mas não a derrubou. Ela estava firme, cantando e assoprando rapé em cerca de cem pessoas que participavam da cerimônia. E fez isso por pelo menos duas horas até passar a função para sua filha.

1544623289434-_DSC1199
Foto: Benoit Fournier/Divulgação

Quem estiver com a bala e doar R$ 5.000, ganha cinco dias de vivência na aldeia Mutum. De acordo com Hukena, o projeto vai ajudar, primeiramente, as mulheres da aldeia. “Hoje, as mulheres têm voz e sustentam suas casas com a venda dos artesanatos. A casa de arte vai ajudar a manter esse processo de empoderamento. O projeto também vai ajudar as mulheres brancas, que estão perdidas, sem caminho, não se conhecem. A ideia é ajudar as mulheres a encontrarem seus caminhos”, explica Hukena, que também promove cerimônias com medicinas da floresta no Brasil e na Europa.

Levante feminino

Com a figura de Hushahu como líder espiritual, as mulheres yawanawas passaram a protagonizar suas histórias e a transformarem a cultura do seu povo. Crianças, a partir dos três anos, e jovens meninas já tomam o Uni (ayahuasca). Elas cantam e dançam nas cerimônias, trazendo a força da mulher em vários estágios da vida. E foi quando as mulheres entraram fortemente nesse processo que os homens sentiram esse estímulo e voltaram a ter um compromisso com a retomada da cultura yawanawa, que se renovou e ganhou força.

A confecção de artesanato empoderou financeiramente as mulheres. São colares, brincos, tepis e curipes (aplicadores de rapé), pulseiras e outros itens que correm o Brasil e o mundo nas comitivas ou visitas individuais que indígenas fazem em outras cidades promovendo cerimônias com as medicinas da floresta.

Muitas mulheres estão à frente de várias áreas de atuação dentro da comunidade. A aldeia Mutum já se destacava por ser liderada pela cacica Mariazinha, que passou recentemente o lugar para um homem, mas por questões pessoais. Porém, ela segue como uma liderança política. Julia, irmã de Hushahu, é liderança na cooperativa que faz a ponte das artes yawanawas com o mundo. Hukena, filha de Hushahu, promove cerimônias dentro e fora do Brasil. Todas essas frentes tem a mesma mãe: a espiritualidade. E todo esse processo de autoconhecimento tem impactado diretamente no crescimento da aldeia.

Casamento aos oito anos de idade

Hushahu enfrentou um casamento aos oito anos de idade. Teve dois filhos: um aos 11 anos e outro aos 12. Viu a história, a cultura e a espiritualidade do seu povo definhar com a presença de missionários cristãos, que montaram acampamento em terras indígenas com o propósito abominável de catequizar o povo indígena.

Mas Hushahu, juntamente com sua irmã Putany, decidiu enfrentar todo o preconceito dos homens e o medo das mulheres e fez a dieta do Muka, feita por aqueles que desejam se aprofundar nos conhecimentos e sabedorias ancestrais da espiritualidade por meio de um processo que pode até matar. São 12 meses de alimentação restringida a pequenas quantidades de caiçuma (bebida feita de milho), pequenos peixes e banana verde. A dieta é sem doce, sem sexo e sem contato com filhos ou companheiro, mas com muita medicina da floresta, como Uni (Ayahuasca) e rapé, além de saliva de jiboia.

E foi na volta dessa dieta que a história do povo Yawanawa começou a mudar. Sua força e coragem impactou todos da aldeia. Então ela decidiu se tornar uma aluna do pajé Tatá, que ainda detinha os saberes indígenas, mas que o povo havia perdido o interesse. A cultura se enfraquecia, mas ganhou respiro com a força da mulher, e a revolução da aldeia pela força do feminino começou.

Hushahu passou a ser vista como liderança espiritual, como pajé, título que se ganha por reconhecimento da comunidade. Em meio a sua dieta e na força da ayahuasca, ela recebeu instruções do mundo espiritual, de seres femininos, sobre a retomada da arte yawanawa por meio dos kenes (grafismos). Logo ela canalizou o desenho awavena, uma borboleta, que hoje está presente em pulseiras e pinturas corporais de toda a arte produzida pelas mulheres de seu povo, assim como a runua mapu, o grafismo da cabeça de uma jiboia. Os kenes canalizados por Hushahu passaram a ser considerados figuras sagradas pelos yawanawas.

Para colaborar com a criação da casa de arte, visite o site da vaquinha online.

Siga a VICE Brasil no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.

]]>
pa5xwzCaroline AppleDébora LopesbrasilfeminismoacreindigenaYawanawas