A aula de twerk das minas no CRUSP foi o rebolado da auto estima
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A aula de twerk das minas no CRUSP foi o rebolado da auto estima

Quase 100 minas armaram uma aula no conjunto residencial da USP que uniu o útil ao agradabilíssimo: dança e debate feminista.
7.4.16

Foto: Laura Viana

A internet sempre teve um papel muito importante quando falamos sobre desconstrução social e ideológica. O grande problema da história toda é que a ideia de fazer isso através dos famosos "textões" ou mesmo por meio de eventos que pretendem promover debates políticos mais profundos já não toca as pessoas como deveria. A dança, foi o caminho mais divertido, sensual e fitness, no melhor estilo "unir o útil ao agradável", que um grupo de meninas encontrou para ajudar outras minas a se identificarem e conhecerem o poder do corpo da mulher.

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"A gente estava literalmente fazendo faxina quando a ideia surgiu. Começou a tocar "Work" da Rihanna e começamos a dançar. Uma foi mostrando o passo para a outra e foi aí que tivemos a ideia de juntar as amigas pra uma ir ensinando a outra", conta Ane Sarinara, uma das organizadoras do "Twerk das Minas", aula gratuita de twerk que aconteceu no último final de semana no coração do CRUSP, o Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo, no Butantã, na zona oeste de São Paulo.

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O "twerk" é um estilo de dança em que quase todos os movimentos se concentram em remexer os quadris. Nele, é possível encontrar traços de diversos outros estilos como a lambada, o funk e ragga jam. "A princípio não tínhamos a ideia de agregar outras pessoas que não conhecemos na aula", explicou Ane. A procura foi tanta que as organizadoras tiveram que dividir os horários e realizar inscrições online para conseguir atender democraticamente às interessadas.

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A ideia era que o evento tivesse 10 ou no máximo 15 pessoas confirmadas, por isso as meninas que estavam organizando se assustaram quando mais de 600 minas demonstraram o interesse em participar da aula pra rebolar a bunda. "Nós não esperávamos toda essa procura, e isso foi um pouquinho assustador", comentou Ane.

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Quase 100 minas negras, indígenas e brancas resolveram se dividir em dois horários de aula, que tiveram a duração de 1h30 cada e usar um pedacinho da sala 51, conhecida como CRUSPAMOR, para aprender um pouco e compartilhar novas técnicas ou passos de dança. No começo um pouco tímidas, mas já na primeira batida — e com a ajuda das organizadoras, que estavam com todo o gás — elas rebolaram, requebraram, suaram seus shorts, deitaram no chão e riram muito.

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"Eu fiquei sabendo através de um coletivo que eu participo. Eu amei! Ver as pretas, aprender mexer o bumbum. A gente precisa entender que o nosso corpo é bonito, que não é um objeto", conta a estudante de Gerontologia na USP, Beatriz (19). "Nós não vamos dançar para seduzir ninguém, a gente dança pra se sentir bem, se sentir feliz. Momentos como esse são muito interessantes, nós vamos sair aqui com uma energia diferente", conclui Beatriz.

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Do lado de fora da sala, a música alta chamava atenção dos curiosos que às vezes colocavam a cabeça dentro do lugar para dar uma olhadinha. "Eu nunca tinha parado pra pensar nisso da dança, porque eu sempre quero me desconstruir através de textos e através do intelecto. E pensar nisso agora é incrível", conta a estudante de jornalismo na USP, Nairim, 20. Essa desconstrução da desconstrução é um sentimento comum também entre as minas que tiveram a ideia da aula. "Essa dança liberou muita coisa no meu corpo, no sentido de me deixar sensual, de me ver mais bonita, de me ver sem essa vergonha que o mundo traz para o corpo da mulher", afirma Lê Nor, outra organizadora do evento.

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Ao final de cada aula, as organizadoras chamavam as minas para sentar em roda e contar o que acharam como uma espécie de feedback em tempo real. Os corpos ainda quentes ferveram em várias discussões sobre o empoderamento do corpo feminino e do corpo negro e sobre o espaço e o direito da mulher na dança. A mulherada se emocionou ao contar como a experiência conseguiu ser libertadora, como explica Ane: "Uma coisa que a dança traz é isso, uma segurança corporal e também uma autoestima. A estima é algo muito frágil e a dança consegue trazer isso de volta. E você ter o controle do corpo é fantástico. Tudo ali está sob o seu controle."

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As aulas foram um sucesso visível e já rola um burburinho de uma possível segunda edição em breve. A única certeza que nós temos é que todas ali vão querer colar de novo e continuar ralando o bumbum no chão. "Foi muito emocionante isso pra mim. Se rolar de novo eu venho com certeza", afirma a estudante de Física da USP, Lorraine, 20.

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Saca só o Twerk das Minas:

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