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Neste carnaval não caia na cilada da sífilis: use camisinha

Doença milenar continua infectando pessoas mundialmente.
25.2.19
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Não é incomum associar a sífilis a um mal de tempos passados, de escritores melancólicos viciados em láudano e absinto que morreram cegos ou enlouquecidos após uma curta vida de farra. Porém, não se iluda, a sífilis ainda atua como um inimigo invisível até hoje, mesmo seu tratamento ser simples. Por que a doença, uma doença tão antiga e tão fácil, de tratar ainda nos assombra?

Em 2016, o Ministério da Saúde decretou uma nova epidemia de sífilis e também especialistas vêm observando um aumento preocupante da condição dentre a população geral. Segundo a OMS, são 357 milhões de novos casos por ano da transmissão da doença e só no Brasil são 58,1 casos a cada 100 mil habitantes. Entre 2014 e 2015 foi registrado um aumento preocupante de 32% nos casos de sífilis entre adultos – e mais de 20% em mulheres grávidas.

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“A sífilis é uma condição realmente super antiga, uma doença que já matou muita gente nos séculos anteriores quando ainda não existiam antibióticos,” explica Dania Abdel Rahman, médica infectologista dos hospitais Albert Sabin, Sírio Libanês e Leforte Liberdade em São Paulo. “A mortalidade hoje em dia é justamente pela transmissão por via sexual e pela gravidade de não ser tratada, talvez por uma subvalorização pelas pessoas que os sintomas passam despercebidos”.

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada por uma bactéria chamada Treponema pallidum. A doença se desenvolve em diferentes estágios: o primário, secundário e terciário, sendo o risco de contágio maior nas duas primeiras fases. Normalmente, ela começa se manifestando na forma de pequenas lesões indolor na genitália, podendo facilmente ser confundida com alergias ou outros problemas.

Já na fase secundária é uma consequência lógica do não-tratamento da fase inicial da sífilis. As lesões passam a se espalhar pelo corpo com as mesmas características, sendo simétricas e indolor. Outros sintomas podem se manifestar nessa segunda fase de maneiras diferentes, o que explica porque a doença é considerada um mal de mil faces.

O tratamento pode ser simples e descomplicado caso a pessoa consiga identificar a doença nas primeiras fases, sendo uma dose única do antibiótico penicilina por via intramuscular. No entanto, se a doença entrar na fase terciária, ela pode comprometer órgãos vitais como o cérebro, coração, intestino, entre outros. “Na fase terciária, há a neurossífilis, que vem na forma de meningite podendo evoluir para cegueira, alterações de comportamento e outros acometimentos neurológicos”, explica a infectologista. “Outra forma bem comum é a sífilis cardiovascular que acomete o coração.”

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Outro perigo da doença é a transmissão vertical da mesma, ou seja, quando a mulher gestante transmite a doença para o feto. A infecção pode ser facilmente tratada também, mas também depende de um diagnóstico preliminar. “O exame já é pedido no pré-natal para a mulher. Se não for tratada, pode causar danos sérios em qualquer fase da gestação e podemos ainda ver malformações do bebê que podem levar o óbito fetal. Inclusive, ele pode nascer com doenças neurológicas.”

A prevenção da sífilis é mais simples do que a gente imagina: use camisinha nas relações sexuais. “A nova epidemia o que a gente tem visto decorrem de práticas sexuais sem preservativo que cada vez estão mais frequentes e o fato de que as pessoas ficam muito tranquilas que existe tratamento,” aconselha Dania.

Fora a falta da noção de perigo da infecção, a epidemia se intensificou por falta de políticas públicas e campanhas para conscientizar a população das doenças e também da falta de medicamentos para tratar os pacientes na rede pública. Em 2018, um estudo encomendado pelo Ministério da Saúde também apontou que políticas conservadoras ajudam no aumento do contágio de HIV entre jovens de São Paulo, por exemplo.

Fique sempre de olho também na hora do banho. Olhe se ele está com lesões na genitália, no tronco, palma das mãos e em outras partes do corpo. Não se iluda, mesmo se a lesão for indolor e desaparecer, ela pode indicar que você foi infectado. Quanto mais rápido você se mexer, mais rápido a sífilis pode ser curada. Vá até o médico, peça um exame de sangue e encape o seu meninão ou o meninão do parceiro.

Carnaval é uma festa boa demais pra você vacilar, hein?

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