
PANTY POPS
Dir: Kevin Moore
Nota: 10
Pantypops.com/Evilangel.com
Dá pra acreditar que Panty Pops #6 acabou de estrear? E só faz uns dois anos que o primeiro Panty Pops foi lançado. É um nível de eficiência que poderia ensinar muito a Hollywood. Quem precisa de um orçamento de US$ 100 milhões e três anos de produção para fazer filmes de super-herói? Vamos tratá-los como filmes pornôs, já que eles têm basicamente a mesma fórmula.
Nos filmes pornôs, é boquete/chupada de xoxota/ papai e mamãe/cavalgada de costas/gozada. Nos filmes de super-herói, é origem do herói/introdução do vilão/ amada/amada sequestrada por vilão/luta/triunfo do herói. Dito isso, eu poderia fazer Homem-Aranha com um orçamento mínimo e com menos de cinco minutos de duração: aparecem os créditos, depois o Peter Parker é mordido por uma aranha, aí ele sobe pelas paredes, então o Lagarto acena para a câmera antes de sequestrar a Gwen Stacy, aí tem a cena épica de batalha (onde vai todo o orçamento), o Homem-Aranha se balança em direção ao pôr do sol com a Gwen em seus braços, a imagem dá um fade out e sobem os créditos finais. Eu conseguiria fazer meia dúzia de filmes em um ano. Fale pro Christopher Nolan ou sei lá quem vir falar comigo.
Spoiler alert! O propósito dessa série Panty Pops é — você nunca vai adivinhar — fazer a porra (pop shot) aterrissar na calcinha (panties). É um texto brilhante, porque o seu cérebro fica te dizendo: “Não tem a menor chance desse Kevin Moore entregar o enredo todo no título”. E aí você fica esperando que role alguma coisa tipo Sexto Sentido, e quando não rola, você fica: “PUTA MERDA! Ele me pegou! Fiquei tão ansioso esperando ele me pegar que fui pego antes mesmo de começar. Absolutamente genial”.
Mas ainda mais genial do que o final enganoso não-enganoso é a crítica social que Moore faz sobre a transformação do desejo sexual que ocorre com a idade e a mortalidade que todos devemos enfrentar. Na juventude, o homem arranca a roupa da mulher como se não houvesse amanhã. Mas conforme envelhecemos e começamos a entender o que está por baixo daqueles trajes, e que o poder que aquilo tem pode deixar um homem de joelhos, fazemos o melhor que podemos para prolongar a experiência, para nos proteger do que jaz sob aquela fachada de algodão. De fato, Moore não escancara o que estamos todos pensando: que vamos todos morrer um dia, mas se conseguirmos manter essa ereção por mais cinco minutos, talvez viveremos para sempre. No entanto, ele deixa isso implícito entre a chupada da xoxota e a primeira posição da trepada. Não entendo muito de religião — a não ser que os chocolates da Páscoa são deliciosos, e sempre agradeço a Deus por eles em abrir —, mas imagino que a sensação que Panty Pops te dá é o que as pessoas querem dizer quando falam que tiveram uma “experiência religiosa”. É o único jeito que encontro pra descrevê-lo. É como se Zeus tivesse batido uma punheta pra você.
Você encontra mais idiotices em Chrisnieratko.com e twitter.com/Nieratko. Você também deveria assistir aos vídeos da série Skinema no VICE.com.



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