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Sexo

Laranjas mecânicas

Existe música dentro de ti?
11.10.12

Esta laranja cheirava a peixe. Durante este fim-de-semana, teve lugar o Guimarães noc noc e havia tanto para ver que muitos nem se aperceberam que, no Laboratório Digital — que fica na parte baixa de Guimarães e desenvolve trabalho no CAAA (alguém devia repensar o nome, porque este é impronunciável) — havia um workshop sobre hacking de género. Perguntam-se, que é isto? Como a explicação da coisa é uma grande seca, quem quiser que procure no Google. Em Guimarães, também há geeks freaks, e não me refiro àqueles de óculos de massa que passam a vida a jogar Magic, The Gathering e a bater píveas em casa, enquanto veem Hentai (aqueles desenhos animados porno com meninas colegiais possuídas por monstros com tentáculos). Se a Gaga visse estas roupinhas… Falei com as Post-Op, um coletivo de GAJAS de Barcelona, que para além de serem génios, no que diz respeito a tecnologia, hacking, e tudo o que está relacionado com as teorias queer da Judith Butler, também fazem porno. Puseram-me a par do seu mais recente projecto, que vieram criar em colaboração com os geeks de cá. Uma máquina capaz de traduzir em som/música o toque de uma pessoa. Quando me contaram, eu esperava uma cabine onde tinhas que entrar nu, com montes de sensores colados pelo corpo, enquanto senhores com bloquinhos tomavam notas freneticamente e ajustavam botões… Nada a ver. Na mesa, duas colunas de computador muito retro e uma caixinha ligada com dois fios a duas laranjas! (WTF, pensei eu.) Errrr… E era mesmo verdade, aquelas laranjas eram mágicas (como não sou cientista, este é o termo que uso para explicar quando não sei como funcionam as coisas). Começamo-nos a tocar e dependendo do sítio, da intensidade da pressão ou da leveza do toque o nosso contacto era traduzido numa panóplia de sons que nos dava, aos dois vontade, de nos esfregarmos um no outro. ”Isto é fantástico! Podia ser utilizado para terapia com pessoas que têm aversão ao toque, fobias sociais, etc…”, disse-lhe.
 “Sim, ou então, na nossa próxima performance, usamos pepinos em vez de laranjas, metemo-los no chocho e damos um concerto de puta madre!”, respondeu-me ela. Fotografias por Strangelfreak