Cultura

O Facebook passou os teus dados e as tuas conversas aos gigantes de Silicon Valley

Uma reportagem do New York Times revela que as grandes empresas de tecnologia trocam as nossas informações entre elas, como nós trocamos Pokémons.

Por Jason Koebler; Traduzido por Madalena Maltez
20 Dezembro 2018, 2:59pm

Foto: Shutterstock

Este artigo foi originalmente publicado na nossa plataforma Motherboard.

Nesta terça-feira, 18 de Dezembro, o New York Times publicou uma reportagem bombástica que detalha as formas pelas quais o Facebook cedeu dados privilegiados dos seus utilizadores a gigantes de Silicon Valley sem o consentimento de quem quer que fosse.

Isso significa que a Netflix e o Spotify puderam ler e enviar mensagens privadas a partir de perfis de utilizadores; que o Bing da Microsoft conseguiu ver os nomes de todos os amigos de alguém no Facebook sem autorização; que a Amazon teve acesso a listas de amigos e dados de contacto e que a Apple pegou em dados da plataforma a partir de iPhones sem pedir licença. A reportagem teve por base entrevistas a mais de 60 pessoas com conhecimento destes acordos e 270 páginas de documentos internos do Facebook que pormenorizavam o esquema.


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A plataforma de Mark Zuckerberg deu a essas empresas acesso privilegiado e, em contrapartida, algumas delas deram ao Facebook dados que poderia utilizar nos seus próprios produtos. A Amazon e a Yahoo, por exemplo, deram ao Facebook dados para a controversa, assustadora e pouco compreendida funcionalidade “Pessoas que talvez conheças”. O jornalista do Gizmodo, Kashmir Hill, que cobre o tema há anos, especula que, em troca, a Amazon possa ter usado a informação fornecida pelo Facebook para identificar resenhas de livros escritas por amigos do autor (a Amazon recusou-se a comentar o assunto ao Gizmodo).

Os acordos do Facebook com diferentes empresas variavam, mas, no geral, revelam que as gigantes de Silicon Valley usam os dados dos seus clientes como moeda de troca para fins de ganhos mútuos. Os documentos “realçam como dados pessoais se tornaram numa commodity desejada da era digital, trocados em larga escala por algumas das mais poderosas empresas de tecnologia do Mundo”, de acordo com o artigo do Times.

Mark Zuckerberg e o Facebook sofreram com a pressão pública o ano inteiro pela forma como a empresa administrava dados e segurança, muitas vezes com o envolvimento de empresas que beneficiariam do acesso privilegiado a estes dados. Não costumamos pensar na Microsoft, Netflix e Spotify como violadores de privacidade, mas estas ajudaram a criar e beneficiaram de um modelo de negócio em que dados são uma commodity a ser usada como moeda de troca e para obter lucro.

Sendo assim, o artigo tem um peso não só para o Facebook, mas para todo o sector de tecnologia norte-americano, mostrando mais uma vez que o modelo de negócios - partilhado por quase todos os grandes nomes do sector - não é um que vende produtos a consumidores, mas sim que vende consumidores a empresas. A indústria como um todo montou-se de forma a trocar os teus dados para benefício próprio.


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