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O Fernando Sanches Remasterizou 'Pela Paz', do Cólera, em Homenagem ao Redson

Ex-baixista do CPM22 e atual guitarrista d'O Inimigo, o engenheiro de som do estúdio El Rocha injetou mais peso ao clássico do punk nacional. O lançamento é da EAEO Records.

Há quatro anos o punk nacional perdia sua figura mais importante. Edson “Redson” Pozzi, vocalista, letrista e guitarrista do Cólera, morreu aos 49 anos, vítima de uma hemorragia interna, causada por uma úlcera no esôfago. Um dos caras mais espertos e esclarecidos de sua geração, Redson se destacava pelo carisma e desenvoltura com as palavras, compondo verdadeiros hinos do pensamento libertário. Um desses clássicos, que traz uma mensagem ainda urgente, em face das guerras sórdidas que seguem assolando sociedades ocidentais e orientais, é a faixa “Pela Paz”, do álbum de 1986 Pela Paz em Todo o Mundo – o equivalente do Fresh Fruit For Rotting Vegetables para o punk tupi.

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A fim de celebrar a relevância do Redson e da banda que ele fundou em outubro de 1979, o selo EAEO Records acaba de relançá-la, com a calibrada e sempre indefectível remasterização do Fernando Sanches, do Estúdio El Rocha. "Estou muito feliz de poder ter feito esse trabalho. Quando conheci a banda, de moleque, nunca imaginei que teria essa chance. Valeu muito. Animal!", comentou Sanches sobre a experiência. As cordas ficaram mais na cara, garantindo peso maior ao som, e a marcação da caixa também subiu, o que deixou a produção mais cheia e empolgante, de modo geral. E o mais daora é que o Fernando remasterizou o álbum inteiro com essa mesma pegada, a partir das gravações originais, em fita rolo. Chega em breve na área, portanto, uma nova prensagem desse play para a alegria dos moicanos. Escuta aí:

O João Noronha, do EAEO, revelou que eles descolaram os rolos direto com a Devil Discos, e agora as fitas estão sob os cuidados dos remanescentes do Cólera. Além do Pela Paz…, serão relançados em vinil o Deixe a Terra em Paz! (2004), o Caos Mental Geral (1998) e o Primeiros Sintomas (coletânea de regravações, 2006). Nunca antes disponível em LP, esse material vem sendo remasterizado pelo Arthur Joly, da Reco-Head. Se liga em como está ficando o lance pelas mãos do Joly:

O Cólera já fazia hardcore quando a galera engatinhava no punk rock. Foi uma das poucas bandas dos anos 1980 com algo a dizer, a partir de um discurso consciente e apaixonado. As letras do Redson eram ao mesmo tempo de protesto e pessoais. Mandavam o papo reto, mas conquistavam o ouvinte pela utopia, pelo coração. Falavam de política de um jeito romântico, buscando representar as angústias e sonhos de diferentes tipos sociais, do adolescente ao soldado, do trabalhador assalariado ao sem teto faminto. O grupo, que ficou marcado pelo seu viés pacifista e ecológico, lançou seis discos, sendo que o último de inéditas, Deixe a Terra em Paz!, reforça essa ideia. A morte do Redson foi de fato um choque inconsolável para muitos, sobretudo porque deu-se num momento em que ele estava bastante ativo, tocando e gravando.

Um bem acabado documentário, lançado dois anos atrás, capta esse sentimento. Que Esse Grito Não Seja em Vão!, do carioca Raphael Erichsen, vale ser revisitado ou visto por quem ainda não teve a chance, pois traz depoimentos de gente que participou da construção da cena no Brasil ao lado do Redson, como o Jão e o João Gordo, do Ratos, e o Clemente, do Inocentes, além dos outros integrantes do Cólera, com direito a uma visita à casa onde o Redson morou. Lá, um grande acervo de música e imagem também evoca memórias importantes do punk local. Vai na minha:

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