VICEhttps://www.vice.com/pt_brRSS feed for https://www.vice.comptTue, 20 Nov 2018 09:00:00 +0000<![CDATA[Da farsa da abolição à consciência negra: um breve histórico do movimento negro]]>https://www.vice.com/pt_br/article/wj3n74/da-farsa-da-abolicao-a-consciencia-negra-um-breve-historico-do-movimento-negroTue, 20 Nov 2018 09:00:00 +0000 Em sua nova coluna para a VICE, o autor de sci-fi & fantasia afro-americana e pesquisador Ale Santos traz os contextos das causas raciais em questões culturais, políticas e até do entretenimento de nosso país. Esta coluna é um esforço de compartilhamento de conhecimento numa época em que o negacionismo cresce e influencia diretamente o imaginário das pessoas. Bem-vindo ao Guia Historicamente Correto do Brasil.

Em 1988, o Rio de Janeiro acordou tomado por milhares de pessoas. Militares ocuparam o centro para vigiar o acontecimento, mas acabaram destruindo palanques em frente à Central do Brasil, prenderam ativistas que chegavam dos subúrbios e da Baixada Fluminense e tentavam destruir faixas e cartazes que as pessoas levantavam.

O protesto acontecia nas vésperas do centenário da abolição da escravatura e estava ali exatamente para revelar a farsa que essa abolição significava. Quem dera fosse apenas um problema do descaso do governo com a população preta. Ele foi além e trabalhou com ideais eugenistas, posteriormente transformados em leis para exterminar a descendência africana do país.

Um dos nomes que liderou essa marcha foi Abdias Nascimento, primeiro negro a chegar à câmara como deputado federal. Ele exaltou a todos com seu discurso:

“É a primeira vez, após a abolição da escravatura, que nós apresentamos, em um ato memorável como este, a nossa maturidade política, a consciência dos nossos direitos irreversíveis. Nós estamos aqui não para mendigar, não para estender a nossa mão para a mendicância da classe dirigente. A nossa mão está estendida à solidariedade, mas essa solidariedade tem um preço, e é o preço que a sociedade dominante tem que pagar”.

Em 2003, Abdias lutou pela criação do Dia da Consciência Negra, que agora é celebrada na data de 20 de novembro, em memória ao dia do assassinato de Zumbi dos Palmares. Essa conexão entre o passado da luta negra e aquele momento pós-governo militar explica muito sobre a importância da data e a sua relação com o movimento negro.

O que é o movimento negro

Quando discutimos na internet, a impressão é que existe um grande movimento com regras rígidas, antagonista dos brancos e que busca uma divisão racial no Brasil – essa é a principal falácia levantada pelos militares, os mesmos que estavam coibindo a marcha em 1988 com a desculpa que aquele protesto estaria depreciando a imagem do Duque de Caxias, pasmem.

Para destruir preconceitos e sofismas é importante entender que o movimento negro não é um único movimento. Assim como a África é um continente repleto de realidades diferentes, etnias, culturas e formas de lutar distintas, o movimento negro no Brasil e no mundo tem encontrado faces múltiplas. Porém, todas elas têm um único direcionamento: a luta contra o racismo e em favor da população negra por meio da reparação histórica e de políticas afirmativas.

Joel Rufino dos Santos, escritor e um dos maiores nomes brasileiros em estudos de culturas africanas, define o movimento negro assim:

“Todas as entidades, de qualquer natureza, e todas as ações, de qualquer tempo [aí compreendidas mesmo aquelas que visavam à autodefesa física e cultural do negro], fundadas e promovidas por pretos e negros (...) Entidades religiosas [como terreiros de candomblé, por exemplo], assistenciais [como as confrarias coloniais], recreativas [como “clubes de negros”], artísticas [como os inúmeros grupos de dança, capoeira, teatro, poesia], culturais [como os diversos “centros de pesquisa”] e políticas [como o Movimento Negro Unificado]; e ações de mobilização política, de protesto anti-discriminatório, de aquilombamento, de rebeldia armada, de movimentos artísticos, literários e ‘folclóricos’ – toda essa complexa dinâmica, ostensiva ou encoberta, extemporânea ou cotidiana, constitui movimento negro."

Particularmente, entendo a Consciência Negra como o reconhecimento de toda a luta ancestral para a sobrevivência e o “resgate da nossa dignidade humana, da nossa história e dos nossos valores culturais” – como evocado pelo próprio Abdias Nascimento. Então, os grupos de negros que reconhecem a desigualdade racial e lutam contra ela são os considerados parte do movimento negro.

Na história do Brasil, alguns grupos liderados por negros foram patrocinados por oligarquias e governos, mas como um subterfúgio, uma verdadeira manobra política evasiva para dizer ao povo “não somos tão maus assim, tampouco racistas, tenho até negros aqui no governo”.

Em 1812, por exemplo, a coroa patrocinou o surgimento de uma associação negra, a Companhia de Pretos de Pernambuco, como uma resposta às rebeliões que aconteceram na época. Também aconteceu no Brasil um movimento que mitificou a princesa Isabel, o Isabelismo – ele defendia a volta da monarquia e considerava a princesa como "A Redentora". Apesar de um aparente protagonismo negro, possivelmente seus ideais colocariam o negro numa situação de inferioridade na sociedade.

Os primeiros movimentos no Brasil

Não há como deixar de reconhecer os quilombos como as primeiras grandes representações do movimento negro brasileiro. O sociólogo Clóvis Moura afirmou que onde quer que a escravidão existisse, o negro marrom [rebeldes livres, como quilombolas] aparecia como sinal de rebeldia permanente contra o sistema que o escravizava. Foram várias lideranças nessa época, Zacimba, Tereza de Benguela, Manuel Congo e o Zumbi que se tornou o mais conhecido da nossa história.

Palmares resistiu por quase um século, em meio a inúmeras tentativas de invasão e ataques brutais. As histórias sobre Zumbi haviam se espalhado e inflado o coração de outros negros. Ele era um símbolo tão forte que a Coroa Portuguesa tentou profaná-lo, arrastando sua cabeça para ser espetada numa lança e exibida durante seis dias de comemoração a seu assassinato. Essa tragédia não foi capaz de silenciar o movimento negro, que sempre voltou com outros líderes em outras épocas.

Em 1798, inspirados pelos ideais iluministas, pela Inconfidência Mineira e impulsionados também pelas histórias da revolta do Haiti, explodiu na Bahia um movimento popular anticolonialista conhecido como Revolta dos Búzios ou (mais popularmente) Conjuração Baiana.

Diferente da Inconfidência Mineira, a revolta baiana desejava a abolição da escravatura e o término do preconceito racial. Tinha entre seus líderes vários negros escravos e libertos, como Lucas Dantas do Amorin Torres e Manoel Faustino do Santos Lira.

Alguns revoltosos espalharam cartas e panfletos na cidade, fato que chamou a atenção das autoridades e motivou investigações com uma dura repressão. À base de ameaças, várias pessoas delataram seus companheiros, levando a morte dos seus líderes. Partes dilaceradas de seus corpos foram exibidas durante cinco dias e espalhadas pela cidade – que chegou a ser tomada por urubus. A sentença ainda declarou seus nomes e memórias infames até a terceira geração.

No governo militar, contra a mentira da democracia racial

Após a abolição da escravatura e a queima dos registros históricos sobre a escravidão, as elites brancas no Brasil patrocinaram um movimento de negação intensa do racismo, promovendo a produção de literatura, música e todo tipo de arte que escondesse o seu passado criminoso.

Esse plano tinha um ponto cego, que é a vida do próprio negro. Se o país fosse o paraíso racial que vendia internacionalmente, não haveria necessidade de reivindicar mais nada. Porém o racismo dos escravagistas não foi abolido com a Lei Áurea. Os filhos de fazendeiros e donos de engenhos estavam vivos e propagando sua moral miserável.

No meio desse tumulto, grupos de intelectuais negros voltaram a se organizar e fundaram em 1931 a Frente Negra Brasileira. Eles se tornaram a principal referência de luta contra o racismo após a abolição e reivindicavam, principalmente, o fim da discriminação de cor e raça que acontecia em órgãos públicos e estabelecimentos privados. Os esforços do movimento negro dessa época levaram a criação da primeira lei que combatia o racismo no país, a Lei Afonso Arinos, em 1951.

Infelizmente, a Frente Negra não sobreviveu para apreciar essa vitória. Com o golpe militar que instituiu o Estado Novo em 1937, Getúlio Vargas, embebido das ideologias eugenistas, encontrou na ideologia da democracia racial a mentira perfeita para findar qualquer expressão cultural étnica que fosse contra a “identidade nacional” que eles estavam pregando (criadas pelo movimento eugenista e difundida até os dias de hoje em publicações do Clube Militar).

Teatros, partidos, jornais e muitas outras expressões negras foram caçadas e destituídas nesse período em nome da tal democracia racial – basicamente fundada na ideia de que o Brasil era tão mestiço que o racismo aqui era impossível de acontecer.

Enquanto o governo militar insistia no negacionismo, o racismo continuou acontecendo e isso continuou a mobilizar o movimento negro.

Em 1978, Robson Silveira da Luz, um feirante, foi acusado de roubar frutas. Levado por policiais, o jovem negro de 27 anos acabou torturado e morto. Foi um dos estopins para que nomes como Lélia Gonzalez, Hélio Santos e Abdias Nascimento reunissem o Movimento Negro Unificado (MNU), que sobreviveu ao governo militar em meio a várias perseguições e contra a propaganda que queria vender um país sem preconceitos para a população.

Quando a marcha contra a farsa da abolição (citada no início deste texto), aconteceu em 1988 foi como a ebulição de tudo o que estava sendo preparado pelo movimento negro no período da ditadura. Foi também o ano em que, finalmente, a Constituição compreendeu que existia o racismo e ele deveria ser combatido.

Hoje, existem vários grupos, ONGs, instituições e movimentações partidárias que fazem parte do movimento negro. Para Silvia Nascimento, jornalista e produtora de conteúdo com foco na comunidade negra há 18 anos, a maior diferença entre o movimento negro do passado e o de agora é a liberdade. "Nossa geração tem avós que estiveram muito próximo da escravidão. Com certeza isso reflete na sua mobilização política. Você tem medo de cerceamentos, você tem medo de risco de vida e de danos financeiros por se posicionar politicamente”, afirma.

Eu nasci em 1986, em um país que não criminalizava o racismo, um país em que a Constituição não compreendia negros como cidadãos brasileiros, apenas fingia que todo mundo entendeu que “agora negro é gente”. Ter a consciência negra não é entender minha existência única como um negro nesse país e minha liberdade para fazer o que quiser, mas, sim, me conectar com esse passado, com esses nomes e essas lutas que me deram a liberdade de estar aqui escrevendo para vocês.

É olhar com os mesmos olhos dos líderes abolicionistas e do mestre Abdias Nascimento para a história afro-brasileira. Só assim fará sentido dizer quando chegar o dia 20 de Novembro: viva Zumbi!

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<![CDATA[Por que o Dia da Consciência Negra não é feriado em Salvador]]>https://www.vice.com/pt_br/article/bjemg8/por-que-o-dia-da-consciencia-negra-nao-e-feriado-em-salvadorTue, 20 Nov 2018 09:00:00 +0000Instituída pela Lei nº 12.519, a data de 20 de novembro marca o Dia da Consciência Negra no Brasil. Ela foi escolhida em memória ao dia da morte de Zumbi, do Quilombo dos Palmares, símbolo de luta e resistência contra a opressão de negras e negros escravizados. No entanto, a data possui diferentes significados para brasileiros, brancos e negros. Diferente de São Paulo, Rio de Janeiro e outras capitais, em Salvador – a cidade mais negra fora da África, vale dizer – a data não é registrada como feriado, apesar de ter sido instituída. Essa é, inclusive, a escolha de muitas lideranças do próprio movimento negro da capital baiana.

Mas por que essa "rejeição"? Além do fato da cidade já ter a quantidade limite de feriados municipais, outra questão por trás da decisão é que 20 de novembro passa a ter um significado festivo, sendo que sua criação foi uma resistência ao Dia da Abolição da Escravatura, 13 de maio – que em nada impactou na emancipação do povo negro

À exceção das profissões consideradas essenciais, que funcionam com esquema de plantões e escalas, o feriado, para muitos, é sinônimo de descanso, folga e praia. Mas para outros é um ótimo dia pra garantir aquele trocado extra. Esta charge de Angeli sobre a data, onde brancos curtem o feriado e negros trabalham, faz valer uma reflexão.

Eis que surge um feriado para uma população em que mais da metade são negras e negros e que, ao mesmo tempo, ocupam cargos inferiores e com baixos salários. Para muitos, é a oportunidade para fazer aquela renda extra trabalhando, enquanto muitos apenas se divertem, correndo o risco de esvaziar todo o sentido da data.

Assim, 20 de Novembro é marcado com caminhadas, debates e outros eventos políticos e culturais; assim como nas cidades em que é feriado, mas sobretudo nas que não são, como Salvador, o dia é de luta, resistência e combate ao racismo.

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<![CDATA[Os caras mais estilosos do mundo são da África do Sul]]>https://www.vice.com/pt_br/article/ev3xyj/os-caras-mais-estilosos-do-mundo-sao-da-africa-do-sulTue, 20 Nov 2018 09:00:00 +0000O que tecidos de chitas paulistanas poderiam causar nas ruas de Joanesburgo, Cape Town, Stellenbosch e Soweto, na África do Sul? Praticamente, um photoshoot com os caras mais estilosos do continente africano e, provavelmente, do mundo. Os AfroDandies, um subcultura formada por homens que amam moda, deram o ar da graça para as lentes do fotógrafo brasileiro Marcos Muniz, que também é colaborador da VICE, no projeto autoral AfroDandies Tropicana.

Muniz, filho de uma costureira e modelista, cresceu entre panos e máquinas de costura. E foi antes de desembarcar no continente vizinho que surgiu a ideia de registrar os protagonistas da moda de rua da África do Sul com nuances de brasilidade. A premissa era usar a estética popular e barata da chita com o visual exuberante e cavalheiro dos Dandies. "A junção desses dois mundos estéticos tão opostos, mas de grande importância, foi criar um novo código visual afro-dandie com DNA brasileiro", explica o fotógrafo.

É inegável não reparar o quanto esses jovens são estilosos e preocupados com a moda. E já que tudo que é bonito é para se mostrar, os AfroDandies aproveitaram cada clique do fotógrafo para exaltar o orgulho e a estica da subcultura fashion sul-africana. Não é a toa entre eles estava Menzi Mcunu, eleito um dos homens mais bem vestidos da África do Sul pela revista GQ, em 2017.

Ser um AfroDandies faz com que os jovens ralem para custear cada centavo de suas peças, acessórios e calçados, que os mantém atemporal perante a moda. AfronDandies é muito mais do que vestir, é ser e existir perante aos percalços das dificuldades modernas. Marcos conta que entre eles estão de professores à personal stylists. "É uma subcultura que não está associada à classe social. Para a maior parte deles, é uma cultura de autoafirmação que vai além da condição social", finaliza.

Admire as fotos do projeto AfroDandies Tropicana:

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Foto: Marco Muniz / VICE Brasil

Dá para curtir mais o trampo do fotógrafo Marcos Muniz na VICE, no Cargo Colletive e no Instagram.

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<![CDATA[250 dias sem ela: Globo é proibida de noticiar inquérito de Marielle Franco]]>https://www.vice.com/pt_br/article/wj3ng4/250-dias-sem-ela-globo-e-proibida-de-noticiar-inquerito-de-marielle-francoMon, 19 Nov 2018 18:30:03 +0000No último sábado (17) a Quarta Vara Criminal do Rio proibiu a emissora Rede Globo de divulgar o conteúdo do inquérito policial que investiga os assassinatos da vereadora carioca Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

O juiz responsável pela autuação, Gustavo Gomes Kalil, justificou que o vazamento destes conteúdos pode influenciar e prejudicar o "bom andamento das investigações, obstaculizando e retardando a elucidação dos crimes hediondos em análise”. A partir da conclusão judicial, fica proibido que emissora divulgue procedimentos, conteúdos e outros tópicos que envolva o andar da apuração do assassinato.

Ao G1, a Globo, em retorno, declarou que vai cumprir a decisão judicial. No entanto, por considerá-la excessiva, vai recorrer da decisão. "Ela fere gravemente a liberdade de imprensa e o direito de o público se informar, especialmente quando se leva em conta que o crime investigado no inquérito é de alto interesse público, no Brasil e no exterior", declara a emissora.

Em nota, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), repudiou a decisão e informou que "a liberdade de imprensa, fundamental para a democracia, deveria ser resguardada por todas as instâncias do Poder Judiciário, mas é frequentemente ignorada por juízes que, meses ou anos depois, são desautorizados por tribunais superiores".

E para a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), representa censura prévia e vai contra a Constituição Brasileira. "Acreditamos que ao acolher o pedido da Divisão de Homicídios da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual para impedir que sejam evitados sucessivos vazamentos sobre as investigações em curso, Sua Excelência equivocou-se. Responsabilizou a imprensa por falhas cometidas pelas próprias autoridades que, por dever de ofício, deviam zelar pelo sigilo do caso", diz a nota.

Universidade nos EUA cria bolsa Marielle Franco para mestrado

A School of Advanced International Studies (SAIS), programa de estudos latino-americanos da Universidade Johns Hopkins, anunciou o lançamento da bolsa que leva o nome de Marielle Franco. O curso é voltado para interessados em relações internacionais com foco na América Latina. As aulas serão ministradas em Washington e Bolonha, na Itália.

A ajuda de custo provém de uma doação anônima direcionada a universidade. Quem for contemplado pela bolsa terá ajuda de custo para despesas, estudo e moradia.

"A grande importância dessa bolsa é chamar atenção para as questões que essa mulher, que morreu tão jovem e de forma trágica, defendia", declara a diretora do programa para a Gazeta Online.


Assista ao nosso vídeo sobre o assassinato de Marielle Franco:


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<![CDATA[O fluxo é resistência de periferia no Helipa LGBT+]]>https://www.vice.com/pt_br/article/7xy84y/o-fluxo-e-resistencia-de-periferia-no-helipa-lgbtMon, 19 Nov 2018 17:38:40 +0000“Um movimento das manas que não precisam sair daqui para ir pro Centro”. Esse é o pulso que Matheus Belle, 21, produtor, mantém para produzir cada edição do Helipa LGBT+. Tudo surgiu de uma festa em casa e que acabou virando um verdadeiro fluxo de rua, de tanta gente. Ao notar que ali se celebrava a diversidade — em contraponto ao estereótipo hétero dos bailes de rua que pipocam Brasil afora —, Belle e seus amigos se reuniram para concretizar o que hoje é um pancadão de resistência, na Zona Leste de São Paulo.

O Helipa LGBT+ (cujo nome é uma apropriação proposital de um dos maiores fluxos da cidade, o do Heliópolis) é o escape dos jovens LGBT+ da região que, por viverem no país que mais mata pessoas LGBTs, aproveitam cada segundo da festa para curtir e esquecer os assombros da dura realidade brasileira. “Não é um evento, é um movimento. A gente gera múltiplos de cultura, de estilo”, conclui Matheus.

Fomos até Itaquera conhecer os organizadores do Helipa LGBT+ e saber mais sobre história e bastidores do pancadão LGBT+ da periferia paulistana. Assista o vídeo no player acima.

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<![CDATA["É difícil pro racista aceitar o fato de que um negro pode ter algo caro"]]>https://www.vice.com/pt_br/article/8xpq9k/e-dificil-pro-racista-aceitar-o-fato-de-que-um-negro-pode-ter-algo-caroMon, 19 Nov 2018 17:26:05 +0000De análise do funk, apropriação cultural, Anitta até o racismo institucional, o canal de Spartakus Santiago, 24, no YouTube soma mais de 102 mil inscritos. O jovem negro, nordestino e publicitário por formação faz parte do grupo de youtubers negros que militam publicando vídeos sobre assuntos polêmicos, como casos de racismo, debates sobre cultura pop e causas LGBT+.

Recentemente, Spartakus publicou stories no Instagram falando que a tela do seu MacBook havia sido danificada e que não tinha recursos para o conserto. Após receber mensagens de seguidores oferecendo ajuda, o jovem decidiu lançar uma campanha online para arrecadar a quantia necessária. A vaquinha superou expectativas e logo alcançou quase o dobro do valor inicial. Mas como a internet não deixa passar nada, muitos criticaram a postura do youtuber.

Ele respondeu a polêmica com outro vídeo falando sobre privilégios da branquitude e o seu trabalho na internet. A questão é que outros artistas e vlogueiros já fizeram prática semelhante de vaquinha online e não sofreram a mesmo rechaça. A diferença? Não eram negros. Conversei com Spartakus para saber o que ele pensa sobre o ocorrido e as relações que perpassam o racismo.

Vice: Por que você acha que a vaquinha online gerou tanto "burburinho"?
Spartakus: Primeiro, porque eu falei que tinha um MacBook porque “não queria ficar atrás dos brancos”. É fato que um computador da Apple é caro e que, devido a anos de exploração do trabalho escravo do povo negro, a maior parte das pessoas que têm poder financeiro para comprá-lo são pessoas brancas. Mas em vez de admitir o privilégio branco, muitas pessoas preferiram se sentir atacadas.

Segundo, porque eu ousei ser um negro que tem um MacBook. Muitas das críticas que recebi falavam que se eu não era rico, deveria comprar um computador barato. Não tenho o direito de juntar dinheiro e comprar o melhor instrumento de trabalho do mercado, pois esse é um privilégio da casa grande. É difícil pro racista aceitar o fato de que um negro pode ter algo caro e mesmo assim estar atrás dos brancos numa estrutura racista.

"Não tenho o direito de juntar dinheiro e comprar o melhor instrumento de trabalho do mercado, pois esse é um privilégio da casa grande"

Terceiro, porque a vaquinha foi um sucesso. Meus seguidores que acompanham meu trabalho e sabem da importância dele não só doaram o valor necessário para o conserto, mas arrecadaram o dobro do valor. Todo o excedente foi doado para a ONG Voz das Comunidades, do Morro do Alemão. E isso incomoda quem acredita na meritocracia, quem diz que nós, negros, vamos ficar ricos trabalhando até a exaustão em subempregos ganhando um salário mínimo.

Porque a visibilidade de um negro, sobretudo militante, incomoda tanto, visto que as pessoas doaram por vontade própria?
Porque as pessoas não estão acostumadas a ver na mídia alguém que não tem medo de denunciar a desigualdade racial e o privilégio branco. Muitas pessoas, em vez de se engajarem pra mudar a realidade racista, sentem seus privilégios atacados. Eu acredito que nossa voz sempre incomoda e que isso foi apenas um pretexto para silenciá-la.

Você recebeu muitas mensagens de apoio e de críticas? Poderia citar alguns exemplos?
Recebi muitas críticas, sobretudo de gays brancos despolitizados de fóruns da internet (pandlr e bcharts) que vivem ridicularizando o movimento negro. Uma prova que ninguém nunca segurou a mão de ninguém. Esses gays são conhecidos por serem racistas. Anos atrás tentei inocentemente entrar num grupo deles e me disseram que “eu tinha muita cara de Batekoo”. Essas críticas foram reforçadas pela extrema-direita, que ao ver minhas fotos anti-Bolsonaro no meu Instagram, viram uma oportunidade de atacar a esquerda.

Fui atacado pelo MamãeFalei, por exemplo, um dos maiores youtubers pró-Bolsonaro. Essa onda de ódio disseminada no Twitter e em grupos de Facebook permitiu que as pessoas ridicularizassem meus vídeos, minhas fotos e minha trajetória, fazendo inclusive outros pretos acreditarem que eu estava “usando o movimento em benefício próprio”.

Felizmente, meu quilombo é forte e recebi apoio de outros criadores de conteúdo negros na internet que sabem que tudo que eu falei é verdade: Murilo Araújo, Samuel Gomes, Cleyton Santana, Aline Ramos. Além disso, influenciadores brancos aliados da luta da negritude também me defenderam, como a Maíra Medeiros e o Bernardo Fala.

Vi em algumas páginas pessoas negras comentando que você estaria "envergonhando o movimento". O que você pensa sobre essa "crítica"?
Como disse Emicida num tweet, “Oxalá nos projeta da militância anti-racista que não perde uma chance de se juntar com os racistas para apedrejar um preto”. É muito triste ver os pretos acreditarem mais em fóruns racistas do que em quem sempre esteve lutando pela causa da negritude. Eu sou um youtuber negro e achei que como todo youtuber, eu tinha direito de pedir apoio dos meus seguidores para fazer uma vaquinha. Não é porque eu falei da desigualdade racial no YouTube que usei o movimento para conseguir doações. Eu sempre estou falando da desigualdade racial. Esse é meu trabalho como ativista negro.

"Toda a riqueza produzida por mãos pretas na escravidão foi para o bolso das famílias brancas que estão na classe média e batem no peito para dizer que conseguiram tudo por esforço próprio"

Em que medida a meritocracia e o racismo andam de mãos dadas? E como você enfrenta essa questão?
Nossos avós foram expulsos das senzalas e deixados ao relento após centenas de anos de escravidão. Toda a riqueza produzida por mãos pretas nesse período foi para o bolso das famílias brancas que estão na classe média e batem no peito para dizer que conseguiram tudo por esforço próprio. Enquanto isso os pretos ficaram na pobreza, sem educação e oportunidade. O argumento da meritocracia diz que nós, negros, temos que vencer toda essa estrutura desigual e apagar toda essa história com esforço individual, ou seja, que os brancos não têm nada a ver com nosso problema. É o argumento perfeito para livrá-los da culpa e condenar os pretos à miséria.

Que aprendizado você tira dessa experiência da vaquinha? O que fica de ruim e o que fica de bom, enquanto força para continuar seu trabalho?
Eu aprendi que qualquer voz levantada contra o racismo é uma ameaça ao privilégio branco. Que sempre estarão esperando uma oportunidade para nos derrubar, como derrubaram Marielle. Além disso, tentarão nos colocar uns contra os outros para tentar nos enfraquecer. É preciso estar sempre em estado de alerta. Mas saio disso tudo fortalecido, sabendo que meu trabalho é relevante a ponto de fazer vir a público todo o racismo velado desse país. Agora todos estão em novembro debatendo a desigualdade racial entre criadores de conteúdo no YouTube. Isso é uma vitória.

Você doou o excedente da campanha para uma ong do Rio de Janeiro. Poderia falar um pouco sobre o projeto e o porquê da decisão?
O Voz das Comunidades é uma ONG do morro do alemão criada por René Silva, que serve como veículo de comunicação para as favelas e também promove ações distribuindo alimentos e livros. Doei para eles porque quem me ajudou acredita na luta do povo preto, e eles são extremamente importantes nessa batalha. O Voz está no lugar de maior vulnerabilidade para nós, onde o genocídio negro acontece diariamente. Nada mais justo que doar o excedente para nossos aliados, afinal, nosso objetivo é o mesmo.

Criadores pretos resistirão! Nós somos a vanguarda da luta racial e ninguém vai nos calar.

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<![CDATA[O fim do quilo como conhecemos]]>https://www.vice.com/pt_br/article/qvqkj7/o-fim-do-quilo-como-conhecemosMon, 19 Nov 2018 15:24:02 +0000Versalhes entrou para a História como sede do opulento palácio do rei Luís XVI e da rainha Maria Antonieta, guilhotinados pela Revolução Francesa. Não foi por acaso, então, que cientistas do mundo todo se reuniram nesta sexta-feira em um auditório na mesma cidade da antiga morada real. O episódio histórico também lançou as bases para o Sistema Internacional de Medidas, uma série de padrões usados no mundo para medições de todo o tipo e que hoje passa por uma revolução: a redefinição do quilo.

A nova definição prevê que o quilo deixará de ser a última grande unidade de medida definida por um artefato. Desde 1995 o quilo oficial é representado por um cilindro de platina e irídio guardado a chaves na sede do BIPM (Escritório Internacional de Pesos e Medidas) na França. Por esse peso de papel estar sujeito a intempéries, roubos e disputas, será substituído por um método de medição muito mais preciso a partir de 20 de maio de 2019.

"O quilo, legalmente, não muda, mas os protótipos de medição perdem gramas com o tempo", explica William Phillips, Nobel de Física de 1997 e um dos cientistas cujos trabalhos foram importantes para a nova forma de medição. "Precisávamos encontrar uma solução para esse problema." O tempo, por exemplo, tem a unidade de segundo definida por propriedades de radiação do átomo de césio. Já o metro é definido pela relação entre velocidade da luz e distância no vácuo. Só faltava mesmo o quilo.

A resolução do problema veio com uma intrincada relação matemática que, em linhas gerais, une a equação de massa-energia de Albert Einstein (E = mc2) à equação fundamental da constante de Planck (E = hf). Nem tão pop quanto o seu conterrâneo alemão, Max Planck é um dos principais cientistas do século XX porque foi pioneiro nos estudos da teoria quântica. Suas pesquisas o conduziram à descoberta da constante que leva seu nome.

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Esfera de silício que também pode ser usada para calcular o peso de um quilo segundo a constante de Planck. Foto: Felipe Maia

A 26ª cúpula, que decidiu pela redefinição do quilo, é o grande marco histórico desde então. A mudança significa também que os países membros do BIPM terão de se adequar às novas regras. Carlos Augusto de Azevedo, presidente do Inmetro e representante do Brasil na cúpula, vê essa necessidade sem maiores delongas. "Tem de fazer os investimentos que tem de fazer sob pena de ficar fora do Sistema Internacional", diz ele. "Não tem ideologia, não tem discussão."

Os investimentos passam pela instalação de uma balança de Watt na sede do Inmetro, no Rio de Janeiro. Tido como um dos experimentos mais difíceis de serem realizados, o dispositivo representa a redefinição do quilo e também avanços rumo ao futuro da ciência. "Um esforço milenar chega a um fim hoje", lembrou o cientista alemão Joachim Ullrich durante seu painel. "Esse processo começou há milhares de anos e agora chegamos às constantes, algo que vai dar as bases para a próxima revolução quântica."

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<![CDATA[DJ Nato PK convida Chuck D para celebrar 20 anos do selo Pau de Dá em Doido]]>https://www.vice.com/pt_br/article/d3b7yy/dj-nato-pk-convida-chuck-d-para-celebrar-20-anos-do-selo-pau-de-da-em-doidoMon, 19 Nov 2018 14:00:00 +0000 Pergunta retórica para os jovens apreciadores do famigerado rap: além de produzir o beat, de qual outra forma o DJ pode colocar a sua marca em um som? Bom, a resposta é: com scratches. Nessa onda o DJ Nato PK mostra pro mundo a música "Justiça", parceria entre ele, Eli Efi (DMN), Enézimo e o lendário rapper norte-americano Chuck D, do Public Enemy, que sai com exclusividade nesta segunda-feira (19) aqui no Noisey. A faixa também é o quarto single da coletânea de 20 anos do selo encabeçado pelo DJ, o Pau de Dá em Doido, que sai em dezembro.

A música é um tanto simbólica. Lançada de caso pensado na véspera do Dia Consciência Negra, a faixa discorre sobre temas que envolvem a negritude, o racismo, preconceito e a injustiça social que rola não só aqui no Brasil, como no mundo todo — como diz Chuck D. "Essa música trata de manter uma conversa que permeia desde o rapto africano, uma triste realidade. A injustiça e o racismo são práticas que infelizmente estão enraizadas no mundo", explica Nato PK.

Com scratches de sons que passam pelo repertório de todos os MCs que cantam na faixa, "Justiça" tem aquele salve ao Public Enemy, à carreira solo do Chuck D., ao Armagedon e ao fundamental grupo de rap de São Paulo, o DMN. "Cresci ouvindo Racionais e Public Enemy e sempre tinha scratch, seja o DJ fazendo todo o refrão ou em momentos essenciais da música. Hoje em dia, aqui no Brasil, temos poucos raps com scratches. Eu sempre busco manter essa característica nas minhas produções, desde o meu primeiro disco. Nessa música, os riscos mostram como é e sempre foi possível o DJ ser mais um MC, com a construção do refrão usando frases de várias outras músicas que tenham totalmente a ver com o tema", conta Nato, que também é parceiro de palco do rapper Rodrigo Ogi.

"Justiça" faz parte da coletânea de 20 anos do selo Pau de Dá em Doido e que deve sair em dezembro com nomes da cena hip-hop do país como Caprieh, Lakers e Pá, Rodrigo Góes, Gaspar (Z'África Brasil), Motim e o projeto Hip Hop de Mesa, além de produções assinadas por Nato PK, Renato Parmi e convidados especiais como Leandro Lehart, Didi Pinheiro, Lira Ribas e Adriana Moreira.

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<![CDATA[Boletim Matutino da VICE - 19/11/2018]]>https://www.vice.com/pt_br/article/vbavvj/boletim-matutino-da-vice-19112018Mon, 19 Nov 2018 10:54:39 +0000Brasil

Futura ministra da Agricultura Tereza Cristina tem ligações com JBS e é citada em delação

A futura ministra da Agricultura do governo Jair Bolsonaro (PSL), Tereza Cristina (DEM-MS), concedeu incentivos fiscais ao grupo JBS na mesma época em que manteve uma parceria pecuária com a empresa. A deputada arrendava uma propriedade em Terenos (MS) aos irmãos Joesley e Wesley Batista para a criação de bois e, ao mesmo tempo, ocupava o cargo de secretária estadual de Desenvolvimento Agrário e Produção de Mato Grosso do Sul. Os documentos assinados por Tereza foram entregues pelos delatores da JBS em agosto de 2017 como complemento ao acordo de delação premiada fechada em maio. – Folha de S. Paulo

Denúncias de violência contra religiões afro-brasileiras crescem 7,5% em 2018

O número de denúncias de discriminação religiosa contra adeptos de religiões de matriz africana no Brasil feitas pelo Disque 100, serviço de atendimento 24 horas do Ministério de Direitos Humanos, aumentou 7,5% em 2018. Foram 71 denúncias do tipo feitas de janeiro a junho deste ano, contra 66 no mesmo período de 2017. Já as denúncias feitas por discriminação contra todas as religiões caíram de 255 para 210, queda de 17% no mesmo período. Ao mesmo tempo em que crescem as denúncias de violência, as religiões afro-brasileiras registraram crescimento de 43,8% no número de adeptos em São Paulo, de acordo com o estudo “Diversidade Étnico-racial e Pluralismo Religioso no Município de São Paulo”, publicado em dezembro de 2016. – G1

Após matar mulher em sua cela, traficante Marcelo Piloto é extraditado para o Brasil

O brasileiro Marcelo Pinheiro Veiga, o Marcelo Piloto, acusado de tráfico internacional, falsidade ideológica e homicídios, foi extraditado neste domingo (19) do Paraguai para o Brasil. Segundo a imprensa do Paraguai, ele deixou o país em uma aeronave do Grupo Aerotático da Força Aérea Paraguaia às 5h05. Traficante confesso, Marcelo Piloto fugiu do Brasil depois de ser condenado a 26 anos de reclusão. No sábado (17), Marcelo Piloto esfaqueou 17 vezes na cela em que estava uma jovem, de 18 anos, que foi visitá-lo. Autoridades paraguaias acreditam que ele cometeu o crime na tentativa de evitar a extradição para o Brasil. – Agência Brasil

Nova regra obriga marcas a informar no rótulo se cerveja tem milho ou arroz

As cervejas nacionais e importadas vendidas no Brasil precisarão ter, em seus rótulos, especificações mais claras sobre os ingredientes usados na fabricação. A medida está prevista em instrução normativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (16). As empresas terão prazo de um ano para se adequar às novas regras. A instrução estabelece a obrigatoriedade de constar, "de modo claro, preciso e ostensivo" no rótulo das cervejas, as informações que indiquem os ingredientes que compõem a bebida, substituindo as expressões genéricas "cereais não malteados ou maltados" pela especificação dos nomes dos cereais e matérias-primas utilizados como adjunto cervejeiro. – UOL

UFRN abre primeiro curso sobre uso medicinal da maconha

Natal, capital do Rio Grande do Norte, terá pela primeira vez um curso sobre uso medicinal da cannabis voltado para estudantes e profissionais da saúde. A iniciativa é do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (ICe-UFRN), que coordena o programa pós-graduação em Neurociências da instituição. O curso “Cannabis medicinal: uma atualização profissional” será promovido entre os dias 3 e 7 de dezembro. Um dos participantes do curso será o neurocientista Sidarta Ribeira, um dos autores do livro Maconha, cérebro e saúde. Também participarão do curso os neurocientistas e pesquisadores Rodrigo Romcy-Pereira, Cláudio Queiroz, Igor Sales e Sérgio Ruschi, todos do ICE. – OP9

Mundo

Incêndio nos EUA tem 1,3 mil desaparecidos e 79 mortes confirmadas

O número de pessoas que continuam desaparecidas em decorrência de dois incêndios que atingem o norte e o sul da Califórnia há uma semana chegou a 1,3 mil pessoas, segundo boletim divulgado pelas autoridades locais na madrugada deste domingo (18). Além disso, foram confirmadas 79 mortes. Os incêndios já devastaram cerca de 400 quilômetros quadros, segundo levantamento do Departamento de Proteção Florestal e de Incêndios da Califórnia. A maior parte das vítimas é do condado de Butte, no norte do estado. O presidente Donald Trump visitou o estado neste sábado (17) e se reuniu com equipes de resgate, bombeiros e com o governador, Jerry Brown. – Agência Brasil

Deslizamentos de terra matam 12 pessoas no Vietnã

Doze pessoas morreram no sul do Vietnã soterradas por deslizamentos de terra provocados pela tempestade tropical Toraji, que chegou à região durante o fim de semana, informou nesta segunda-feira (19) o centro de gestão de desastres do governo. As fortes chuvas causaram enchentes e deslizamentos de terra que soterraram pelo menos 12 casas em várias regiões da cidade litorânea de Nha Trang, um dos locais de maior fluxo de turistas do país. – G1

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vbavvjEquipe VICE BrasilDébora LopesCannabisCaliforniaVietnãCervejaNotíciasJBSMinistério da AgriculturaTereza Cristinareligiões afro-brasileirasMarcelo Piloto
<![CDATA[O lado emocional do camming]]>https://www.vice.com/pt_br/article/wjyx4w/o-lado-emocional-do-cammingMon, 19 Nov 2018 09:00:00 +0000Em algum lugar do LiveJasmin, My Free Cams ou Chaturbate, tem uma garota com um harness rosa recebendo £10 [quase R$ 50] para esfregar uma bexiga com os pés porque algum cara com esse fetiche pediu. Ela não precisa olhar para a expressão enrugada como um cu de gato quando ele goza porque ele não pagou a quantia extra exigida para poder ligar sua webcam.

Em outro lugar do site, uma garota que costumava ganhar salário-mínimo servindo hambúrguer de micro-ondas para clientes que nunca diziam obrigado agora tem uma página no Instagram dedicada ao jeito como ela balança a bunda melecada de cobertura de bolo. Não só ela trabalha de casa, mas do conforto da própria cama. Outra garota está fazendo faculdade de psicologia. Antes de fazer camming, ela era obrigada a comer sanduíche só de alface enquanto esperava outra parte do seu empréstimo estudantil cair. Ela acabou de vender uma calcinha usada por £30 [R$ 140]. Ela basicamente é paga para não lavar a roupa.

Ser cam girl pode parecer fácil, mas a parte mais difícil não vem de se conformar com a ideia de transmitir sua celulite ao vivo – mas das exigências físicas e emocionais constantes. Para viver disso, cam girls trabalham de três a doze horas por dia, mas sucesso exige consistência.

Falei com Miss Dammer, uma ex-cam girl que agora trabalha como acompanhante, que já foi uma das dez garotas mais assistidas no My Free Cams. Lá ela fazia mais de £ 20 mil [quase R$ 100 mil] por mês. “Esses caras estão sempre online; se você não aparece um dia, eles podem visitar a página de outra garota e você acaba perdendo um cliente que paga bem”, ela me diz. Excitação logo deu lugar à ansiedade enquanto Miss Dammer se tornava mais consciente de que seu sucesso dependia de conteúdo constante: “Uma vez fiquei online por 24 horas. Consegui ficar um ano e meio sem tirar um dia de folga”.

Não é simplesmente a frequência da criação de conteúdo que leva a um burnout. É a natureza do trabalho exigido para manter o público interessado. Quando mais você se move, mais chance tem de chamar a atenção de clientes passando os olhos pela home page. “Nunca tive uma cadeira no meu quarto; eu colocava o computador na beira da cama e continua me movimentando, as pessoas podiam me pagar para fazer um desfile, ou dançar a dança da galinha ou a Macarena”, diz Miss Dammer. “Eu fingia que tomava doses de vodca, mas na verdade a garrafa tinha água. Eu não tinha que malhar porque queimava muitas calorias. Camming foi o que me rendeu problemas de coluna – tenho pé torto por causa do salto alto, e meus olhos ardiam porque eu estava sob luz fotográfica o tempo todo.”

Casais que trabalham na indústria juntos encaram algo unicamente cansativo. Enquanto os cammers solo podem fingir o orgasmo, é esperado que os casais façam sexo – algo que não dá realmente para simular. Os namorados de escola Jaxx e Bunny começaram a fazer camming juntos quando estavam precisando de dinheiro. Depois de sair de uma moradia estudantil que custavam $1 mil [R$ 3.600] para um quarto de 46 metros quadrados, eles passaram um tempo dormindo numa barraca numa mata antes de se voltarem para o camming – uma profissão que permite a eles morar numa casa legal e cuidar do filho de nove meses. “Fazemos sexo por seis horas por dia”, diz Bunny. Quando pergunto se isso não acaba sendo doloroso, ela diz: “Se estou cansada e preciso fazer uma pausa, faço boquete nele. O pessoal adora assistir isso”.

Mas um mal jeito no maxilar não é nada comparado com o trabalho emocional exigido pelo camming. Enquanto formar laços virtuais com homens geralmente é uma das atrações do trabalho, isso pode se tornar exaustivo e até abusivo quando esses homens começam a te tratar como uma namorada virtual, que tem o dever de garantir a felicidade deles em troca de dinheiro.

Como todo trabalho sexual, camming é parte da indústria de serviços. O trabalho é satisfazer os clientes colocando as necessidades deles acima das suas. Não é muito diferente do trabalho de garçonete “tudo certo com o senhor aqui?” Quando você trabalha num bar polindo taças de vinho e algum cara de gola rolê fica te perguntando o que você acha de Richard Dawkins e usando a palavra “subjetivo” sem parar, você não pode mandar o cara se foder, porque você está no trabalho e ele está bebendo o Rioja mais caro do cardápio. Então você sorri enquanto ele te explica Dualismo Cartesiano.

“Esses caras contam com você para fazer eles se sentirem melhor”, explica Kitty, um cam girl de 21 anos que mora em Londres. “Em janeiro dei uma festa de aniversário para um cliente regular pela webcam; ele estava fazendo 22 anos e estava se sentindo deprimido e solitário. Então comprei bexigas, uma garrafa de vodca, um bolo, e aí jogamos 'Eu Nunca' pelo Skype. Ele disse que salvei o aniversário dele. Fiquei feliz em poder animá-lo. A festa foi grátis – geralmente não faço isso. Você não pode ficar muito próxima dos clientes porque, no final das contas, precisa pagar o aluguel.”

Quando começou a trabalhar com camming, Miss Dammer era uma pessoa introvertida que achava o mundo real ligeiramente assustador. Como Kitty, ela se sentiu incentivada pelo senso de comunidade que emergiu entre ela e seus seguidores. Mas enquanto ela colocava mais de si na tela, os homens começaram a perguntar cada vez mais coisas como: “Se nos encontrássemos no mundo real, você acha que a gente ficaria junto?”

“Há uma grande diferença entre o tipo de homem que visita sites de cam e o tipo de homem que contrata uma escort”, explica Miss Dammer. “Os caras que visitam os sites são constrangidos socialmente; eles moram mesmo no porão da casa dos pais, e todo eles trabalham de casa – um fazia suporte técnico do Best Buy, outro cuidava da mãe. Com o escorting, você lida com homens de negócio que ganham muito dinheiro, eles são casados, estão viajando a negócios, então depois de uma noite com você eles voltam para a vida normal deles.”

Com acesso constante a ela, um dos clientes regulares de Miss Dammer ficou obcecado – descobrindo o endereço dela, seu nome real e ameaçando mandar screenshots para os pais dela. Quando ela tirou um dia de folga para esquiar com a melhor amiga, a crise atingiu um pico. “Ele começou a me mandar uma mensagem atrás da outra: 'Você está falando com outro homem? Não acredito que você está como uma amiga'. Ele ameaçou se matar, e me mandou fotos de uma arma e do bilhete de suicídio que ele ia deixar para os pais. Mandei de volta fotos da minha amiga e eu para fazer ele se sentir melhor. Eu não queria que ele morresse.”

Com medo que ele a rastreasse, Dammer fingiu se mudar para outro estado norte-americano. “Reformei um quarto no primeiro andar, até os rodapés eram diferentes, plantei moitas fora da janela típicas do estado para onde disse que tinha mudado, coloquei outro carpete e pintei as paredes de outra cor.”

Se não acabam tendo que aturar um stalker, cam girls muitas vezes passam o dia inteiro mandando mensagem para os clientes nas redes sociais para manter o interesse deles. É uma forma de trabalho não-pago, o que torna mais difícil se desligar depois de um longo dia. Kitty está sempre atualizando seu Twitter. Tem um monte de fotos dela agachada com um fio dental, a bunda rosada de palmadas; ou dela com um chapeuzinho de festa e comendo bolo de chocolate porque passou seu aniversário transmitindo. Em toda parte, ela está sempre acalmando os fãs mais fervorosos: “Acabei de jantar! Volto em 15 minutos”, ou fazendo pedidos meio sarcásticos de dinheiro: “Quem gostaria de pagar meu aluguel nos próximos seis meses? #sugardaddy #cadêvocê”.

“Falo com muitos caras fora das câmeras pelo Snapchat”, diz Kitty. “Alguns tentam começar conversas picantes, o que é irritante porque eles estão tentando conseguir conteúdo grátis, mas na maioria das vezes é algo inocente. Tem um cara que me manda fotos de todas as refeições que ele come. Na segunda ele comeu vieiras com crosta de alho e camarão no molho chilli, hoje ele comeu um hambúrguer com muito queijo e batatas fritas, de sobremesa ele pediu um sorvete de Matcha.”

Enquanto, para Kitty, as redes sociais são um mecanismo útil para aumentar seus negócios, para Miss Dammer essas trocas se tornaram incessantes. Ela começou a se sentir um software erótico não muito diferente da Samantha do filme Ela. “Se levava mais de uma hora para responder, eu recebia um monte de mensagens tipo 'Você só está me usando por dinheiro' e tipo, é, óbvio.”

Vendo as cam girls só pela tela do computador, homens podem começar a conceitualizá-las como personagens de videogame mal escritas – uma Lara Croft com morte cerebral, ou aquelas animações com peitos gigantes que explodem quando você está tentando piratear Curb Your Enthusiasm. “A mesma coisa que os atrai em mim – que sou uma garota com o corpo de uma mulher normal com quem eles podiam trombar no mercado – é a coisa que eles esquecem”, explica Dammer. “Eles começam a te ver como esse produto que eles podem possuir. Mas eles só pagam por um momento do seu tempo, eles não estão pagando por você.”

Eventualmente, Miss Dammer ficou com tanto pavor de ficar online que nunca mais entrou no site. O trabalho emocional envolvido no camming é um paradoxo: é o que torna o trabalho recompensador – em vez de nomes de usuários numa tela, esses homens se tornam seus amigos. Mas também é isso que torna o trabalho difícil, ter que convencer esses caras de que eles podem ter um relacionamento fora do mundo virtual, e aí lidar com as consequências.

No final da ligação, pergunto a Miss Dammer se ela sente saudade do tempo de cam girl: “Sinto, mas no final acabei sentindo que tinha não um namorado controlador, mas 20”.

@annielord8

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