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O uso de LSD afeta como seres humanos processam o medo

A incapacidade de perceber temores no outro ao usar a droga pode ajudar no tratamento de depressão e ansiedade.

Nos últimos anos, cresceu o número de estudos sobre os efeitos terapêuticos de diversas substâncias psicodélicas. Descobrimos que vários deles se mostraram eficazes no tratamento de vícios, bem como de depressão e ansiedade em pacientes terminais. Apesar disso, nenhum estudo foi publicado sobre como essas drogas afetam as emoções em nível neurológico. Isso mudou ontem com a publicação de nova pesquisa no periódico Translational Psychiatry, que revela que pacientes sob os efeitos de LSD são menos capazes de processarem estímulos assustadores, o que poderia ter grandes implicações no uso de LSD para o tratamento de depressão ou ansiedade.

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A pesquisa foi realizada em duas instituições em Basel, na Suíça – terra natal do LSD – em 20 pessoas saudáveis entre 25 e 58 anos de idade. Dentre estes participantes, cerca de 3/4 já haviam fumado maconha, um terço havia usado MDMA e apenas duas pessoas tinham experiência prévia com psicodélicos.

Cada participante recebeu uma dose de 100 microgramas de LSD (dose padrão para o usuário recreativo que leva a "efeitos psicodélicos robustos") para, duas horas e meia depois, serem realizadas ressonâncias magnéticas de seus cérebros. De forma a julgar os efeitos do LSD no processamento de estímulos assustadores, foram exibidas 10 imagens de pessoas com expressões assustadoras ou neutras aos participantes dentro da máquina de ressonância.

Incrivelmente, colocar gente sob efeito de LSD numa dessas coisas não as fez surtarem. Crédito: Wikimedia Commons

De acordo com a pesquisa, quando os indivíduos sob efeito de LSD foram expostos às imagens que expressavam medo, houve pouca atividade na amígdala – área do cérebro que se acredita ser a responsável pelo processamento de emoções – em comparação aos indivíduos que haviam recebido um placebo. Estes, por sua vez, demonstraram índices de atividade mais altos. Os pesquisadores então descobriram que "a desativação da amígdala pelo LSD estava associada aos seus efeitos psicodélicos subjetivos agudos". Ou seja: ficar doidão afeta significativamente como você processa emoções.

De acordo com os pesquisadores, poderíamos argumentar que a queda na resposta a expressões faciais assustadoras sob efeito de LSD pode ocorrer por causa da maneira como a droga afeta a visão. Porém, em outro estudo que deu aos participantes doses ainda maiores de LSD (entre 100 e 200 microgramas), descobriu-se que a substância afeta a capacidade de reconhecer faces assustadoras, mas não neutras, tristes ou raivosas.

Essas novas descobertas podem ter impacto terapêutico significativo para quem sofre de depressão ou ansiedade, transtornos associados ao aumento da atividade na área da amígdala e propensão a estímulos negativos.

Tradução: Thiago "Índio" Silva