Música
Concertos imperdíveis do Primavera Sound: Thee Oh Sees

Os Oh Sees são uma grande banda e, mais importante do que isso, têm tudo para continuar a crescer. As coisas não aconteceram do dia para a noite e, por isso, é também natural que a reputação da banda não se evapore repentinamente, como acontece em tantos outros casos. Não houve um “best new music” da Pitchfork que colocasse instantaneamente a banda de John Dwyer nas bocas do mundo só por causa de um disco com uma boa nota. Pelo contrário, o crescimento destes heróis de São Francisco aconteceu muito gradualmente: no início, começaram por ser os O.C.S. e era tudo folk melancólica cheia de ruído; depois fizeram um brilhante disco de transição chamado Sucks Blood e o rock aí já era mais acentuado; agora são uma máquina imparável de riffs e desbunda que costuma lançar uma média de dois discos por ano. Nenhum desses parece existir só para fazer número e o mais recente, Carrion Crawler / The Dream, é mais um álbum cheio de surpresas (uma cover dos Can) e malhas que aquecem o sangue durante uma vida inteira.
Tudo isto é gasolina regada sobre a excitação que antecede o concerto dos Oh Sees, marcado para as 2:30 do segundo dia do Primavera Sound portuense, no palco ATP. Depois de quatro entrevistas e da colaboração num artigo sobre as suas músicas favoritas, o John Dwyer deve achar que sou um stalker, mas continua a responder às questões sem complicar. Os assuntos foram muitos e passaram obrigatoriamente pelo novo segundo baterista dos Oh Sees (Lars Finberg, dos Intelligence) e pelo concerto da banda a bordo do Bruise Cruise (um festival em alto mar). Siga ler a entrevista e depois baza para o Porto.
VICE: Como estão vocês?
John Dwyer: Está tudo porreiro. Acabámos de sair do estúdio, onde temos estado a gravar o próximo álbum. Está sol lá fora e acabei de beber chá. Não me posso queixar.
Como descreverias estes últimos meses partilhados com o Lars Finberg na segunda bateria?
O gajo é o maior. Admiro-o desde que ouvi o primeiro single dos A Frames.
Que tipo de energia ele trouxe para os concertos de Oh Sees?
Ele trouxe mais bateria e mais consumo para o rider da banda. Diria que trouxe uma energia jovial também.
O gajo parece-me altamente criativo e penso às vezes se terá levado alguns temas da banda por caminhos mais estranhos.
Ele contribuiu na composição de umas quantas canções novas. Foi uma alegria tê-lo em estúdio durante as sessões do Carrion Crawler.
O Lars transformou "Block of Ice" numa canção de Intelligence, quando eles gravaram aquela versão para sair no Deuteronomy. Ele contou-me que não era capaz de parar de tocar aquela bateria… História engraçada. Ele tem curtido tocar com vocês ao vivo?
Acho que o Lars é bastante descontraído nos concertos. Se algo lhe corre mal, não lhe salta a tampa como se fosse o Buddy Rich.
Há algumas canções dos Intelligence que gostasses de tocar com os Oh Sees?
Montes delas, claro: "Weekends in Jail", "Thank You God for Fixing the Tape Machine", etc.
Foi muito diferente tocar a bordo de um navio no Bruise Cruise?
O barco abana e toda a gente está mais bêbada do que é habitual.
Algum de vocês enjoou?
Népia.
Qual foi a pessoa que mais bebeu durante todo o festival?
O nosso baterista Mike Shoun.
Fiquei muito entusiasmado ao saber que fizeram alguns concertos com a formação dos discos mais tranquilos como o The Cool Death of Island Raiders e Sucks Blood. Como é que isso aconteceu exactamente? E acreditas que poderão voltar a isso brevemente?
Sim, fizemos um concerto em São Francisco e foi fantástico. Gostava de fazer mais concertos e isso está nos nossos planos, mas logo se vê. Este vai ser um ano extremamente ocupado.
Uma boa parte dos vossos concertos termina com o pessoal todo a curtir em cima do palco. Vi um vídeo daquele concerto em Nova Iorque e todos os miúdos pareciam tão bem comportados. Alguma dessas invasões de palco deu para o torto?
Não temos tido problemas. Por vezes o público deixa-se envolver. Outras vezes não. Seja como for, é sempre altamente.






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