​Este medicamento para Alzheimer é capaz de fazer dentes crescerem de novo
Crédito: Irina Patrascu/Flickr

​Este medicamento para Alzheimer é capaz de fazer dentes crescerem de novo

Da série: descobertas acidentais e revolucionárias.
11.1.17

Tchauzinho, cáries. Adeus brocas e obturações. Em breve vocês poderão ser substituídas por um medicamento que faz os dentes crescerem.

Pois é: pesquisadores do King's College, em Londres, na Inglaterra, divulgaram um estudo em que afirmam ter descoberto uma substância capaz de fazer dentes crescerem novamente sobre cáries ou lesões. A pesquisa foi publicada esta semana no periódico Scientific Reports.

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Os responsáveis pelo artigo perceberam que uma droga para o tratamento de Alzheimer em fase experimental chamada Tideglusib tinha como efeito colateral o estímulo ao crescimento da dentina, a parte óssea do dente formada por tecido calcificado, criando, assim, a maior parte dentária, pouco acima da polpa e abaixo do esmalte rígido.

A simplicidade do método significa que poderia ser usado em diversas aplicações dentárias. O uso e a disponibilidade são relativamente simples, de acordo com o autor do estudo, Paul Sharpe, do King's College de Londres. O Tideglusib, usado em ensaios clínicos como medicamento neurológico a fim de estimular o desenvolvimento de células cerebrais, estimulou os dentes a gerarem mais células-tronco na região exposta.

No caso dos ensaios clínicos com pacientes de Alzheimer, o medicamento é administrado via oral de forma a combater mutações causadoras da doença. Ele se vale de proteínas tau, encontradas em neurônios e outras partes do corpo. Ao ser aplicado nos dentes, o Tideglusib impede uma espécie de proteína tau de desempenhar seu trabalho – impedir a formação de dentina.

Em geral, só se formaria uma pequena camada de dentina sobre uma lesão. Mas, ao aplicar o Tideglusib na área, ele bloqueia a enzima que impede o crescimento da dentina, glicogênio sintase quinase (GSK-3), e a região toda acaba se curando.

Os pesquisadores do King's College colocaram o inibidor da enzima em esponjas biodegradáveis de colágeno e então as colocaram nos dentes de indivíduos onde cáries haviam se formado e descobriram que estas foram curadas sem obturações ou brocas.

"Usar um medicamento já testado em portadores de Alzheimer dá uma oportunidade real para que este tratamento dentário logo chegue às clínicas", comentou Sharpe em nota.

Tradução: Thiago "Índio" Silva