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O Novo Mario Kart me Fez Querer Voltar a Jogar com Meus Amigos

A nova encarnação do jogo de kart da Nintendo não traz muitas novidades, mas pelo menos traz de volta aquela vontade de jogar com a rapeize.
17.7.14

Algumas coisas não mudam nunca.

Apesar de suas sequências, Mario Kart 8 é um jogo construído sobre uma base sólida, desafiadoramente estável, tendo em vista as oito mudanças de console, e que ganhou repercussão graças à recente adoção de um sufixo numérico criado pela Nintendo.

Isso não significa de maneira alguma um atraso. O ciclo de consoles vem se adaptando a essa mudança gradual cada vez que um novo equipamento é lançado. Enquanto jogos de esportes já usam com sucesso o modelo anual há algum tempo, o Mario Kart não precisa dessa repetição constante.

Em Mario Kart 8, você tem novos personagens, novas pistas, novos truques adicionados à mecânica dos carros – neste caso, rodas magnéticas e pistas futuristas de ponta cabeça, no estilo do F-Zero, e um mecanismo de replay das jogadas muito ligeiro –, novos itens e uma variedade de novas firulas típicas das sequências de jogos. Esta versão teve um custo de produção bastante elevado, com gráficos em HD e sem músicas em formato MIDI.

Mesmo assim, todos as versões do Mario Kart sempre são nota 7, e não poderia ser diferente com essa. Há muitos anos que esses jogos não trazem nada de inovador. E tudo bem. Porque o que realmente importa em todos os Mario Karts é o que você sente quando está jogando.

Desde o Mario Kart Double Dash!!, em 2003, eu sempre jogo cada lançamento com uma checklist mental. Veja como funciona tudo isso num gráfico de pizza bem chique:

  • Aprender acelerar e pegar o boost no início da contagem regressiva para a corrida (tempo necessário: um dia).
  • Destravar vorazmente todos os personagens secretos (quatro dias).
  • Bater o tempo de mais ou menos 30% dos "fantasmas" da Nintendo nos Time Trials (10 dias).
  • Jogar online uma ou duas vezes; me recusar a aprender técnicas avançadas, como snaking (um dia).
  • Deixar o jogo de lado até que apareça um amigo (ou dois ou três) que queira jogar Mario Kart comigo.

Com a exceção do último passo, todo o processo leva mais ou menos duas semanas, até que eu diga "ok, isso foi divertido. Agora eu só preciso esperar até que meus amigos queiram jogar comigo."

O que pode levar meses ou anos para acontecer, já que nem todos os meus amigos estão necessariamente interessados em Mario Kart, ainda que eu tenha a sensação de que essa é a experiência de jogo mais comum que o público em geral tem quando se trata de videogames. Agora, na fase adulta, esses encontros acontecem ainda mais esporadicamente.

Com o ressurgimento dos jogos para múltiplos controles, o Mario Kart voltou a ser parte importante do menu. Nossos amigos do Sportsfriends acabaram de lançar uma coleção de jogos, os arcades feitos em casa já são uma realidade e designers e jogadores hoje dão muito valor a essa experiência social dos jogos, em oposição à interação online e virtual dos jogos de múltiplos jogadores (LAN), que de uns tempos pra cá vêm dominando o mercado de jogos multiplayer.

"Os arcades feitos em casa já são uma realidade e designers e jogadores hoje dão muito valor a essa experiência social dos jogos"

Então eu achei que faria um melhor uso do meu tempo se fizesse uma resenha dos tipos de pessoa com quem você pode jogar Mario Kart 8, em vez de falar do jogo em si. Você sabe o que esperar dele — é Mario Kart. Mas e das pessoas com quem jogamos?

O GAMER EXPERIENTE

Toda vez que você colocar um Mario Kart pra rodar você provavelmene vai ter que gastar um tempinho reaprendendo a usar os controles. Pessoas que jogam regularmente, que leem sobre o assunto e que consomem jogos do mercado AAA e de outros mercados não são exceção. Depois de algumas corridas eles pegam o jeito da coisa e se transformam em jogadores muito competentes, o que é o seu ponto forte. É uma experiência genuinamente incrível jogar com eles. Mas não demora muito para que a sua atenção se desvie para outro jogo.

É importante jogar sem meta-críticas durante a sessão. Eu e meus amigos experts discutimos a fundo as novidades do jogo. Por exemplo: por que a Mario Kart TV (mecanismo de replay e edição de vídeo e plataforma social) existe? Para quem ela foi desenvolvida? Falamos sobre como sentimos os controles em cada uma das inúmeras configurações possíveis (incluindo quase todas as combinações do Wii-mote periférico, do Wii U Gamepad, do Pro Controller, mas não do Wavebird), e sobre a possibilidade do Wii U voltar ou não a ser legal, visto que a Nintendo parece ter se acomodado com seu sucesso e vem fazendo uma série de escolhas bizarras de design. (Nota 8/10)

OS PROFISSIONAIS DE MARIO KART PARA 64

Todos nós conhecemos um desses. Surpeendentemente numerosos, esses ratos das pistas virtuais de kart não aprimoram suas habilidades desde os anos 90, e se transformaram no tipo mais chato pra se jogar Mario Kart, isso sem mencionar o fato de que eles são péssimos perdedores. "Ahhh mas eu sou muito bom na versão pra Nintendo 64", eles dizem. E que bom pra eles. Eu não sou bom em muitas atividade que não pratico há 20 anos e tá tudo bem.

Quando, mais cedo ou mais tarde, perdem uma corrida, esses jogares culpam você por ter jogado uma versão mais recente de Mario Kart do que eles. (Enquanto algumas pessoas estão sempre prontas pra jogar versões antigas, eu, por exemplo, não tenho quatro controles de Nintento 64 sobrando em casa). E então esses amigos vão embora, mas não conseguem dormir naquela noite. Você começa a receber ligações no meio da madrugada, apenas uma respiração do outro lado da linha. Eles elaboram um plano diabólico e te convidam para ir jogar em suas casas; eles fazem questão que você sente no sofá e jogue Mario Kart nas configurações que eles escolheram. E mesmo que eles tenham um N64 que funcione, é quase certo que os controles não vão estar 100%, ou pior: eles vão te oferecer um equipamento similar de outra marca, como o SharkPad Pro, que é o pior controle já feito em toda história.

E aí, se você perder, eles vão ficar com uma sensação vitoriosa extasiante. Vão apontar o dedo na sua cara e fazer uma expressão que é um misto de riso e choro. Eles se sentem vindicados por seu orgulho de merda embalado em plástico velho. (3/10)

BÊBADOS

O álcool, esse eterno lubrificante social, lançou nova luz sobre as corridas de kart com mascotes quando eu e meus amigos descobrimos o "Mario Kart Bêbado". É um "mod" físico (ou um conjunto de regras especiais) que nós começamos a usar quando estávamos na faculdade. Funciona assim:

  • Todos pegam uma latinha de cerveja.
  • Cada jogador deve terminar a sua latinha antes da corrida começar.
  • O jogador não pode beber quando estiver segurando seu controle.

Você fica bêbado muito rápido. O jogo acaba ficando em segundo plano, diferente do álcool. Quando esse conjunto de regras está em vigor, o supracitado "boost start" para o Mario Kart funciona como uma experiência social. É claro que o álcool serve apenas para acelerar esse processo, mas Mario Kart é mesmo melhor enquanto um momento compartilhado com os amigos. É o jogo que todos nós provavelmente temos em comum. Até mesmo aqueles não jogam regularmente. (10/10)

JORNALISTAS DA ÁREA DE GAMES

Não tinha ninguém online porque o jogo ainda não tinha sido lançado quando joguei, e todos os outros blogs e sites se anteciparam ao lançamento com suas resenhas. (0/10)

EU MESMO

Fiquei imaginando como seria jogar comigo, então perguntei para algumas pessoas com quem já joguei. Eu tendo a ganhar bastante, mas em compensação ofereci cerveja e pizza aos meus convidados. (7/10)

Eu não queria fazer uma resenha focada nas novidades do Mario Kart 8. Ainda assim, inexplicavelmente, estão faltando algumas alterações mecânicas essenciais para um console problemático e dotado de um controle tão peculiar. O Wii U GamePad é mais uma vez inútil, e e ainda assim o jogo te obriga a mantê-lo ligado sempre que estiver jogando. Será que dá para transformá-lo num espelho retrovisor? Nem dá. Será que rola de usar como uma segunda tela, para que os outros jogadores tenham mais espaço na tela da TV? Também não. Dá pra usar como uma inútil buzina de gás? Aí dá.

A única função real do Gamepad é mostrar o mapa em miniatura da pista, e eu não estou certo da utilidade disso.

Numa época em que a Nintendo precisa surpreender e encantar seus fãs e convencê-los a voltar para o seu produto, você imaginaria que estaríamos vendo alguns usos incríveis para esse controle, o que certamente não é o caso, já que quase todos os jogos só permitem que você o use como um acessório periférico opcional. Esse é o caso de literalmente todos os jogos para Wii U que eu joguei até agora, com a exceção do Nintendoland. E esse fenômeno estranho continua – com o primeiro Wii, eu sempre optava por usar o Wavebird para Gamecube, e agora que tenho um Wii U prefiro qualquer outro controle que não seja o Gamepad.

Talvez seja só eu. Mas por quê?

E se esse esquema muito louco de editar vídeos do Mario Kart fosse controlado pelo pad e pudesse, tipo, editar de verdade? Ou se permitisse que os jogadores controlassem a câmera do Lakitu? Quem sabe um quinto jogador? Quem sabe alguma coisa que mexesse mesmo na estratégia do jogo, por exemplo um jogador que pudesse fazer modificações nas pistas em tempo real através do pad, enquanto os outros se viram na TV? Ou ainda ferramentas para a construção de novos levels? E que tal comunidades focadas em desenvolvimento de conteúdo, como acontece com o ModNation Racers e o LittleBigPlanet. Que tal qualquer coisa que tirasse proveito desse equipamento tão único?

No fim das contas é Mario Kart. E é um excelente jogo pra se jogar em grupo. Você já jogou ele antes e, se quiser, pode jogar de novo. Você vai gostar. Desta vez em HD.

Tradução: Luiza Vilela