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Ambiente

Cientistas encontram plástico em animais nos pontos mais profundos do Oceano

O material estava nas entranhas de anfípodes, que vivem a 10.890 metros abaixo da superfície do mar.

Por Becky Ferreira; Traduzido por Madalena Maltez
12 Março 2019, 10:03am

As três espécies de anfípodes recolhidos em seis trincheiras hadal ao redor do Círculo do Pacífico: (a) Hirondellea gigas, (b) Hirondellea dubia e (c) Eurythenes gryllus. Imagem: Jamieson et al / Royal Society.

Este artigo foi originalmente publicado na nossa plataforma Motherboard.

Os organismos que vivem nas maiores profundidades dos oceanos conhecidas pelo homem estão contaminados por plásticos, segundo um estudo publicado na passada semana. Os investigadores apresentaram “o registo mais profundo de ingestão de plástico, indicando que é muito provável que não exista nenhum ecossistema marinho que não esteja impactado pela poluição plástica”, de acordo com o artigo publicado no Royal Society Open Science.

Liderada por Alan Jamieson, ecologista marinho da Universidade Newcastle, em Inglaterra, a equipa examinou o estômago de organismos anfípodes – crustáceos conhecidos coloquialmente como “pulgas do mar” – recolhidos de habitats nas profundezas dos oceanos. Apesar da localização das fossas marinhas variar de águas japonesas a chilenas, todas elas estavam na chamada “zona hadal”, o que significa a pelo menos seis mil metros no fundo do mar. O estudo incluiu até anfípodes recolhidos na Depressão Challenger, na Fossa das Marianas, conhecido como o ponto mais profundo do mar, a 10.890 metros abaixo da superfície.


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Apesar dos habitats remotos, a equipa de Jamieson encontrou fibras plásticas e sintéticas como nylon, polietileno e álcool polivinílico nas entranhas da maioria dos anfípodes que examinaram. “Dos 90 anfípodes individuais examinados, 65 indivíduos (aproximadamente 72 por cento) continham pelo menos uma microfibra ou fragmento”, concluiu a equipa.

Os investigadores apelidam os habitats hadal de “o último destino” para quaisquer contaminantes que afundam a partir de níveis superiores do oceano. Como os organismos que vivem em regiões esgotadas e isoladas muitas vezes evoluem para capitalizar qualquer partícula de alimento, eles têm mais probabilidades de ingerir rapidamente o que chega até ao fundo do mar.

Os anfípodes de cada local mostraram níveis diferentes de ingestão de plástico. Por exemplo, todos os organismos da Fossa das Marianas tinham microplástico nos seus intestinos, enquanto apenas metade dos anfípodes da Fossa New Hebrides estavam contaminados. A equipa não tem a certeza sobre o que causa essa variação entre os locais, mas maiores taxas de consumo parecem estar correlacionadas com habitats mais profundos.

O que sim é claro é que essa poluição plástica nos oceanos profundos não é apenas um problema para os organismos que lá vivem. Anfípodes são alimento para peixes, crustáceos e até pássaros na superfície e alguns dos seus predadores são consumidos por humanos. Microplásticos ingeridos por pequenas presas podem ter implicações em toda a cadeia alimentar marinha. “Quando os microplásticos entram na cadeia alimentar hadal, há uma forte possibilidade de ficarem presos num ciclo perpétuo de transferência trófica”, alerta a equipa.

Numa altura em que relatos de animais mortos que acabam em praias com os estômagos cheios de plástico se tornaram tristemente comuns, este novo estudo revela que essas carcaças encalhadas são apenas a ponta do icebergue quando se trata da poluição plástica dos nossos oceanos.


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