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O Guilherme Arantes no Beat Brasilis foi pura comoção

O mestre acompanhou de perto a apresentação do 107º encontro de beatmakers da Casa Brasilis, que teve como matéria prima dos beats o clássico ‘Romances Modernos’ (1989).

Foto por: Peu Araújo.

Algumas vezes a lógica de tempo e espaço deixam de fazer sentido e dão lugar para uma nostalgia presente, algo que ficará marcado nas mais carinhosas gavetas do cérebro para sempre. A quarta-feira, 2 de novembro, o tal feriado do Dia de Finados, foi um desses momentos, pelo menos para os 20 beatmakers que produziram suas tracks no já tradicional Beat Brasilis.

A edição 107 do encontro de produtores se prestou a samplear o álbum Romances Modernos , gravado por Guilherme Arantes em 1989 e na hora da apresentação dos beats, que rola sempre por volta das 20h, o cantor e compositor estava na plateia para apreciar as releituras de sua obra. E o mais foda, ele achou do caralho.

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Os caras já disponibilizaram as faixas no Soundcloud. Dá uma ouvida lá enquanto a gente estica este chicletinho aqui embaixo:

Obviamente o Guilherme Arantes não chegou ali aleatoriamente, mas mais importante do que destrinchar o caminho que o levou até lá é dizer que ele foi e teve a maior humildade e respeito com cada um dos beatmakers que se apresentaram naquela noite. Fez questão de cumprimentar um por um e fazer comentários sobre seus beats. Um baixo novo acrescentado, um beat com tempo quebrado, nada passava aos ouvidos atentos do cantor.

A video posted by Beat Brasilis (@beatbrasilis) on Nov 2, 2016 at 4:51pm PDT

A gente já deu o papo de que o Beat Brasilis é uma fábrica inesgotável de ouros, mas aqui vai uma breve explicação de como funciona o rolê. Um disco é escolhido no carrinho dos discos em promoção na Casa Brasilis, que é também uma loja de discos, e os beatmakers, um a um, vão sampleando o LP. São 10 minutos para cada produtor separar seus trechos e algumas horas para produzir uma track de, no máximo, três minutos. Pois bem, na edição 107 o game da escolha do disco mudou um pouco com a presença de Guilherme Arantes, mas de resto, tudo exatamente igual.

A video posted by Beat Brasilis (@beatbrasilis) on Nov 2, 2016 at 4:58pm PDT

O cantor apareceu para acompanhar os beats no fim do dia acompanhado da sua filha Marietta, que é das antigas cantando nos sound systems. Juntos deles veio uma queda de energia que fez uma galera perder boa parte ou todo o trampo que estavam produzindo. Um dos que quase não teve o que apresentar foi o DJ Nato_PK, mas ele é tão sinistro que em pouco mais de uma hora ele produziu esse beat extremamente cabuloso.

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Infelizmente o Hemeepe não teve a mesma sorte e o disquete da sua MPC (sim, elas usam disquete) deu pau na hora da apresentação, por isso temos só 19 faixas disponíveis no Soundcloud.

Voltando. Por quase duas horas Guilherme Arantes foi bombardeado de recortes e beats que fizeram seu álbum ser revirado do avesso e mesmo com os beats menos criativos fez questão de exaltar os pontos positivos. O cantor tem um desprendimento que só quem gosta muito do som é capaz de alcançar. Ele se alimenta de música, não importa de onde ela venha e não importa se são suas músicas que estão sendo maculadas. Ele pira no som e isso basta.

Antes de finalizar este texto, gostaria de pedir desculpas pela falta de entrevistas. Confesso que nada era mais importante do que chorar largado e curtir imensamente o MOMENTO que eu estava presenciando. Se quer passou pela minha cabeça transformar aquilo em matéria, mas o Eduardo Roberto, editor deste site e outro grande fã do Guilherme Arantes, quis trazer a experiência para cá.

Ouçam os beats, ouçam Guilherme Arantes e sejam felizes.

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