Música

Canções Que Salvam Vidas: Rua Direita

Se também achas que salvar memórias é salvar vidas, ouve já estes rapazes de Leiria.

Está a chover que se desunha. Está um calor infernal. É sexta-feira e estás em pulgas para a rambóia logo à noite e para fritares a molécula. Por outro lado, é sexta-feira, estás em pulgas para a rambóia logo à noite e para fritares a molécula, mas não tens guito. Não te apetece ir trabalhar. Não te apetece estudar. Vais é dar uma volta pela cidade. Espera, está a chover. Pronto, vais ver o mar, que está um calor diabólico. Alto, que isto está cheio de turistas e não dá para ir a lado nenhum. Nunca mais chega a Primavera! Primavera é que não, que é só alergias.

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Um gajo nunca está contente. Se não é do cu é das calças. O que vale é que, como toda a gente sabe, há canções que salvam vidas (os Smiths cravaram-no a letras de ouro no cancioneiro pop para toda a eternidade). Semanalmente, e para que a tua vida ganhe um novo sentido e encontres a salvação possível, deixamos por aqui um desses bocadinhos de lírica e melodia (ou ruído e grunhidos selvagens, conforme a disposição) que têm a capacidade de, em pouco mais de três minutos, te salvarem. Se não a vida, pelo menos o dia.

Aviso já que esta abordagem aos Rua Direita está minada. A minha avó vivia na Rua Direita leiriense que dá nome à banda e por ali passei grande parte da infância, a jogar à bola, a comprar cromos na papelaria da esquina, a sonhar com a adolescência para poder entrar no Salão de Jogos que por ali existiu em tempos. Quando a adolescência chegou, foi por ali que caminhei incontáveis vezes para entrar ou sair no Terreiro e foi ali que fiz várias coisas que não me apetece contar para não chatear os meus pais. E, pelos vistos, eles também.

Bastava-me isto para gostar destes gajos. Salvar vidas, também é salvar memórias, portanto… Mas, o projecto de Donato Rosa e Paulo Ladeiras, para além disso, tem canções e canções das boas. Como esta "Mariana" (ver vídeo acima), carregadinha de densidade pop, de uma história contada em melodia certeira e viciante, os Rua Direita mostram-nos que a salvação pode quase sempre estar apenas à distância de um refrão orelhudo.

Citemos Carlos Matos, expert incontornável desta coisa das canções: "A música pop dos Rua Direita tem uma costela rock vincada, de guitarras melódicas sóbrias mas com leads suficientemente eficazes e cativantes, de ritmos e baixo em compassos que nos obrigam sempre a bater o pé e a abanar o corpo, e de vozes e coros com timbres a preceito, ideais para o género. A música feita em Leiria fervilha e a culpa também é desta malta!". Estamos todos salvos!

A banda leiriense apresenta amanhã, sábado, 21 de Outubro, às 22h00, no Musicbox, em Lisboa, o álbum de estreia. A acompanhá-los sobem ao palco os Madrepaz.

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