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Este gajo está a reproduzir "Blade Runner" com o Paint

As ilustrações não são perfeitas em termos artísticos e não são 100 por cento detalhadas. No entanto, cada momento é instantaneamente reconhecível, mesmo por quem não veja o filme 20 vezes por mês.
19.10.16

Este artigo foi originalmente publicado na nossa plataforma Motherboard.

Não é novidade para ninguém que somos grandes fãs de Blade Runner, o clássico filme de 1982, realizado por Ridley Scott. Uma maravilhosa distopia em tons neo-noir? Inteligência artificial e seres biónicos altamente sofisticados? Questões profundas sobre livre arbítrio e o que significa ser humano? Mandem vir, por favor.

Portanto, quando descobrimos a página de Tumblr de David MacGowan, MSP Blade Runner, a nossa reacção foi de fascínio colectivo. MacGowan está, literalmente, a dissecar Blade Runner cena a cena e a desenhar cada uma no MS Paint. As ilustrações não são perfeitas em termos artísticos - afinal de contas estamos a falar do Paint - e não são 100 por cento detalhadas. No entanto, cada momento é instantaneamente reconhecível, mesmo por alguém que não tenha uma ligação mais do que normal com o filme. E, claro, Macgowan consegue acertar em cheio na abordagem àquela estética do tipo "Internet Ugly", que tantos de nós tentam e não conseguem replicar.

Todas as imagens cortesia David MacGowan

Desejosa de saber mais sobre o génio por trás deste - MacGowan ainda nem chegou a meio do filme de duas horas - enviei-lhe algumas perguntas por e-mail. Primeiro quis saber o porquê disto.

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"Gosto da ideia de ter um blog, mas, basicamente, acho que tenho pouco a dizer sobre a maior parte das coisas, pelo menos sobre coisas que sejam originais, ou interessantes", afirma. E acrescenta: "Meti-me no Tumblr apenas com a ideia de postar algumas fotos, mas ainda assim senti que tinha de meter alguma coisa que fosse mesmo da minha autoria… Há alguns anos costumava desenhar umas merdices no Paint para um grupo de fãs de uma banda de que gostava muito. Era uma espécie de uma forma de não me deixar bloquear pela falta de talento artístico, mas a coisa nunca teve muito sucesso".

MacGowan já era nessa altura um grande fã de Blade Runner e diz-me que vê o filme a espaços de forma a não correr qualquer risco de se fartar.

"No cinema só o vi já em adulto, quando foi lançada a versão Final Cut, e fiquei maravilhado. Completamente atordoado, na verdade", sublinha o artista, que, tal como a maioria dos fãs de Blade Runner, se sente particularmente atraído pelo contraste entre o facto de ser um filme "à antiga", mas desenvolvido num plano futurista. "É, de muitas formas, uma mistura de antigo e novo".

Surpreendentemente, MacGowan garante-me que alguns dos desenhos não demoram mais de cinco minutos a serem feitos, dependendo da quantidade de pormenores que estão na cena e de quão cansado ele está naquele momento. Faz um ou dois por dia, quando chega a casa do trabalho. Se estiver de folga, faz mais.

"Nem sequer penso em desistir. A ideia de conseguir mesmo acabar algo que comecei (por uma vez na vida) é muito apelativa. E, para além disso, é uma coisa divertida, não é nenhuma obrigação chata", diz.

Todavia, e como grande fã que é do filme, MacGowan não está muito ansioso pela sequela que ai vem, Blade Runner 2049. Perguntei-lhe se iria ver o filme e se, eventualmente, poderia vir a desenvolver um projecto semelhante para este.

"Parece-me que vai ser um bocado treta. É claro que o irei ver, porque não vou conseguir resistir. Mas, de certeza, que não vou fazer uma coisa destas para uma sequela, mesmo que goste. Tenho uma cena com "o original"… odeio sequelas na generalidade", conclui.

Para além disso, MacGowan ainda tem muito que palmilhar com o original. "Em breve vou começar a desenhar a apresentação de Roy Batty, que é uma cena que adoro", revela.

Mal podemos esperar.