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Um Sucinto Porém Jovial Glossário da Música Eletrônica: Letras F e G

Fagocitamos gêneros, termos técnicos, referências culturais e piadinhas internas para te ajudar a entender o complexo e maravilhoso mundo da eletrônica.

O grande gênero da música eletrônica visto de fora pode parecer uma confusão sem tamanho. Olhando de dentro também é um pouco, pra falar a verdade. De qualquer forma, preparamos este pequeno glossário para você entender um pouco melhor esse estilo de som em suas inúmeras encarnações. Alternamos em ordem alfabética alguns termos técnicos com verbetes que tentam explicar sucintamente também os distintos gêneros, subgêneros e derivações, para viabilizar uma superficial organização mental do que foi produzido em toda a história da música eletrônica. A ideia não é dar um guia definitivo, mas sim elucidar alguns pontos específicos dentro dessa grande sonoridade cósmica e digitanalógica. Seguimos nesta sexta (5) com as letras F e G:

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FADER: Controle de potenciômetro usado em mixers e outros hardwares para alterar algum parâmetro, como o ganho de uma faixa ou mudar de uma origem sonora para outra.

FILTER (filtro): Um instrumento que remove frequências específicas do tom de um sinal. Pode soar meio abstrato, mas faz toda a diferença para alterar o corpo e a cor de um som sintetizado.

FM (frequency modulation): Literalmente quer dizer modulação de frequência. É um sinal de onda onde o único parâmetro que é alterado é a frequência, ao invés da fase e amplitude. Isso não apenas faz a maravilha tecnológica do seu radinho de pilha fucionar, mas também é uma forma de sintetizar sons através da síntese de modulação de frequência, dá pra entender tudo vendo o tutorial desse loiro aqui embaixo, inclusive sobre filter.

FOLDBACK: O termo em inglês para retorno, o mix e aparelhagem de som direcionados para quem está se apresentando no palco se ouvir. Se não houvesse o retorno, o artista ouviria apenas a reverberação das caixas de som direcionadas ao público e ia ficar bem cagado o som que ele ia mandar, tudo com atraso.

FREESTYLE: O ser humano é de tal forma constituído que até quando cria um gênero de música denominado ESTILO LIVRE, ele é facilmente definido em termos formais e estilísticos. Freestyle é um estilo de dance-pop derivado dos ritmos mais sincopados do electro e dos breaks e das criações do mestre Afrika Bambaataa. Desenvolvido em sua grande maioria pela comunidade hispânica de Nova York, os resultados são maravilhosas pérolas do cancioneiro pop com inúmeros grupos de garotas cantando vários hits. Meio vago? Saca essa canção aqui então.

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E veja a alegria que ela proporcionou à época.

FRENCH HOUSE: O house produzido na França. Você pode pensar, uai e daí? Até notar que os grandes nomes do house francês incluem Thomas Bangalter (sim, do Daft Punk) e um certo David Guetta, além do Air (o queridinho de trilha sonora de filmes de graduação em cinema) e o preferido dos descolados de jaqueta jeans/couro, Justice. A criação de um estilo particular francês de música eletrônica tomou o mundo de assalto e foi um dos principais responsáveis por colocar a música eletrônica no mainstream nesse começo de milênio.

FREQUÊNCIA: Indicação de quantos ciclos em uma onda sonora repetitiva ocorrem em 1 segundo. Uma onda sonora que tem o ciclo de repetição de uma vez por segundo tem a frequência de 1Hz (hertz). Se você não matou todas as aulas de física do mundo deve saber que quanto maior a frequência mais agudo é o som.

Todas as frequências que podem ser ouvidas pelo ouvido humano. Pelo amor de Deus, abaixe o volume conforme o bagulho for ficando mais agudo para não ficar surdo.

FX: Abreviação babaca para efeitos.

GABBER: Estilo de hardcore techno holandês que se caracteriza pelo bumbo distorcido com mais corpo e um sustain maior, virando praticamente uma nota de outro sintetizador que fica sendo tocada repetidamente. Som de gente maluca pra passar mal na pista, diretamente oposto aos estilos de hardcore de mais sucesso como o happy, que era o fim do mundo para essa galera.

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Ouve essa fritação, repara no bumbo, eita.

GANHO (gain): Basicamente, o tanto que um sinal é amplificado.

GARAGE (UK garage): Gênero típico da música eletrônica inglesa nascido no começo dos anos 90 a partir das derivações da house music com interações de gêneros como o R&B, rap, soul e reggae. Sendo um daqueles grandes guarda-chuvas que abrigam vários estilos distintos, o garage não é facilmente definido formalmente, mas é melhor enxergado como uma cena. Ao invés dos ritmos mais frenéticos com alto BPM que estavam em voga nos meados e final dos 90 em Londres, o garage geralmente se baseia em ritmos mais tranquilos, por volta de 130BPM. Derivações do gênero levaram à criação de estilos como o grime e o 2-step.

Uma hora sensual de garage só pra você. Note os distintos tipos de som que entram no gênero.

GATE: O sinal elétrico que é gerado sempre que uma tecla é acionada em um teclado eletrônico. É o gate que aciona a magia eletrônica que vai ativar o som de vaquinha do seu teclado quando você estiver tocando na sua banda de eletro-pop-avant-garde.

GENERAL MIDI: Um conjunto padrão de definições gerais para todos os sintetizadores que seguem o padrão MIDI, é ele que ajuda a organizar a bagunça entre os inumeráveis instrumentos digitais que emulam instrumentos reais. Entre os padrões definidos estão os números referentes aos distintos tipos de som que você pode tocar no seu tecladinho Casio, identificando o número 24 com um violão de nylon e o número 69 com um corno inglês.

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GLIDE: Também chamado de portamento, é quando uma nota, ao invés de dar um salto para a próxima, faz a transição de maneira mais suave, passando pelas frequências entre elas.

GLITCH: Mal funcionamento de algum tipo no equipamento que causa um som indesejado. Nos últimos anos, os sons característicos desses erros começaram a ser usados por seu valor estético e utilizados como uma ferramenta a mais. Daí surgiu o gênero glitch, que usa esses sons, invasores a princípio, conscientemente. Um dos precursores do uso de erros como ferramenta foi o grupo alemão Oval, que em suas composições danificava propositalmente CDs para utilizar esses timbres em suas composições. Hoje em dia a estética glitch já não é mais monopólio desse pessoal mais experimental, se tornando mais uma das cores disponíveis para quem vai produzir um sonzão eletrônico.

Que bagunça gostosa.

GOA TRANCE: Som de brancos de dreadlock.

GRIME: Estilo de música eletrônica e rap desenvolvido em Londres sendo uma continuação dos beats do garage, drum and bass, hip hop e dancehall. Caracterizado por batidas complexas que se alternam entre padrões de 4/4 e ritmos sincopados e melodias de sintetizador tipicas do hip hop acompanhando.

Saca essa molecada nervosíssima do Ruff Sqwad.

O Pedro Graça tenta deixar o mundo mais sábio no Twitter também: @pedrograca

Adquira ainda mais cultura lendo o que já publicamos no Glossário:

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