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Conheça os caçadores de OVNIs do Vale do Silício

Um pequeno grupo de empreendedores e tecnólogos acredita que humanos podem capturar e fazer a engenharia reversa de OVNIs – e que isso pode ser um bom investimento.

por MJ Banias; Traduzido por Marina Schnoor
26 Julho 2019, 10:00am

Imagem: Getty / Composição: Jason Koebler.

Não teria nada mais perturbador que a descoberta repentina de alienígenas. Talvez por isso um pequeno contingente do Vale do Silício está tão interessado em OVNIs – e quer saber como pilotá-los.

Com pilotos militares americanos revelando seus encontros com veículos aéreos anômalos, caçadores de OVNIs estão começando a se sentir compreendidos. A intersecção de tecnólogos que também são entusiastas de OVNIs acredita que eles não só existem, mas que podemos fazer descobertas científicas significativas os estudando.

Rizman Virk comanda o PlayLabs@MIT. Ele também é um empreendedor do Vale do Silício, investidor, autor de The Simulation Hypothesis e acha os OVNIs interessantes como tecnólogo e cientista.

“Estou interessado no fenômeno porque acredito que a ciência mainstream só descobriu 5% da verdade sobre a realidade, e os outros 95% 'ainda estão por aí'”, ele disse numa entrevista.

Virk disse que estudar OVNIs, sendo eles reais ou não, desafiou suas ideias do que pode ser possível: “Esse fenômeno parece ser sobre tecnologia avançada que nem sempre se encaixa no nosso modelo atual de 'o que é tecnologia' e o que não é”, ele disse.

“Muitos tecnólogos usam a intuição para encontrar novas ideias e decidir que caminhos seguir”, ele acrescentou. “Há uma sobreposição entre a ideia de acreditar na sua intuição e o que acontece na pesquisa de OVNIs.”

Virk admite que a cena de OVNIs é pequena no Vale do Silício, e que os investidores e tecnólogos interessados no assunto tendem a ser discretos. OVNIs, apesar de todas as notícias recentes, ainda são um assunto tabu. Dito isso, é do conhecimento do público que um magnata imobiliário e empreendedor de tecnologia do Utah comprou o infame Skinwalker Ranch do bilionário aeroespacial Robert Bigelow. Para muita gente do mundo da tecnologia que também se interessa por OVNIs, a ufologia é uma obsessão paralela. Poucos falam sobre o assunto publicamente, mas isso vem mudando lentamente.

Em seu novo livro, American Cosmic: UFOs, Religion, Technology, a professora de filosofia da Universidade da Carolina do Norte Wilmington Diana Pasulka argumenta que muito do discurso de ufologia moderno contém um aspecto de religiosidade. Diferente das religiões tradicionais que exigem apenas fé, OVNIs misturam divindade e tecnologia, e se baseiam na possibilidade científica de que a vida extraterrestre pode muito bem ser real.

“Diante dos nossos olhos há tecnologias subjacentes nesses OVNIs que estão além do nosso entendimento e capacidade de recriar... se prestarmos atenção e revertermos essas tecnologias para levá-las à massa, veremos um mundo com viagem interestelar ao alcance das mãos.”

O mito dos OVNIs sempre foi mais que apenas homenzinhos verdes em discos voadores, e sempre carregou um desafio perpétuo para estabelecer sistemas de políticas, economias e poder. E no Vale do Silício, esse mito encontrou pessoas que deram um salto de fé em suas startups e em sua crença em OVNIs. Talvez o ufólogo e tecnólogo mais famosos seja Jacques Vallee, um cientista da computação e empreendedor que trabalhou na ARPANET, que se tornaria a base da internet.

“Há outros grupos que se abstêm de mistificar os OVNIs, que em vez disso querem entender a verdade. Você encontra essas pessoas no Vale do Silício”, ela escreveu no livro. “São cientistas que, como Jacques, estão no topo de seus campos, e que produziram algumas das tecnologias que podem ter salvo a vida de pessoas que você conhece (ou mesmo você), ou desenvolveram tecnologias que você usa todo dia no seu celular. Como Jacques, eles acreditam no fenômeno conhecido como 'OVNIs' ou fenômenos aéreos inexplicáveis, e estão envolvidos no processo de traduzir futuras tecnologias para a realidade presente.”

Não é surpresa que esses tecnólogos de ponta compartilhem um pseudo-karma com OVNIs. A tecnologia é, por natureza, disruptiva. Ela altera quem somos, remodela significados e, mais importante, permite que o impossível se torne possível.

James Lampkin, vice-presidente de programação da ESL, uma das maiores empresas esportivas do mundo, disse a Motherboard que acha a ideia de OVNIs interessante porque “as implicações desse tipo de tecnologia parecem impressionantes e revolucionárias independente de quem esteja voando”. Ele expressou sua frustração com como a mídia parece apenas abordar a superfície do fenômeno.

Deep Prasad, CEO da ReactiveQ, uma startup multimilionário de tecnologia de computação em Toronto, compartilha os sentimentos de Lampkin.

“Como tecnólogos, buscamos dominar a ciência e engenharia de maneira que toda a humanidade se beneficie”, ele disse a Motherboard. “Diante dos nossos olhos há tecnologias subjacentes nesses OVNIs que estão além do nosso entendimento e capacidade de recriar... se prestarmos atenção e revertermos essas tecnologias para levá-las à massa, veremos um mundo com viagem interestelar ao alcance das mãos.”

Como Virk, Prasad acredita fundamentalmente que se OVNIs podem ser estudados, isso mudaria o entendimento da humanidade do que é tecnologia. Ele acredita que pesquisa científica sobre o fenômeno “vai levar a uma revolução técnica como nenhuma outra na história da humanidade”.

Lampkin está tentando convencer alguns de seus amigos a prestar atenção nas notícias recentes sobre OVNIs. Ele lamenta que apenas “10 ou 20% dos meus amigos têm a mente aberta” e só um punhado “mergulhou na lama” com ele, mas o resto parece desinteressado ou cético.

Virk apontou que a maioria dos empreendedores do Vale do Silício não vai começar a jogar dinheiro na pesquisa de OVNIs, pelo menos não publicamente, simplesmente porque não há garantia de retorno. Investir em estudar OVNIs, bom, é bastante arriscado mesmo.

“Alguns relatórios de tecnologia dizem que isso entra em áreas que estão apenas começando a ser exploradas no Vale do Silício – como interfaces de mente e computadores”, disse Virk.

Em algum lugar no limiar entre humanidade e máquinas, entre nós e as ferramentas que criamos, está, na falta de uma palavra melhor, um alienígena. OVNIs, reais ou não, abduziram não só nossa cultura, mas as imaginações e instituições de algumas das nossas mentes mais brilhantes. Talvez esse pequeno grupo de ufonautas do Vale do Silício sirva para lembrar que não devemos considerar as coisas como garantidas, que o que achamos “normal” muitas vezes é arbitrário. OVNIs, e as pessoas interessadas neles, deixam a sociedade desconfortável porque simbolizam um dos nossos grandes medos: mudança.

Matéria originalmente publicada na VICE EUA.

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