A fuga em massa em Jardinópolis nos lembra quão no limite está o sistema prisional do país

A recente fuga de 470 detentos presos no interior do estado de São Paulo pode ser a maior fuga em massa já registrada no país.

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07 outubro 2016, 8:00pm

Presos fugindo do Centro de Progressão Penitenciária (CPP) em Jardinópolis. Imagem: Reprodução/EPTV - GLOBO.

A recente fuga de 470 detentos presos no interior do estado de São Paulo pode ser a maior fuga em massa já registrada no país — a outra fuga de grande porte registrada aconteceu em meados de 2011, em Florianópolis, quando 79 homens escaparam da Central de Triagem do Complexo Penitenciário da capital catarinense.

Foi no dia 29 de setembro deste ano foi que os 470 presos fugiram da unidade de regime semiaberto e sem vigilância armada do Centro de Progressão Penitenciária (CPP) em Jardinópolis, no interior do estado de São Paulo. A fuga ocorreu durante uma revista de rotina, por volta das 9h da manhã. Segundo a Secretária de Administração Penitenciária (SAP), não houve reféns e a situação foi controlada pelo Grupo de Intervenção Rápida da SAP, com apoio da Polícia Civil e Militar.

Os presos atearam fogo em colchões de um dos pavilhões do presídio, derrubaram a grade de quatro metros de altura e fugiram a pé pela Rodovia Cândido Portinari (SP-334). Alguns se esconderam no meio de um canavial, onde havia um incêndio, como informou a Polícia Militar. Presos recapturados relatam que a fuga foi uma resposta a insatisfação com as medidas punitivas adotadas pela direção do presídio, como a suspensão das visitas. Um artigo publicado no canal Justificando considera que o sistema prisional brasileiro está "em colapso".

Em nota, a SAP relata que dos 470 presos, 349 foram recapturados e o trabalho de busca segue sendo realizado pelas polícias Civil e Militar. A Corregedoria da SAP já instaurou uma sindicância para apurar as causas do tumulto de quinta, ocorrido após a realização de revista de rotina. O CPP, relata a secretaria, tem capacidade para 1.800, e abriga 1.861 presos. "Desses, 1.602 trabalham dentro e fora do presídio e 662 estudam no ensino regular e/ou profissionalizante — parte dos presos estuda e trabalha", diz a assessoria em nota.

Ainda de acordo com a SAP, "conforme determina a legislação, todos os presos recapturados foram transferidos para unidades penais de regime fechado e perderam o direito ao semiaberto. No momento da ocorrência, não houve reféns, nem mortos". Ainda assim, entre os fugitivos, oito detentos ficaram feridos e foram levados aos hospitais de Ribeirão Preto (SP) e de Jardinópolis. Um corpo carbonizado também foi encontrado entre a plantação e há a suspeita de que seja de um dos fugitivos.

Alguns dos presos escaparam pelo Rio Pardo que fica próximo ao presídio. Testemunhas que pescavam no rio contam que quatro presos chegaram até as margens do rio e pularam na água. Três deles conseguiram atravessar até o outro lado nadando e um deles sumiu.

MILITAR PRÓDIGO

Enquanto uns fogem, outros retornam. Este é o caso do soldado da 2ª classe da Polícia Militar, Thales Bruno Moreira, que estava preso por homicídio qualificado e fraude processual desde 28 de fevereiro de 2016, no presídio militar Romão Gomes. Thales fugiu na manhã de sexta-feira (30) e se entregou à polícia, em Franca, no fim da noite do sábado (01), como informou o canal Ponte. A prisão contra o soldado foi decretada junto com outros dois PMs acusados de terem executado, com um tiro pelas costas, o suspeito de roubo Alexandre de Sousa Vieira em 19 de fevereiro deste ano, no Parque das Cerejeiras, zona leste da capital paulista.

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